4.4.09

Os donos do poder e sua mídia

Os indivíduos têm direito de revisar suas crenças e opiniões. A mídia também. Por exemplo. A revista Exame, da Editora Abril, escrevia quando a Operação Narciso da Polícia Federal, dia 13 de julho de 2005, invadiu a Daslu e prendeu dona Eliana Tranchesi pela primeira vez: “A Daslu virou vidraça, o templo paulistano do luxo se tornou o grande alvo da histeria anticapitalista no Brasil”. Era a véspera do aniversário da Queda da Bastilha.

Apanho a edição desta semana de Veja, nau capitânia da mesma Abril. Depois de admirar na capa o fantasma de dona Eliana a exalar ectoplasmaticamente da maquete da célebre loja, leio que a nova prisão da senhora em questão “pode marcar o fim de uma era de permissividade”. Na qual chafurdaram, como diriam cronistas de antanho, os barões midiáticos, entre outros senhores do poder. Não esqueçamos que à inauguração da “loja dos ricos”, como sublinha Veja, esteve presente para cortar a fita o próprio governador de São Paulo, então Geraldo Alckmin. Se fosse hoje, estaria José Serra? Aposto que sim.

Vale não esquecer outros fatos. As reportagens que celebraram o evento histórico da presença na capital bandeirante de um empreendimento comercial sem similares no mundo, a demonstrar que o espírito dos desbravadores continuava lépido. As denúncias da truculência da Operação Narciso, sem contar as lágrimas de Antonio Carlos Magalhães ao saber do vexame sofrido por sua protegida Eliana. De fato, ACM apreciava um terno Armani, levemente desestruturado.

Cabe a pergunta: por que a mídia, com exceção de O Estado de S. Paulo, privilegiou, dia 27 de março passado, a prisão de dona Eliana em lugar da notícia da Operação Castelo de Areia, que indicia o pessoal da Camargo Corrêa e pretende desvendar pretensa trama para favorecer partidos da oposição? Sinceramente, não tenho resposta. Permito-me caminhar por tentativas de explicação, sem descurar das principais características da chamada elite nativa.

De saída, acentue-se que, antes do futebol, esta porção nobre da sociedade nacional pratica com afinco e perícia o chute do cadáver. A queda da Daslu já foi, faz quase quatro anos. Hoje assistimos à consequência, e os tais 94 anos de prisão, cominados pela juíza Maria Isabel do Prado, tidos como absurdos antes que surpreendentes, nada significam além do vezo da Justiça brasileira de somar penas previstas para cada crime cometido. No passado, até recente, houve condenações a mais de 200 anos. E hoje a mesma Abril que enalteceu a Daslu colhe os sintomas de uma mudança histórica com a condenação de dona Eliana.

O comportamento dos diários parece confirmar a tese. Fiquemos por aqui? Não enxergo serviço prestado à razão. Haverá quem diga, do alto da experiência jornalística: ofereceu-se ao distinto público aquilo que de fato o excita. Sim, sim, mas a que público aludimos? Obviamente, ao público dos frequentadores da Daslu (40 mil cadastrados em 2005) e dos aspirantes a fregueses. O creme do creme, a cúspide da pirâmide. Meditemos a respeito: não há espanto se a mídia nativa cuida de comunicar-se, apenas e tão somente, com os privilegiados e com os empenhados em chegar lá. Os esperançosos do bom êxito do seu alpinismo.

Recomendável outra consideração: que tal desviar a atenção do escândalo levantado pela Operação Castelo de Areia? Se as acusações forem provadas, o caso incrimina mais uma vez o sistema, desde o uso de caixa 2 até a evasão fiscal. A rigor, ninguém dos graúdos fica em perfeita segurança nestes domínios. Está na moda, como sabemos, proclamar a corrupção política. E onde se esconderiam os corruptores? Estamos diante da denúncia de um caso destes, e de grande porte. Não seria a hora de ir ao fundo do problema?

A mídia, como sempre, a não ser que o envolvido seja o governo Lula, receia avançar demais, quando, com expressão impávida, não trapaceia, omite ou mente. Que esperar, porém, da mídia verde-amarela? Tropeço, tardiamente, no Jornal da ABI destinado a celebrar o aniversário da Associação Brasileira de Imprensa. A qual teve boas passagens, mas, ao comemorar um século de existência por meio de seu Jornal, canta em prosa e verso em vez de momentos de puro, independente jornalismo os feitos dos patrões: Marinho, Civita, Frias, Mesquita, Bloch, Chateaubriand, Saad. Com o pronto aval de ilustres intelectuais, partícipes da comissão de honra, e de jornalistas não menos ilustres.

Repito, mansamente: este é o único país que conheço onde os profissionais chamam os patrões de colegas. Quanto à Daslu, no momento da Operação Narciso não faltou quem avisasse: não se iludam, não é a Bastilha.


Mino Carta, 3 de abril de 2009.

Fonte: Carta Capital

De como nós mudamos

Há algum tempo era praticamente natural e quase universal a impressão de que o que não saísse nos jornais não existia.

Hoje somos muitos os que lemos e ouvimos os jornais, e nos parece que o que está dito ali é que não existe.


Jean Scharlau, 18 de março de 2009.

2.4.09

Nasce uma estrela na rede Fox News

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O nome é Glenn Beck (foto de Nicholas Roberts para o New York Times). Chamei atenção para ele antes, duas vezes, neste blog. Primeiro, em setembro, quando estava no canal Headline News, da CNN, e entrevistou Sarah Palin. Depois, a 25 de fevereiro, citei a contratação dele pela Fox News, onde criou em seu programa um quadro fixo, diário, sobre o governo Obama: The Road to Socialism (A Rota para o Socialismo).

nyt_090330Nos dias, semanas, meses e anos que se seguiram ao 11 de setembro de 2001, a Fox News - do império de mídia do magnata australiano Rupert Murdoch - funcionou como uma espécie de fonte irradiadora de um terrorismo oficial patrioteiro, que ao mesmo tempo glorificava a figura do presidente George W. Bush como herói combatente de três guerras, uma delas meramente metafórica.

A guerra de mentirinha - ou marca de fantasia - consagrada na expressão bushista global war on terror (guerra global ao terrorismo), ou na sigla GWOT (leia mais AQUI), conviveu com as duas de verdade - a do Afeganistão, hoje agravada e deteriorada, e a do Iraque, resultante da invasão ilegal seguida de ocupação, em desafio aberto à Carta das Nações Unidas, onde o Conselho de Segurança negara apoio à aventura.

Para desespero do presidente Bush e seu onipresente gênio do mal, o vice Dick Cheney, uma das primeiras decisões do presidente Barack Obama, primeiro negro na história a chegar à Casa Branca, consistiu em “desencantar” a guerra da fantasia bushista - enquanto, paralelamente, reforçava as tropas no Afeganistão e abreviava o prazo para a retirada dos soldados que ainda permanecem no Iraque.

O rumo “socialista” de Obama

Um problema incômodo para o novo governo, no entanto, é a sobrevivência nos EUA da barulhenta máquina de informação - ou desinformação - manipulada antes pelo governo Bush para “defender o país do terrorismo”. Nela atua, incansável, o grupo neoconservador que produzira a ficção bélica e comandara a campanha contra o Iraque. Pois agora esses neocons reciclam o terrorismo - mas contra o governo.

A Fox News de Murdoch mantém esse terrorismo no ar, das primeiras horas do dia até o final da noite. Da mesma forma como nos anos Bush aterrorizava as pessoas contra as poucas vozes da oposição que ousavam expor violações das liberdades civis nos EUA, prática e terceirização da tortura em Guantánamo e nas prisões secretas da CIA espalhadas pelo mundo, agora vê comunismo no governo.

foxnation_040109Na nova fase, reciclada, do terrorismo pos-11/9, patrioteiro, cujo alvo central passou a ser o próprio governo, estão alguns dos mesmos combatentes retóricos inflamados do período bushista, do campeão de audiência Bill O’Reilly, que nega ser ideológico, ao vorazmente ideológico Sean Hannity, que se livrou do incômodo penduricalho liberal Alan Colmes. E eles ganharam um reforço de peso: Glenn Beck.

Beck não assusta por ser louríssimo e de olhos azuis. Apavora pela aparência de charlatão sem escrúpulos, capaz de qualquer excesso exibicionista. Se necessário, chora. Derrama lágrimas abundantes, verdadeiras. Enquanto a Fox News criou uma Fox Nation (Nação Fox - conheça AQUI a webpage e veja acima a foice e o martelo que ontem ilustrava entrevista na qual um deputado republicano dizia que os EUA estão virando uma noa URSS), ele lançou seu próprio “Projeto 12 de Setembro” - esforço explícito para reviver a histeria que se seguiu ao terrorismo de 11/9 (saiba mais sobre o projeto AQUI).

