17.7.09

A imprensa gaúcha pegou leve demais

A governadora gaúcha Yeda Crusius perdeu a linha ontem (http://www.midiamundo.com/2009/07/sem-bola-de-cristal.html) .
Hoje os jornais do Rio Grande mediram palavras para falar do incidente.
Zero Hora fala em "reação ao cerco".
O Sul publica "protesto" e "confusão".
O Correio do Povo consegue ir um pouco mais longe e fala em "protestos e fúria".
Mas é preciso ir às capas do centro do país para entender o que aconteceu na capital gaúcha.
O Estado de S. Paulo dá o incidente na foto principal de capa e fala que Yeda "bate boca".
O Globo não perde tempo e diz "O grito".
E a Folha de S. Paulo vai além de todos os jornais, gaúchos ou não, e como foto principal de capa fala em "Um dia de fúria".

Por que os jornais gaúchos não conseguem ser mais específicos, como a Folha de S. Paulo?
Por que a imprensa gaúcha só começou a falar dos escândalos da governadora depois que a revista Veja trouxe o fato, mesmo que o Ministério Público já esteja com o caso desde o ano passado?
Por que os jornais gaúchos, exemplos de sucesso para todo o Brasil, têm tanta dificuldade em falar do governo e da governadora?







Fonte: Mídia Mundo

5.7.09

BLOGS SÃO MANIQUEÍSTAS - DIZ JORNAL "VALOR ECONÔMICO", CITANDO CLOACA NEWS

Reportagem publicada nesta sexta-feira, 3 de julho, no jornal Valor Econômico - joint venture entre as famiglias Marinho e Frias - traz artigo de Yan Boechat, analisando o papel dos blogs no cenário político. O texto está disponível, também, na edição digital do veículo, mas, considerando que tal conteúdo é de acesso restrito a assinantes, tomamos a liberdade de copiá-lo abaixo, visto que somos citados.
Logo em seguida, a exemplo do que faz o blog Petrobras - Fatos e Dados, publicamos a íntegra da entrevista, feita por e-mail, que este Cloaca News concedeu ao valoroso repórter.
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Militantes partidários trocam as ruas pelos computadores
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Valor Econômico - 03/07/2009