O terrorismo e a raiva conservadora

É difícil adivinhar aonde isso tudo vai parar. Os indícios são de que se pretende, tirando partido da incerteza trazida pela crise econômica, legado da dupla Bush-Cheney, produzir certo populismo, apoiado nos setores pos-11/9 mais histéricos, para um desafio nacional maciço ao governo Obama - retratado como “ameaça comunista” às liberdades, atribuídas ao capitalismo.

beck_nyt_090330Ver tudo isso como mero entretenimento da mídia seria subestimar os resultados já obtidos pela Fox News. O próprio New York Times registrou a 30 de março, na primeira página (veja no alto a primeira página, e ao lado o detalhe da matéria; e leia o texto na íntegra AQUI), que Beck, mesmo na periferia do horário nobre - de 6 às 10 da noite pontificam jornais em rede nacional e talk shows de mais sucesso, como O’Reilly e Hannity - já é uma das vozes poderosas a refletir “a raiva populista conservadora da nação”.

Em período pouco superior a dois meses, o programa de Glenn Beck, no horário ingrato de 5 da tarde, é um fenômeno: atrai 2,3 milhões de telespectadores e supera todos os demais das redes de notícias na TV a cabo, excetuados os de O’Reilly e Hannity no horário nobre (8 e 9 da noite). Segundo o Times, significa uma façanha para a Fox News, que sofrera uma queda na campanha eleitoral.

Beck, como outros donos de talk shows, nega ser jornalista (a profissão parece em baixa junto ao público). Diz que começou como “palhaço de rodeios” e compara-se a Howard Beale, aquele âncora de noticiário de TV no filme Network (Rede de Intrigas). Esse personagem anunciou no ar a intenção de matar-se diante das câmeras, numa reação à queda de audiência de seu programa.

Muitas tea parties como a de Boston

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Como a ameaça de suicídio causa impacto, Beale (interpretado por Peter Finch) ganha um horário para falar de sua revolta (“I’m mad as hell” é o grito de guerra dele) contra o que está errado no país e em sua vida. O “Projeto 12/9″, de Beck, pretende efeito igual. Com ele Beck encoraja pessoas em todo o país a reeditar em sua cidade a tea party de Boston (veja a reprodução acima e saiba mais AQUI), o evento que marcou em 1773 o início da revolução dos colonos contra a Coroa.

O populismo de Beck e Rush Limbaugh, rei do talk show de rádio desde os anos 1990, lembra o do padre católico Charles Coughlin (foto abaixo, à direita), cujo sucesso começou com pregações pelo rádio em 1927.

coughlin_fathercharlesContratado pela CBS em 1930, atraia 40 milhões de ouvintes para suas palestras semanais, que no início exaltavam o New Deal de Roosevelt e depois voltaram-se contra o presidente, aderindo ao anti-semitismo e apoiando Hitler e Mussolini (saiba mais AQUI).

O Times definiu Beck no título de sua reportagem como “a louca, apocalíptica e lacrimosa estrela em ascensão da Fox News”. Segundo a reportagem de Brian Stelter e Bill Carter, ele faz uma salada de ultraje, lições baratas de moralismo e visão apocalíptica do futuro. Não por acaso, gente como Beck e Coughlin costumam chegar ao centro do palco em meio a crises como a de 1929 e a de agora.

Haverá casamento de interesses mais perfeito? De um lado o potencial do império Murdoch, com o poder (testado depois do 11/9) de aterrorizar o país. Do outro, o populismo moralista, ultrapatriota, religioso, hipócrita e capaz de atrair a preconceituosa massa conservadora, frustrada com a derrota do Partido Republicano e pronta a acreditar que o complô subterrâneo liderado, da Casa Branca, por Obama vai comunizar o país.

Fonte: Blog do Argemiro Ferreira

24.3.09

PENSamentO úNicO

O jornalista e professor da UFRGS, Wladimir Ungaretti está impedido de tecer comentários - quaisquer que sejam - sobre o trabalho do fotógrafo Ronaldo Bernardi, funcionário do Grupo P-RBS. A determinação é judicial e parte de Bernardi que processa Ungaretti, por este ter contado em seu blog, seu apelido no meio profissional.

Felizmente não haverão editais cínicos nos principais jornais da capital gaúcha, clamando pela liberdade de imprensa, nem mesmo pela liberdade de opinião. Liberdade é colírio.

Wladimir ou Ungaretti, depende da época do interlocutor, produz conteúdos de crítica de mídia, jornalismo, fotojornalismo e história recente. É um professor que continua a aula todo o tempo. Produz duas publicações com turmas da Faculdade de Comunicação da UFRGS e mantém além do blog, uma revista eletrônica, o site Ponto de Vista.

As críticas que produz jamais são de caráter pessoal. Ungaretti reproduz trechos inteiros de diferentes autores, para demonstrar que não está atacando a honra de ninguém, mas desmanchado falácias técnicas que se escondem sobre a fé pública do jornalismo.

Processos infames como este estão virando rotina para os juízes aposentados do departamento jurídico. Uma vez é a revista de viagens do centro do país, que processa o premiado repórter por plágio; depois é o novo repórter que é acusado do mesmo crime, dessa vez por um jornal de circulação nacional. E agora vem essa, o fotógrafo que tem seu apelido profissional revelado processa o jornalista mais velho, com quem ele deveria ter aulas.

Na fronteira do pensamento, Ungaretti é novamente prisioneiro de uma política. Seu exílio é a liberdade.

Fonte: Cel3uma
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TODO NOSSO APOIO AO WU!!!

Sem arrego


Fonte: Coletivo Muralha Rubro Negra

10.3.09

Manifestação põe 'Folha' e 'ditabranda' no devido lugar

Os manifestantes — cerca de 500 pessoas — denunciaram os laços íntimos entre a família Frias, proprietária do jornal, e a ditadura militar (1964-1985). Fizeram mais: renderam homenagens às vítimas dos “anos de chumbo” e rechaçaram o termo “ditabranda”, evocado pela Folha para relativizar o regime totalitário. Eram ex-presos políticos e familiares de vítimas da ditadura, lideranças partidárias, ativistas dos mais diversos movimentos da sociedade civil e de organizações não-governamentais.

Havia até um leitor da Folha, Adilson Sérgio, que não se contentou em mandar mensagens ao jornal, foi à manifestação e pediu a palavra. “Vim aqui em nome de meus filhos e netos, que precisam saber a verdade. Ditadura é ditadura. Ditabranda é a porra”, disparou, indignado.

Antes do ato, a Rua Barão de Limeira já estava tomada por faixas e cartazes que antecipavam o tom do protesto. “Folha, ditabranda nunca existiu. Ditadura nunca mais”, dizia uma das faixas. “De rabo preso com o feitor”, ironizava um cartaz. “‘Ditabranda’? No dos outros é refresco”, enunciava uma mensagem mais audaciosa.

“Com esse ato, queremos estimular a sociedade a sair da afasia, da letargia”, explicou o presidente do MSM, Eduardo Guimarães, antes de ler para o público o manifesto “Pela Justiça e pela Paz no Brasil”. Segundo Eduardo, “depois de 20 anos de ditadura, as pessoas no Brasil têm medo de se manifestar. Mas não podemos ficar quietos”.

“Ditabranda”

O manifesto do MSM cita dois editoriais da Folha. Um deles, assinado por Octávio Frias de Oliveira e publicado em 22 de setembro de 1971, exalta o “governo sério, responsável, respeitável” de Emílio Garrastazu Médici — o mesmo governo que massificou a tortura e a repressão por meio da Operação Bandeirantes (Oban). O texto comemorava ainda um Brasil “de onde a subversão” era “definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa.”

O segundo editorial, de 17 de fevereiro passado, desqualifica o presidente venezuelano Hugo Chávez em favor dos generais-presidentes da ditadura brasileira. “As chamadas ‘ditabrandas’ — caso do Brasil entre 1964 e 1985 — partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

O conceito de “ditabranda”, tão falso quanto uma nota de R$ 3, foi repudiado por centenas leitores da Folha e personalidades como a professora Maria Victória Benevides e o jurista Fábio Konder Comparato. Aos dois em particular, a Folha esgarçou o desaforo, classificando a indignação deles de “cínica e mentirosa”. O ato deste sábado lhes prestou solidariedade.

Uma das presenças mais surpreendentes na manifestação foi a do padre Júlio Lancelotti, alvo recente de calúnia e difamação na grande mídia. “Deixei uma peregrinação porque fiz questão de vir para rezar aqui”, afirmou Lancelotti, que criticou o termo ditabranda — “os mortos morreram do mesmo jeito”. Segundo o padre, “a imprensa nos tortura psicologicamente, estupra a consciência do povo”.

O caso Roque

O advogado criminalista Egmar José de Oliveira, da Comissão Anistia do Ministério da Justiça, contestou a “brandura” do regime militar com o exemplo de duas professoras — uma de Santos, outra do Rio de Janeiro — que foram sequestradas e abusadas pelo regime. Segundo Egmar, um dos próximos objetivos da comissão é investigar quais foram os empresários que ajudaram a bancar a Oban. “Os Frias que se cuidem.”

Ex-presos políticos, como o sindicalista Toshio Kawamura e os jornalistas Celso Lungaretti e Ivan Seixas, fizeram depoimentos emocionantes. “Se foi só ditabranda, onde estão meus companheiros?”, questionou Toshio, aos prantos, citando nomes de diversos militantes mortos pelo regime.

Ivan relatou uma das mais marcantes demonstrações de colaboracionismo da família Frias. Em 1971, ele e o pai — o metalúrgico Joaquim Alencar de Seixas, conhecido como Roque — foram presos e torturados no DOI-Codi. Na madrugada de 17 de abril, durante um “passeio” com policiais, Ivan conseguiu avistar, na capa do jornal Folha da Tarde, a notícia de que seu pai havia morrido.

Quando voltou para a prisão, porém, encontrou Roque ainda vivo, mas prestes a ser morto. O jornal dos Frias sabia de antemão da morte e, a serviço da Oban, precipitou a divulgação. De quebra, o veículo que transportava Ivan no “passeio” era também do grupo Folha.

“Falo aqui em nome de companheiros presos, companheiros torturados, companheiros assassinados, e em nome das pessoas transportadas ou capturadas em emboscadas por carros da Folha”, disse Ivan no ato. “Otavinho (Otávio Frias Filho, atual diretor de redação da Folha de S.Paulo e filho de Octávio Frias de Oliveira) tem algo em comum comigo: nós dois honramos a luta de nossos pais.”

Cerca de 345 pessoas assinaram a lista de presença. Outros tantos passaram em algum momento pelo ato, que começou a receber manifestantes às 9h30 e se estendeu até as 12h30. Apesar disso, um tal de tenente Crisóstomo, da Polícia Militar, estimou o público em “umas 65 pessoas, no máximo 70”. E debochou, rindo: “Mas, se você perguntar para eles, vão falar um milhão”. Um consolo, enfim, para a Folha: havia alguém ali à altura de sua desfaçatez.

De São Paulo,
André Cintra

Fotos: Jailton Garcia

Veja mais fotos da manifestação contra a Folha

Fonte: Vermelho.org, 7 de março de 2009.

RBS está indo longe demais

Produzindo “provas” contra o MST

O jornal Zero Hora produziu hoje mais uma daquelas matérias que serão arquivadas pela banda da direita do Ministério Público estadual. Num futuro próximo, vocês verão que algum promotor da banda da direita do MP/RS usará argumentos e cacoetes ideológicos estampados hoje em ZH. Mais: nas hipotéticas futuras ações diabolizantes do MST constará – como “prova documental” – a matéria de hoje de ZH.

A RBS, em definitivo, está indo longe demais.

Fonte: Diário Gauche , 8 de março de 2009.

Folha: 2 mil cancelamentos de assinatura?

Do blog do Sakamoto:

08/03/2009 - 10:38

Folha reconhece que errou no Caso “Ditabranda”

O jornal Folha de S. Paulo publica na edição deste domingo uma declaração do proprietário e diretor de redação Otavio Frias Filho reconhecendo (finalmente) que o jornal fez besteira quando chamou a última ditadura brasileira de “ditabranda”.

O uso da expressão “ditabranda” em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

No editorial de 17 de fevereiro, a Folha de S. Paulo chamou a última ditadura brasileira (1964-1985) de “ditabranda”. O objetivo era fazer um contraponto entre os regimes da década de 70 e 80 na América Latina e a atual situação na Venezuela. Leitores chiaram (fontes de dentro do jornal dizem que uma onda de cancelamento de assinaturas teria acendido uma luz amarela – fala-se em perdas de até 2 mil assinantes) e até profissionais da casa lamentaram o uso do termo. A Folha também respondeu de forma arrogante aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, que se posicionaram contra o jornal pelo ocorrido em cartas enviadas à redação, o que levou o ombudsman a dizer que faltou cordialidade ao veículo. Um abaixo-assinado circula contra a postura no editorial e já conta com mais de 7 mil adesões.

A declaração de reconhecimento do erro veio acanhada, aparecendo em forma de box na página do ombudsman (A06), longe da página A02 dos editoriais, em que foi publicada o texto que originou essa crise. Além disso, Otavio Frias não ficou na defensiva e atacou:

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, “de joelhos”, a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.

Ontem, uma manifestação em frente ao jornal, na região central de São Paulo, juntou mais de 400 pessoas para protestar contra o editorial do jornal e demonstrar apoio aos professores Comparato e Benevides. É importante ressaltar que a Folha cobriu a manifestação e publicou a íntegra do abaixo-assinado neste domingo.

Tanto a manifestação quanto as declarações do diretor de redação não colocam um ponto final no caso. Mas não vejo utilidade em tentar descobrir se essas declarações surgiram para colocar um fim nos protestos (e em uma evasão de assinantes) ou se foi fruto de uma autocrítica pelo qual a direção do jornal passou. O que importa é que o caso expôs como o maior e mais importante jornal do país conseguiu relativizar a História, sem grandes problemas de consciência até então, com o objetivo de defender um ponto de vista. Mas também mostrou o poder do consumidor de notícia, ao reclamar da atitude do seu fornecedor, e da mobilização pela internet, essencial para que a crítica ao editorial chegasse aonde chegou.

5.3.09

Governo em crise, manchete positiva


As compensações da mídia amiga

Sugestão de pauta para os estudantes de Comunicação Social: investiguem as manchetes positivas do jornal Zero Hora com relação ao governo estadual (como de hoje) e vejam se não coincide com alguma crise – das tantas – pelo qual passa o Piratini sob o comando do yedismo trololó.

Empiricamente se observa que há uma perfeita sincronia entre os vales depressivos das crises tucanas e as manchetes ufanistas, estimulantes e compensatórias da mídia amiga. Manchetes essas, aliás, que nem sempre se revelam como a expressão da verdade - como a de hoje. O benefício da notícia é a própria notícia, como propaganda (enganosa) do Piratini, já que o servidor da segurança pública pouco tem a comemorar com esse reajuste miserável oferecido pelo Executivo.

Fonte: Diário Gauche

2.3.09

Idade Mental: 10 anos

A marca do atrasoDez anos após o massacre midiático contra o Governo Olívio Dutra, Rosane de Oliveira recebeu autorização para escrever no seu blog:
“Foi assim com Olívio Dutra (PT), que mal havia assumido o Palácio Piratini quando enfrentou uma oposição ensandecida e disposta a tirá-lo do cargo. Motivo? Por ter mandado a Ford embora, respondiam.
Como tecnicamente perder um investimento negociado pelo antecessor não é caso para impeachment, os inimigos, liderados pelo advogado Paulo do Couto e Silva, foram à cata de motivos que pudessem ser enquadrados como crime de responsabilidade. Não encontrando, passaram meses fazendo marola com a ameaça. Depois, na CPI da Segurança, que bem poderia ser chamada de CPI do PT, o impeachment voltou a ser invocado pelos adversários de Olívio antes da conclusão dos trabalhos. A CPI pediu indiciamentos a torto e a direito, mas o Ministério Público arquivou tudo.
”

Infelizmente Rosane ainda não conquistou alforria para publicar estas informações nas páginas de Zero Hora.

A demora e o local para fazer um registro, espécie de mea culpa, traduzem as dificuldades do Grupo RBS em sair da cloaca em que se meteu. Na internet não tem boi, portanto, não peçam aos internautas a mesma passividade bovina de boa parcela de gaúchos que engole a seco todas as mentiras da RBS. A internet não perdoa, registra o presente sem esquecer do passado. Nos blogs, não precisamos de autorização de ninguém para desmascarar essa mídia mascarada e golpista. Não vivemos a cabresto, nem somos patrocinados por mensalinhos...(Quer saber mais sobre isso, então não pergunte ao Políbio Braga!)

A PAZ da RBS é a dos sepulcros
O que chama a atenção no registro da colonista da RBS é o momento em que vem a público dizer o que até o reino mineral já sabia: que a RBS e a parte mais atrasada do empresariado e da política gaúcha sabiam que Olívio estava fazendo um governo verdadeiramente revolucionário. Olívio tocou nos pontos nevrálgicos da segurança pública. Apontou o jogo maçônico tanto da polícia quanto do Tribunal de Justiça. Se Bisol fosse o culpado pelos problemas de violência, com sua saída deveríamos estar vivendo dias melhores. Mas não foi isso que aconteceu. Pior, à violência das ruas somou-e a violência institucionalizada, sob orientação da Governadora Yeda. Ela escolheu o Coronel Mendes, não para prender um réu confesso como César Busatto, mas para bater em pobre. Se não fosse a Polícia Federal alguém acredita que a Secretaria de Segurança Pública do Governo Yeda teria feito alguma denúncia contra os larápios do DETRAN?
A gravação divulgada por Paulo Feijó mostra quem foram e continuam sendo os sanguessugas das instituições públicas como DETRAN, BANRISUL, DAER. Deu nome e sobrenome, endereço e idade, partido e cargo, mas a RBS não mexeu um lápis para ajudar a esclarecer. Pelo contrário, perfilou-se ao lado dos larápios e deles não desgruda.

O que a tropa de chegue da Yeda, na política e na mídia, não se dá conta, é que no Governo Olívio, as denúncias foram construídas num consórcio encabeçado pela RBS e pelo que existe de mais retrógrado no RS. Ressurgiu agora com força o que, na época, registrei como Marcarthismo Gaudério em artigo publicado na Agência Carta Maior.
As denúncias envolvendo os larápios do DETRAN e o modus operandi do Governo Yeda não partiram de nenhum partido político da oposição, muito menos do PT. Aliás, o PT está calado demais para meu gosto. Calado e apanhando de graça. Parece até mulher de delegado.
O que deixa os áulicos e a turma da RBS desnorteados é que a descoberta da maior falcatrua registrada na administração pública do Rio Grande do Sul se deve ao trabalho irretocável da Polícia Federal, e à capacidade profissional e técnica da Juíza Federal de Santa Maria, Dra. Simone Barbisan Fortes, uma jovem especialista em Previdência Social.
Como Yeda & RBS não podem se voltar contra o trabalho da Justiça Federal, voltam-se contra quem quer ver tudo bem esclarecido: os honestos. Querer paz, neste caso, significa jogar lixo para debaixo do tapete, uma especialidade do Grupo RBS e sua base política na Assembléia.
Relações Umbilicais
Não nos esqueçamos que tudo o que Yeda está pondo
em prática aprendeu nos corredores da RBS.















Fonte: Ficha Corrida

Blogueiros gaúchos têm razão: RBS é a pior do Brasil

Mas a concorrência é grande. E esforçada. Repare:

Anteontem, o PSOL gaúcho convocou uma coletiva para denunciar um grande esquema de corrupção, desvio de verbas públicas, caixa 2, envolvendo membros do governo tucano, inclusive a governadora Yeda Crusius. Como a matéria foi repercutida na chamada grande imprensa, mostrei aqui ontem - Yeda Crusius: ‘Por 100 mil eu não me levanto da cadeira’.

Hoje, a farra continua. A editora-executiva do jornal Zero Hora, Rosane de Oliveira, em seu blog...(Licença para um parágrafo entre parênteses.)

(É um mimo a apresentação da Rosane – que, relembro, é editora-executiva do Zero Hora – feita por um outro jornalista da casa: "A Rosane de Oliveira é a abelha-rainha do jornalismo político. Ela passa o dia depurando sua colmeia de informações. O resultado é de um melífluo sabor para seus leitores, que confiam que tudo o que ela escreve é a síntese de todos os fatos políticos importantes.")

Voltando à abelha-rainha. Ela hoje volta ao assunto em nova postagem, Reações diferentes. E já começa chamando assim as graves acusações feitas pelo PSOL: “Embora a lama jogada no ventilador pelo PSOL...”. Não, abelha, o PSOL não jogou, ele denunciou a lama, o que é coisa bem diferente.

Por falar em diferente, o título da postagem de Rosane se refere ao comportamento distinto de dois dos personagens envolvidos nas denúncias. O ex-secretário da Fazenda Aod Cunha entrou na Justiça para exigir que o PSOL prove o que diz contra ele ou se retrate. No que faz bem. Já a governadora Yeda...

Em vez de procurar a Justiça, Yeda Crusius optou pelo embate verbal. (...) Em entrevista ao repórter Elder Ogliari, da Agência Estado, disse que a deputada Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas não têm credibilidade e "não podem convocar a imprensa para fazer dela massa de manobra para os propósitos golpistas que sabidamente têm".

Lá pelas tantas, o repórter pergunta por que ela não exige que o PSOL apresente provas. Resposta de Yeda:

– Exigir provas? Eles devem exigir de si próprios. Minha mãe me ensinou a não responder a provocações de bêbados de porta de bar. O nível do fazer política no Rio Grande do Sul é altíssimo. Não merece esse tipo de provocação.

E o que pensa a abelha-rainha, após “passar o dia depurando sua colméia de informações”, das reações diferentes? Afinal, a governadora foi acusada de levar dinheiro por fora para comprar um apartamento e de ter recusado 100 mil por mês, porque seria pouco, o que a teria feito pronunciar a já famosa sentença: “Por 100 mil não me levanto da cadeira”. Eis o que pensa Rosane:

São duas maneiras diferentes de encarar a situação. Acostumada aos ataques da oposição, Yeda não se abalou como Aod...

Ou seja, errado é quem fica abalado e pede provas a quem o chama de corrupto, já Yeda não se abalou, porque está acostumada aos ataques da oposição... É uma mulher equilibrada, que não se abala com palavras vazias, coisa de oposicionista que não tem o que fazer.

A entrevista ao Estadão

Fui então ao Estadão ler a tal entrevista da governadora ao repórter Elder Ogliari. Foi outro choque. Repare como ele abre a entrevista [destaques meus]:

Bem no início daquele que se anuncia como o melhor ano de sua gestão, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, está no centro de mais uma onda de denúncias políticas, feitas pelo PSOL e atribuídas a provas que estariam no processo que vai julgar os réus do desvio de R$ 40 milhões dos Detran/RS entre 2003 e 2007. Em vez de falar do equilíbrio fiscal, atingido no ano passado, e dos investimentos de R$ 2,3 bilhões que o Estado fará neste ano, com recursos próprios, a governadora foi colocada novamente na defensiva. Mesmo sem ter as provas que diz existirem à mão, o PSOL afirmou...

Parece porta-voz da governadora. Mas isso não é tudo. No segundo parágrafo, ele prossegue:

Yeda está mais tranquila porque as provas do que o PSOL diz não apareceram. Por isso, limitou-se a responder à acusação por uma nota na qual salientou que o Ministério Público Federal já desmentiu as declarações do PSOL e vem evitando o assunto, preferindo se ocupar da elaboração dos contratos de gestão que seus secretários terão de assinar a partir deste ano, se comprometendo com metas de desempenho.

E por aí vai...

Já no Rio de Janeiro, O Globo... bem, novamente O Globo não deu uma linha sequer sobre o assunto.

Por isso disse que concordo com os blogueiros gaúchos quando afirmam que a RBS é a pior do Brasil. Mas a concorrência é dura. E esforçada. Mesmo quando o esforço é não fazer nada, como O Globo com seu silêncio.

Fonte: Blog do Mello

1.3.09

Desespero na redação da RBS?

Acabamos de ler, no blog RSurgente, a manifestação de Marlize Machry Bins a respeito de um post da abelhinha Rosane de Oliveira, intitulado "Impeachman não é aspirina". Bins recomenda o uso de FOSFOSOL para ativar a memória da abelhinha, pois a oposição ferrenha que o Grupo RBS promoveu durante o Governo Olívio Dutra [PT, 1999/2002] foi omitido do texto em questão.

No nosso entendimento, essa é mais uma resposta da RBS frente à pressão popular. O que é isso, surgir, agora, pela voz da Rosane de Oliveira, o reconhecimento de que houve "oposição ensandecida" durante o Governo Olívio Dutra do PT?!?!?

Esquece também o grupelho, que só engambela o seu leitor e/ou assinante desavisado. Para os que pressionam [leitores ou não], para os que apontam a sua partidarização em prol de todos os governos corruptos do RS, desde a ditadura, fica a certeza do quanto esta gente é flor de sem-vergonha!!!!

Cada vez mais o Grupo RBS se expõe rumo ao descrédito total! Com quem a Rosane de Oliveira e a Família Sirotsky que a emprega pensam que estão lidando? A saraivada de críticas que a abelhinha levou naquele post "Eu recomendo", referente ao artigo do Alabarse, recomendaria mais prudência! Afinal, parte da população já identificou o alinhamento incondicional da RBS com o desgoverno Yeda Crusius [PSDB] e não será um textinho sem-vergonha, como esse, que irá "redimir" a empresa detentora de monopólio midiático frente a esse público.

Ou estará batendo o desespero na redação, onde o bom senso, a racionalidade, e a calma, em situação de estresse*, são solenemente ignorados? Devem estar acontecendo cancelamentos de assinaturas da Zerolândia em massa...

Alguém teria essa informação???


*Tentem imaginar o desespero dos passageiros, naquele pouso forçado no Rio Hudson em NY, no qual não houve vítimas, graças à ação coordenada dos esforços, evitando o pânico que os levaria ao desastre.

Fonte: Dialógico

27.2.09

Caso Sarney escancara ausência de controle sobre coronelismo eletrônico


Henrique Costa – Observatório do Direito à Comunicação*
20.02.2009

Ex-presidente da República, parlamentar mais antigo em atividade (sua primeira eleição para deputado federal foi em 1955), em sua terceira gestão à frente do Congresso Nacional cujo triunfo recente foi caracterizado pela revista britânica The Economist como “uma vitória do semi-feudalismo”. José Sarney (PMDB-AP), 79, acaba de agregar ao currículo uma peça das mais curiosas, mais contestada fora do Brasil do que pela imprensa nativa. E não se trata de sua nova velha eleição à presidência do Senado Federal, mas do registro policial de uma prática conhecida, porém alvo de vista-grossa das autoridades competentes: o uso de concessões de rádio e TV para a defesa de interesses políticos particulares.

“Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido” é a ordem que o senador dá a seu filho Fernando, que comanda a TV Mirante, afiliada da Rede Globo no Maranhão. O que o filho deveria colocar na TV é uma informação que ligaria o filho de Aderson Lago, primo do governador Jackson Lago e chefe da Casa Civil do governo estadual, a um esquema de desvio de verbas públicas. A conversa entre os dois foi publicada pela Folha de S. Paulo no último dia 9 e surgiu em escutas legais da Polícia Federal, que investiga movimentações financeiras feitas pela família Sarney durante a eleição de 2006.

Nesta eleição, Lago derrotou a filha de Sarney, Roseana. Agora, o atual governador enfrenta um processo de cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Com exceção da desfaçatez da confissão do senador, o fato de o clã Sarney não poupar sua concessão pública de TV na guerra com o governador Jackson Lago e seu primo poderia ser considerada quase como não novidade.

O “imortal” José Sarney detém concessões de rádio e TV por todo o Maranhão, além de jornais impressos. Em um dos estados mais pobres da federação, seu poder político atravessa décadas, sustentado tanto pelo poder econômico, quanto pela influência simbólica exercida através do controle de tantos veículos de comunicação.

Nesse contexto, o quase monopólio da informação se converte no que alguns especialistas da área de comunicação classificam como “coronelismo eletrônico”. “De modo geral, é a posse direta dos meios de comunicação e seu uso para fins políticos, assim como a posse da terra. O conceito transfere para os meios de comunicação o que existe em relação ao latifúndio”, explica Cristiano Aguiar Lopes, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e consultor legislativo da Câmara dos Deputados.

A materialização disto pode ser observada através da descrição do professor Francisco Gonçalves, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão. Segundo ele, existe no caso dos meios de comunicação, uma estrutura patrimonialista, que ganha particularidades no estado “uma vez que este modelo é utilizado [no MA] para negar a voz a determinados segmentos da sociedade, contrários a determinadas posições do grupo e/ou que fazem oposição política”.

“É preciso lembrar que este não é um problema que ocorre apenas no campo do sarneísmo”, lembra Gonçalves. “No caso específico do Maranhão, os coronéis eletrônicos se dividiram: uma parte está com o atual governo, outra com a oposição. Acontece que a maioria está na oposição.”

Dono do mundo

Lopes acredita que, no caso dos Sarney, a utilização política dos meios de comunicação serviu mais para reforçar um domínio que já existia, do que para construí-lo. Família de grande influência, o clã estabeleceu seu poder midiático em uma época onde não havia critérios para a concessão de outorgas.

“No inicio, era preciso ter um capital bastante expressivo, sobretudo no caso da TV. Além de influência, é preciso dinheiro” explica. “Quando começa a haver licitação [na segunda metade da década de 90] para a distribuição de outorgas, faz-se uma média ponderada entres os aspectos técnico e financeiro.” Contudo, é evidente que para atender aos critérios técnicos, o poder econômico se torna um argumento bastante convincente.

Como ocorre em vários outros estados, não é apenas através de suas próprias concessões que a família Sarney controla a mídia maranhense. Segundo Gonçalves, é preciso avaliar que além do controle familiar sobre o Sistema Mirante, existe todo um grupo político que o cerca e que controla outros veículos, além das retransmissoras de TV no interior afiliadas à rede dos Sarney. Isso aumenta significativamente seu poder de influência. “Basta lembrar que o segundo maior grupo de mídia do estado é da família do atual ministro de Minas e Energia [Edson Lobão], cujo filho, administrador do grupo, era o seu suplente de senador e que assumiu a vaga dele recentemente.”

Legislação permissiva

Não existe, no entanto, na legislação vigente sobre o tema, nada que proíba expressamente que um concessionário utilize sua outorga para uso político. É uma falha grave e uma demonstração da discricionariedade com que os legisladores têm tratado o tema ao longo dos anos. Enquanto não há ressalvas para os radiodifusores comerciais, a Lei 9612/98, que regula a radiodifusão comunitária, é explicita na vedação a qualquer tipo de proselitismo político ou religioso.

A Constituição Federal, por sua vez, proíbe que parlamentares detenham concessões, o que também é largamente desrespeitado. Segundo estudo da pesquisadora Suzy dos Santos, apenas no Maranhão, cerca de 70% das geradoras e 60% das retransmissoras são controladas por políticos. Todas as afiliadas à Rede Globo estão nesta situação.

“É uma situação imoral, mas é difícil enquadrar como ilegal, porque o sistema permite”, lamenta Lopes. “Há um debate e o Ministério das Comunicações tem um entendimento bastante sui generis: não pode ser diretor, mas pode ser dono.” É esta infinidade de interpretações que perpetua um sistema arcaico, em que também são exemplos Inocêncio de Oliveira em Pernambuco, Paulo Otávio no Distrito Federal e o espólio de Antônio Carlos Magalhães na Bahia, entre tantos outros casos.

“O modo de impedir esta situação seria restringir [o controle de concessões] para que tem mandato eletivo, além de democratizar as comunicações, através das rádios comunitárias, por exemplo”, afirma Lopes.

* Colaborou Luciano Nascimento, para o Observatório do Direito à Comunicação.


Visite também a página Donos da Mídia.

17.2.09

Cui prodest?














Quem sustenta a "face da corrupção"?

Não nos esqueçamos, Yeda chegou lá por mãos alheias, às quais paga tributo. Quid prodest? O que interessa é quem dá sustentação ao governo Yeda e as razões disso. As razões respondem à pergunta latina: Cui prodest? A quem interessa a existência da "face da corrupção" no comandando do maior orçamento do RS? Óbvio, os que dela (Yeda) e dele (orçamento) podem auferir lucros! E quem fica com o maior quinhão? A RBS! Duvida, então pense em quantos veículos a RBS dispõe em todo o RS - 80% da mídia gaúcha é explorada pela RBS. E em todos os veículos da RBS há sempre algum órgão público patrocinando algo. Para refrescar a memória, enquanto o DETRAN enfrentava uma auditoria arrasa quarteirão, o mesmo órgão patrocinava vários veículos da RBS. A influência disso podia ser constatada diariamente na Zero Hora. Ninguém lia que alguém era responsável pelo roubo de 40 milhões. Pasmem, o ladrão era... o DETRAN. Não entendeu? Então explico: o DETRAN é um órgão público, uma pessoa jurídica. Matavam dois coelhos com uma cajadada: denegriam um órgão público, esporte predileto da RBS, e desviavam o foco dos larápios.
Quando o Chefe da Casa Civil do Governo Yeda, Cesar Busatto, teve seu modus operandi exposto em praça pública pelas gravações do Vice-Governador, a RBS partiu pra cima do vice. Quando Jairo Jorge, eleito prefeito de Canoas pelo PT convidou Cesar Busatto, a RBS aplaudiu. Quando o mesmo prefeito envergonhado descantou o verso, a RBS fez um caderno especial de Domingo, chamando de a Volta da Guerra Fria. Portanto, para a RBS, negar salário público para um notório corruptor é ato de guerra fria. Conclusão: se há corrupção no RS, pode ter certeza, é porque os corruptos contam com o beneplácito da RBS.
Estamos vivendo um dos momentos mais degradantes da política gaúcha, com um governo de marionetes, cujo único objetivo é destruir as instituições públicas e atacar os movimentos sociais. Os resultados estão por aí, estendidos no chão: violência a qualquer hora do dia, dengue, febre amarela e leishmaniose ocupando os espaços deixados pela falta de saúde. Na educação então nem se fala, já que a falta dela é a marca de todos quantos ocupam cargo no atual governo.
E isto tem cara, é a coroa Yeda Crusius, sob patrocínio da RBS.

Fonte: Ficha Corrida

Rede Globo

Denúncia do Blog do Mello faz Globo recuar

Quem disse que a montanha não se move? Para quem ainda duvida do poder de penetração e influência dos blogs, leia esta: após a publicação aqui no Blog do Mello da denúncia do contrato draconiano que as Organizações Globo impunham aos que enviassem fotos, vídeos ou textos para o chamado Eu-Repórter, o termo de adesão foi mudado. A montanha se moveu e corrigiu os absurdos do contrato anterior.

Critiquei fundamentalmente três aspectos. Todos foram modificados. Agora, há até o compromisso de pagamento pelo trabalho (sabe aquele negócio do sistema capitalista de você receber uma remuneração pelo trabalho? Pois é, agora vale no contrato do Eu-Repórter, o que antes não acontecia, era tudo de-grátis). Vou repetir como era e como ficou.

Como era [os grifos são meus]:

3. - Cessão de Direitos - Pelo presente termo, o colaborador devidamente identificado e cadastrado no endereço eletrônico www.oglobo.com.br transfere à Infoglobo, a título gratuito e por prazo indeterminado, os direitos sobre as obras artísticas, fotográficas, audiovisuais e literárias que tenha encaminhado para o Projeto "Eu-Repórter", autorizando a sua utilização e reprodução, total ou parcial, em qualquer mídia ou meio físico, visual ou sonoro, inclusive eletrônico, cabo, fibra ótica, satélite, ondas e quaisquer outros existentes ou que venham a existir [querem ganhar até sobre o que ainda não existe!], e compreendendo, exemplificativamente, as seguintes atividades: publicação, comunicação, reprodução, divulgação (inclusive em seus produtos e campanhas de propaganda e de publicidade), oferta a terceiros (inclusive pela internet), exposição, edição, reedição, emissão, transmissão, retransmissão, comercialização, distribuição, circulação, tradução para qualquer idioma (com ou sem legendas), realização de versões e derivações, restauração, revisão, atualização, adaptação, inclusão em produção audiovisual, radiodifusão sonora e visual, exibição audiovisual e por processo análogo, inclusão em base de dados, armazenamento em computador, microfilmagem e demais formas de armazenamento do gênero.

3.1. O colaborador cede e transfere à Infoglobo, em caráter exclusivo, definitivo, irrevogável, irretratável e sem qualquer ônus, todo e qualquer direito patrimonial de autor relativo ao material encaminhado ao Projeto "Eu-Repórter", para utilização em território nacional e no exterior, concordando com que a obra cuja titularidade declara deter seja utilizada em associação com outros textos, títulos, documentos, gráficos e demais materiais de propriedade da Infoglobo, sendo possível a alteração do formato de textos, por exemplo, desde que inalterado o conteúdo principal.

3.2. O colaborador concorda e aceita que, em decorrência da cessão de direitos patrimoniais em questão, a Infoglobo transmita a terceiros, do seu grupo econômico ou não, os direitos ora cedidos, por cessão ou concessão, total ou parcialmente, de forma gratuita ou onerosa, mas sempre para as finalidades constantes da cláusula 3 supra.

Agora vem a parte mais incrível do contrato. Repare só:

3.3. A exclusividade de que se investe a Infoglobo será oponível mesmo contra o próprio colaborador, que não poderá reproduzir a obra cedida ao Projeto "Eu-Repórter" por qualquer forma ou a qualquer título, notadamente publicá-las, fornecê-las e comercializá-las a terceiros, a não ser para fins particulares e de caráter não econômico.

Você perde até o direito de publicar aquilo que originalmente era seu, e que deixou de ser, e, portanto, você poderá ter até que pagar para ter acesso a ele.

Como ficou [os grifos continuam sendo meus]:

3.1 Ao remeter conteúdos produzidos pelo USUÁRIO, o mesmo concede uma licença não exclusiva [ou seja, você não perde os direitos sobre seu material, como antes], gratuita, não revogável, global e perpétua à INFOGLOBO, para que a mesma divulgue e/ou exponha tais conteúdos livremente no site O Globo e em veículos de imprensa da INFOGLOBO e/ou das demais empresas que compõem as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO, para quaisquer finalidades, podendo ainda fixá-los e armazená-los em ambientes eletrônicos e/ou quaisquer suportes aptos à gravação e leitura de informações eletrônicas incluindo, mas não se limitando à ambientes na Internet, Intranets, demais redes públicas ou privadas de dados, dispositivos móveis tais como celulares e dispositivos de mão, computadores e aparelhos com capacidade de processamento de informações, mídias físicas como CDs, DVDs, cartões de memória, discos rígidos ou quaisquer outros suportes à informação eletrônica, assim como mídias tradicionais como TV e papel impresso e assemelhados.

3.2 O USUÁRIO igualmente concorda que a INFOGLOBO poderá comercializar com terceiros que não componham as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO os conteúdos que houver submetido ao serviço Eu-Repórter. Nestes casos o USUÁRIO fará jus a um pagamento equivalente à metade do valor de aquisição do conteúdo efetivamente pago pelo terceiro, em até sessenta dias da data de referida transação.

Alguém aí ainda duvida do poder da blogosfera?

Fonte: Blog do Mello

16.2.09

HISTÓRIAS CABELUDAS

Postado em 8/02/2009 por WU

Na postagem anterior registramos que, pelo menos por algum tempo, não continuaríamos priorizando o trabalho de “leitura” de Zerolândia. Atividade que realizamos, diariamente, nos últimos três anos no espaço do blog. E sete anos na revista Pontodevista. Ao circularmos pela cidade, no último sábado, escutamos de quatro pessoas diferentes relatos de situações sobre as quais não poderíamos deixar de realizar um rápido registro. Sem maiores considerações. E poderíamos fazer várias. Relatos que foram se complementando com novos detalhes.
Nos últimos 20 anos, sempre que tenho uma oportunidade digo aos alunos que o jornal “O Estado de São Paulo”, o velho “Estadão”, é uma verdadeira entidade. Reacionário, conservador, de direita, ou qualquer outra denominação que se queira dar a ele, de fato; é um jornal na medida em que não briga com a notícia. Tem a tradição de ter o melhor noticiário internacional. Houve um tempo que possuia correspondentes nas principais cidades do mundo. Jornalistas de nome. Sou, também, do tempo em que se ia até a Praça da Alfândega, nos domingos, para comprar o “Correio do Povo” e o “Estadão”, em grande parte, pelo noticiário de mundo deste útilimo. E, claro, para ver o desfile das gurias na saída do cinemas. Estudantes compravam jornal.
A “entidade O Estado de São Paulo” estaria processando o multimídia Rodrigo Lopes, de Zerolândia, por plágio. Episódio comentado por três pessoas da redação. Esse é o verdadeiro “garoto de outro”, do PRBS. Não é um tosco qualquer. Tem diploma. Não foi feito no corte de ”machado”. Das observações que me foram passados, pelo menos duas delas ricas em detalhes, cabe ainda destacar o fato de que poucos aguentam seus relatos de viagem. O papo é sempre o mesmo: detalhes operacionais e técnicos sobre a “cobertura showrnalística”. Nada de impressões jornalísticas. Nada sobre a experiência de vida. Segundo estas pessoas uma pobreza total. Algumas não assistem mais. Coisa do tipo não me desgrudei dos equipamentos. É bem diferente de um relato de um Jack London ou de um Mark Twain. Seria querer demais. Parece que o “multimídia internacional” chegou a ser alertado para que não assinasse a matéria. Assinou e não deu outra. Não vamos nem perder nosso tempo comparando os textos publicados pelos dois jornais. Um exercício que poderia ser de demolição, comparativa. Tema para uma monografia acadêmica. Temos colecionado as impressões de viagens do Rodrigo Lopes. A intenção era a de realizarmos um verdadeiro desmonte. Usaríamos como ponto de referência o jornal “O Estadão”, pelas razões já apontadas. Deixamos de lado a idéia. Desistimos já faz algum tempo. Cansa e ao mesmo tempo é como tirar “bala de criança”. Chega uma hora que perde a graça. No entanto, a ação do “Estadão” nos indica que a nossa percepção não tinha como ponto de partida uma posição equívocada. Uma coisa raivosa e acentada em uma atitude preconceituosa. Nada de ranço e arrogância. Não estamos, obviamente, condenando ninguém por antecipação. Não temos este poder. Como jornalista, na função de educador, estamos levantando a discussão sobre informações que correm na categoria. O objetivo é quase que só didático.
Estamos convencidos que temos muitas outras coisas mais importantes na vida do que ficarmos, unicamente, monitorando Zerolândia. Sempre se corre o risco do “emburrecimento”. Mas o registro do enterro de um brigadiano, edição de 07.02.2009, página 34 se comparado a episódios idênticos com as contracapas “Adeus ao filho Soldado” em 10.11.2007; “A herança de um herói”, de 07.06.2006; e “Luto pelo irmão na tropa”, edição de 02.08.2008, possibilitará entendermos o grau de manipulação promovido pelo PRBS. Não vamos nem perder tempo escaneando as imagens para efeito de comparação. O velho Marcos Faerman (Marcão) dizia que jornalista trabalha, permanentemente, fazendo comparações. O “Marcão” nunca processou ninguém por este apelido. Não adquiri esta prática na academia. É perda de tempo. Mas fiquem atentos: a subjetividade violência total está sendo substituída - gradativamente - pela perfumaria total. O camarada Bisol não está nem mais interessado nessa discussão.
Existe ainda uma outra figura, também da redação do PRBS, que tem se apresentado aos colegas como sendo o primeiro repórter promovido pela empresa à condição de multimídia. O que tem provocado um monte de gozações. Motivo de mais piadas. Ninguém acredita que um tosco, com duzentos botões para apertar, possa fazer jornalismo. O cara tem ficado enredado entre máquina fotográfica, câmera de vídeo e o gravador. Só mesmo showrnalismo. Imaginem um homem de Neanderthal apertando botões e teclas. Não vou nem me deter muito para não parecer que estou sempre aumentando a área de atrito. Estamos fazendo de tudo para não esticarmos tanto a corda mas, acreditem, é difícil. O apelido tudo mundo na categoria sabe. Não há nenhum registro de que, em algum momento de nossa trajetória, tenhamos tido por prática o hábito de criar apelidos. Ficamos sabendo, por exemplo, que quando ele vai receber algum prêmio a empresa recomenda que ele não fale. Não abra a boca. Uma coisa não bate com a outra. O cara é promovido a primeiro repórter multimídia do PRBS, segundo ele próprio tem anunciado e, por outro lado, a empresa pede para ele não abrir a boca? A falcatrua tá rolando solta. O advogado de Pontodevista está se dispondo a pagar os custos para a realização de uma perícia (completa) da foto da criança que já nasceu envolta pela bandeira do Brasil.
Existe um sentimento de contrariedade ao realizarmos esta postagem, acreditem. Não era nossa intenção continuarmos, pelo pelo menos por algum tempo, envolvidos com toda a probreza deste universo showrnalístico. É repetitivo. Cansa. É com uma certa tristeza e sensação de perda que fazemos referências a episódios envolvendo ex-alunos. Mas a passagem pela sala de aula sempre deixa pistas. Possibilita termos alguns indicativos.
A carta de “despedida do Mino Carta”, no futuro, será apontada como um marco na história do jornalismo. Tenho absoluta convicção de que será uma linha divisória. Zerolândia deu uma “notinha” (página 10/edição de 07.02.2009), evidenciando o fato de que ele teria dito estar “decepcionado com os rumos do governo Lula”, frase que destacada do contexto agrada ao PRBS, deixando de lado “minha crença no jornalismo faliu.” Afirmação que se feita por nós não teria grande significado. Temos dito que JORNALISMO é subversão. E o que aí está é perfumaria, secos e molhados. Torcemos para que ele não fique muito tempo afastado.
Zerolândia, em contrapartida, é a expressão deste quadro de falências. Faz o pior jornalismo do país. É um lixão. Podemos viver sem ela. Eu leio por obrigação. Em alguns momentos fico irritado. Algumas vezes tenho vontade de vomitar. Tenho, sempre, a certeza de que luta de classes existe. Na atualidade estou achando tudo muito tragicômico. Também, no sábado, um velho jornalista linha de frente, da década de 70 até os dias atuais, nos disse que deixou de ler Zerolândia está fazendo uns dois anos. E não sente a mínima falta. Faz muito tempo que o ensino de jornalismo faliu. É o ensino da covardia. O Carlos Wagner de tão em cima do muro, em relação ao MST, vai ser santificado. O apelido toda a categoria sabe. E tudo indica que a crise está pegando feio. Não tenho celular. Podem discar para o fixo e evitem as filas. Empresas multimídia economizam na conta telefônica. Mas principalmente no salário.
Vou continuar tentando ficar longe deste tipo de postagem. Fico sempre na torcida para que não me relatem estas “histórias cabeludas”. O PRBS perdeu a noção do ridículo. É um saco ter que escrever pedindo tantas desculpas por pensar. Não tenho mais nada a dizer. Muitos integrantes da GrupoLânDIA são, de fato, do mal. Quero o máximo de distância.
Chega. E no entanto não posso fazer nada. Respiro JORNALISMO.

@@@@@@@@@@ esta é a primeria versão do texto. Um rascunho. Deveremos realizar ajustes, acréscimos e uma revisão.
Fonte: Blog Ponto de Vista

15.2.09

Sobre monopólios midiáticos

A manutenção do mais terrível
e desastroso governo
que o RS já teve
só é possível por causa do monopólio midiático
em moldes medievais.


Ary, em comentário no RSurgente, sobre o processo criminal que a Governadora Yeda Crusius irá mover contra os sindicatos que bancaram a campanha "Conheça a face da destruição do RS".

13.2.09

Lula abre fogo contra a grande mídia


Diante de quase 5 mil prefeitos o presidente Lula fez uma desabafo na frente de 5 mil prefeitos e prefeitas. Visivelmente irritado, Lula torpedeou a grande mídia, que condenou o governo por promover o primeiro encontro de prefeitos e prefeitas, dando a entender que o objetivo do evento foi articulado para beneficiar Dilma Rousseff. Lula disse : "disseram que este ato eu ia fazer o pacote da bondade e que o presidente vai dar dinheiro para prefeito bandido. Como é fácil julgar as pessoas. Não deram nem sequer a oportunidade para vocês [prefeitos] mostrarem que não são os ladrões que escrevem que vocês são." Lula também sentou a ripa em FHC dizendo que os prefeitos e prefeitas antigamente eram recebidos com cassetete e cachorros em Brasília e agora são recebidos como estrelas, como verdadeiros protagonistas. Lula valorizou a figura dos prefeitos e o trabalho desenvolvido por eles nas suas comunidades, aumentando a participação dos municípios. Lula também destacou os avanços e a democratizando serviços federais, facilitando a vida dos prefeitos e impedindo atravessadores de verba pública. Tenho certeza que Lula marcou um golaço ao defender os prefeitos, no entanto, Paulo Ziulkoski, presidente da CNM (Confederação Nacional de Municípios), foi deselegante com Lula, descarregando cobranças e exigências por mais recursos Federais e menos tributação. Lula foi elegante ao dizer que "nunca na história desse país" ahaha os prefeitos e prefeitas foram tão valorizados e respeitados e que dinheiro todo mundo quer, mas na hora de pagar impostos os ricos não querem pagar nada e mobilizam mundos e fundos contra os governos para se livrar da tributação enquanto que os pobres pagam a conta.

Fonte: Tomando na Cuia Reload

9.2.09

Conferência Nacional de Comunicação começa a ser delineada

Fonte: FNDC
Por Candice Cresqui* - FNDC - 08/02/2009

Começa a tomar forma a primeira Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica dos movimentos pela democratização da comunicação. Na última sexta-feira (6), a Comissão Nacional Pró-Conferência deliberou quais entidades serão indicadas para integrar a organização do evento. Entre elas está o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), um dos principais atores na mobilização pela Conferência. a nominata será apresentada na próxima terça-feira (10) em reunião com o Ministério das Comunicações (Minicom).

Além do FNDC serão indicados o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitárias (Abraço), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Coletivo Intervozes de Comunicação, a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert) e o Movimento Negro Unificado, entre outras entidades**. A Comissão irá sugerir como tema central para o debate na Conferência a idéia de que “as comunicações são meios para a construção dos direitos e da cidadania”.

A realização da Conferência está prevista para os dias primeiro, dois e três de dezembro de 2009. As fases municipais serão feitas até 22 de junho e as etapas estaduais de 30 de junho a 15 de setembro. Até outubro serão sistematizadas as propostas**. O Executivo comprometeu-se em publicar ainda neste mês o decreto convocando a Conferência e a portaria que designará a Comissão Organizadora. A data escolhida para a Conferência refere-se ao Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação, realizado no ano passado (leia aqui), e aos dois anos de implantação das TVs Pública e Digital no Brasil.

A definição do cronograma foi feita na última terça-feira (3) quando representantes da Comissão Nacional Pró-Conferência reuniram-se com André Barbosa, Assessor da Casa Civil para assuntos de Ciência e Tecnologia, Marcelo Bechara, Assessor Jurídico do Minicom, Gerson Luiz de Almeida Silva, secretário Nacional de Articulação Social da Presidência, Diogo Santana, assessor da Casa Civil e Sylvio Kelsen Coelho, assessor da Secretaria de Comunicação Social. Participaram ainda a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), Jeronimo Guedes, representando o deputado Walter Pinheiro (PT-BA); Márcio Araújo, assessor da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e Luiz Liñares, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI). A confirmação da Conferência foi feita pelo Presidente Lula, durante o Fórum Social Mundial, em Belém.

Para Roseli Goffman, Coordenadora de Mobilização da Executiva do FNDC e representante do Fórum e do CFP na Comissão Pró-Conferência, o próximo passo é buscar junto ao Executivo “que a Comissão Organizadora seja plural e democrática para garantir esse caráter também à Conferência”. O FNDC defende a realização de uma Conferência tripartite, com a participação da sociedade e movimentos sociais, das empresas de comunicação e do Executivo.


Confirmação mobiliza FNDC

A confirmação da Conferência determinou mobilização das entidades nacionais e comitê regionais integrantes do FNDC, que se movimentam para defender um formato democrático. Conforme o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sérgio Murillo, a convocação resulta da pressão dos movimentos sociais que, apesar da ambigüidade do governo e da clara contrariedade de alguns setores, lutam por ela há muito tempo.

Ele destaca a atuação do FNDC nessa mobilização e espera que a Conferência siga os moldes propostos pelo Fórum, conforme apontam as resoluções da última Plenária da entidade (confira aqui). O ponto central, segundo ele, deve ser o envolvimento de toda sociedade para a construção de políticas públicas de comunicação. “Normalmente, esse debate é controlado por setores burocráticos do governo, pelo empresariado e pelo parlamento com participação bastante reduzida. A grande novidade é que a Conferência pode assegurar nessa discussão a participação social”, afirma.

Coordenadora do Comitê Regional do Rio Grande do Sul, a pedagoga Cláudia Cardoso, se disse surpresa com o anúncio da Conferência. “Mas uma surpresa muito agradável. Acho que realmente o presidente Lula ouviu o clamor da sociedade. Fomos ouvidos, depois de quase dois anos de reuniões, de debates”, afirma.

Cláudia espera ver na Conferência o debate sobre uma nova comunicação, abordando todas as transformações que o setor vem passando nos últimos 15 anos. “Se a gente conseguir debater isso, mostrar como a nossa legislação é anacrônica, atrasada, e tentar atualizá-la, sairemos felizes. Precisamos mostrar novos caminhos, um novo marco regulatório, um novo marco filosófico da comunicação no país, privilegiando a informação como um direito”, defende.

Segundo a Coordenadora, o Comitê gaúcho deve realizar encontros e seminários preparatórios para a Conferência. “O FNDC tem conhecimento, tem história, tem acúmulo para mostrar porque temos que discutir comunicação, qual é a importância dela no dia-a-dia das pessoas, o que ela define, o que ela não define. O FNDC pode oferecer para a sociedade brasileira uma discussão qualificada de porque discutir comunicação no país”, afirma.

Reconhecer o processo em curso

Na opinião de Rosane Bertotti, Secretária Nacional de comunicação da CUT, a realização da Conferência representa “uma conquista da nossa capacidade de argumentação e negociação. A partir do momento que o governo Lula diz que vai chamar a Conferência ele está reconhecendo a luta dos movimentos sociais”. Para ela, é preciso reconhecer o processo já construído e tê-lo como subsídio.

“A Conferência tem como tarefa fazer uma analise geral da realidade da comunicação no país, e a partir daí, produzir novas propostas, novas políticas públicas e reformular o marco regulatório das comunicações”, sustenta. Rosane ressalta ainda a importância do envolvimento dos governos municipais e estaduais para garantir o caráter democrático e massivo da Conferência. De acordo com a sindicalista, a CUT pretende fazer um grande debate sobre comunicação com os seus sindicatos.

A necessária participação dos setores público, privado e estatal no âmbito da comunicação também é destacada por Jonicael Cedraz, coordenador do Comitê FNDC da Bahia. “Vamos sentar juntos, os representantes dos poderes legislativo, executivo, os empresários e o nosso campo da sociedade civil para definir como garantir à sociedade brasileira, nos seus diferenciais, nos seus limites e contradições, práticas de comunicação democráticas”, observa.

Para Jonicael, a Conferência deve ter como foco principal a formulação de um novo marco regulatório, mas para isso também deve garantir que campos como o da educação sejam representados. “Devemos pensar a realidade brasileira, pensar a comunicação como uma forma de contribuir para a democracia em todos os meios”. O Coordenador baiano destaca a experiência do seu estado, que realizou uma conferência estadual de comunicação (leia aqui) como um momento importante no país. No entanto, salienta que ela não deve ser tomada como base para a Conferência Nacional, pois, além de ter tido um caráter estritamente regional, “os movimentos sociais foram secundarizados nas discussões”. A Bahia deverá produzir novamente debates municipais e estaduais para se inserir na etapa nacional.

Participação de setores discriminados

De acordo com Sheila Tinoco , coordenadora de Comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), a Conferência responde ao clamor das entidades identificadas com a luta pela por uma comunicação mais democrática, tanto as diretamente ligadas ao setor como aquelas que incorporaram em suas pautas a importância da comunicação para construção de uma sociedade democrática. Para a Fenajufe, é fundamental também a participação de setores discriminados na sociedade, como negros, homoafetivos, mulheres, portadores de deficiências, trabalhadores sem-terras, sem-teto, entre outros.

Como informa a coordenadora, a Fenajufe tem mobilizado seus sindicatos para a realização da Conferência. A entidade realizou no ano passado um encontro nacional sobre comunicação, firmando como resolução participar na luta nos âmbitos nacional e estaduais.

Lidyane Ponciano, Coordenadora do Comitê mineiro do FNDC, ressalta que pela primeira vez a comunicação ganha destaque na agenda política nacional. Mas ressalva que este é apenas o primeiro passo. “São muitos os gargalos a tratar na Conferência e sabemos que os avanços serão a passos lentos, mas pelo menos agora temos um espaço legítimo de discussão”. A jornalista salienta a importância de debater a democratização do conteúdo dos meios de comunicação. “O conteúdo deve ser construído com a participação da sociedade. Temos o direito de opinar sobre qual conteúdo queremos ter acesso, quem será o responsável por esse conteúdo e como ele chegará aos nossos lares”, diz.

Em Santa Catarina, Natércia Magaldi, que coordena o Comitê catarinense do FNDC, vê o anúncio como um grande avanço. Para a psicóloga, a primeira conferência sobre comunicação evidenciará o quão fundamental é para a democracia o direito à diferença, e às mais diversas fontes de informação.

*Com Fabiana Reinholtz

**Grifos nossos.

8.2.09

Saldão da RBS: Compre um telejornal e leve a Rede inteira


Negociação de mídia do conglomerado gaúcho com anunciante inclui "reportagens" em TV, rádios e jornais



Conforme este Cloaca News já demonstrou em 06/12 último (clique aqui para reler), o grupo RBS é useiro e vezeiro em praticar o jornalismo-michê para quem se dispuser a pagar por uma reportagem-boquete. Agora, o maior grupo de comunicação do Sul do país - e um dos quatro maiores do Brasil - inova ao lançar um inacreditável pacotão, envolvendo praticamente todos os seus veículos, eletrônicos e impressos. Se, antes, vendiam o espaço editorial "apenas" do Jornal do Almoço, pela RBS TV (afiliada da Globo), agora resolveram verticalizar a bandalheira.
Há uma semana, um importante evento no interior gaúcho, ligado a um expressivo setor da indústria brasileira, fechou um inédito contrato para exibição de "matérias jornalísticas", por um precinho promocional. Na baciada, estão incluídas reportagens nos programas da própria RBS TV (Jornal do Almoço, Bom dia Rio Grande, RBS Notícias e Teledomingo), da TVCOM (canal em UHF do grupo), da Rádio Gaúcha e nas páginas dos tabloide Zero Hora e O Pioneiro, de Caxias do Sul. O acordo prevê um determinado número de "inserções", com a participação dos apresentadores, colunistas e comentaristas - entre os últimos, destaque para o comentarista político e vendedor de salames Lasier Martins.
Pela sua importância econômica e magnitude, o evento em si já justificaria uma ampla cobertura jornalística, principalmente pela imprensa regional, tanto que os grupos de mídia concorrentes assim o fizeram - sem cobrar por isso. Mas, na hegemônica RBS, ou paga-se ou nada. Assim, para que a maioria do povo do Rio Grande do Sul tomasse conhecimento de um de seus eventos mais emblemáticos, foi necessário pingar 300 mil reais na conta dos Al Capones gaúchos da notícia. Parte deste "investimento" você pode conferir clicando aqui.

300 mil reais!!!
Fonte: Cloaca News