Vão-se lá quase duas décadas de esvaziamento crescente dos militantes partidários que enchiam as ruas brasileiras nas campanhas eleitorais. Sua figura, quase sempre esteriotipada (sic), sempre esteve ligada aos partidos de esquerda, que contavam com a colaboração espontânea de seus filiados e simpatizantes. Foi assim na vitória de Leonel Brizola ao governo do Rio em 1982 e na virada de última hora que levou Luiza Erundina a se tornar a primeira prefeita mulher de São Paulo em 1988.
Desde meados da década de 90 que as esquinas estão sendo tomadas por "militantes" profissionais. São, em geral, jovens desempregados das periferias das grandes cidades contratados pelos partidos para agitar bandeiras, estender faixas ou vestir a camisa de algum candidato em troca de alguns poucos reais ao dia. O militante histórico envelheceu, desiludiu-se e ficou em casa, na frente do computador
Os blogs são as armas dessa nova militância. Em geral, são maniqueístas e dividem políticos - e seus aliados - em anjos e demônios. Eles são feitos em todos os cantos do país e, basicamente, podem ser divididos em duas categorias: críticos ácidos dos partidários do governador paulista, José Serra, ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva..
Dois de seus principais expoentes são jornalistas experientes, Reinaldo Azevedo, colunista da revista "Veja", e Paulo Henrique Amorim, apresentador da "TV Record". Os embates perpetrados nos blogs de ambos reverberam em ampla rede de colunistas online, uma boa parte dela formada por blogueiros anônimos. "Os blogs políticos de cidadãos comuns fazem parte de uma rede ampla de gente que quer ser ouvida, que quer dar sua opinião e que não tinha canal para isso", diz Sérgio Amadeu, professor da faculdade Cásper Líbero e pesquisador da internet.
Afirmando ter a missão de "desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país", o blog Cloaca News foca seus ataques no governador de São Paulo, José Serra, e nos partidos que o apoiam, que, para ele, têm a simpatia dos principais veículos de comunicação do país. Criado e tocado por um jornalista gaúcho(*) que não se identifica, a coluna digital tem mais de 200 mil acessos desde que foi criada, no final de outubro de 2008. "Nosso blog, sozinho, não vai a lugar algum, mas temos já a noção do efeito multiplicador instantâneo dos blogs", diz o autor por e-mail, sem se identificar.
Na outra ponta, outro blog também cativa audiência. Batizado de Coturno Noturno, é feito por um morador de Florianópolis (SC) que também não se identifica. Mira os ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O site, que defende posições polêmicas, como o golpe militar em Honduras, já conta com mais de 1,2 milhão de visitas.
Em ambos os casos, os blogs são tão bem escritos quanto violentos nas críticas e sátiras contra seus opositores. Moriael Paiva, que vem atuando em campanhas políticas por meio da internet desde 2002, não acredita que eles tenham poder para mudar opiniões. Para ele, os blogs servem, na verdade, como reafirmação para grupos que já concordam com as ideias ali expostas. "Quem está ali já tem a opinião formada, não há espaço para fazê-lo mudar de lado", diz Paiva, cotado para comandar a campanha na internet do candidato tucano.
Mas apesar desse poder limitado de influência, os blogs políticos fazem parte de uma rede importante composta por militantes que atuam em diferentes áreas. São eles que podem dar sustentação a discussões em redes sociais, como o Orkut. A estratégia dos partidos passa por fazer com que esses usuários fiéis funcionem como disseminadores das propostas dos candidatos. Foi por meio dessa rede de militantes digitais que Barack Obama conseguiu que os 1,8 mil vídeos que postou no You Tube fossem vistos mais de 20 milhões de vezes. (YB)
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* O cloaqueiro vive em Porto Alegre, mas é paulista. E corinthiano...
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Íntegra das respostas dadas pelo Cloaca News ao questionário enviado pelo repórter Yan Boechat, do Valor Econômico. A nosso pedido, a "entrevista" foi feita por e-mail.
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Há quanto tempo o blog existe?
O Cloaca News estreou na blogosfera no dia 31 de outubro de 2008. Completará oito meses de existência dentro de alguns dias.
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Ele é feito apenas por uma pessoa ou há uma “equipe” envolvida na sua produção?
A equipe do Cloaca News é composta de um pauteiro, um repórter, um pesquisador de imagens, um redator, um editor, um “advogado” e um Diretor de Redação, sendo que todas essas atribuições estão delegadas a uma única pessoa - ninguém menos que este que lhe escreve – que acaba agora de acumular, também, a função de assessor de imprensa.
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Como surgiu a idéia de fazê-lo?
A idéia de fazer o Cloaca News adveio da profunda indignação de seu criador com as práticas desonestas de manipulação por parte dos principais conglomerados da informação brasileiros – e que, mui apropriadamente, o jornalista Luis Nassif denominou “jornalismo de esgoto”. O blog, nesse caso, surgiu como uma alternativa possível para denunciar e execrar esse comportamento da chamada imprensa corporativa, dentro de uma perspectiva muito particular, baseada na visão de mundo e na bagagem político-cultural de seu criador.
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Além do tempo dedicado, há algum gasto para produzi-lo?
Nenhum gasto.
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Há algum auxílio de terceiros para produzi-lo?
Nenhum auxílio. Trabalho solitário.
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Você tem formação jornalística?
Sim.
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Qual a média de visitas diárias à pagina?
Em maio, a média diária foi de 1848 visitantes. No mês em curso, a média se mantém. Ocasionalmente, temos alguns picos. No maior deles, há poucos dias, beiramos 4 mil visitas.

Qual o número total de visitas ate hoje?
Até o momento em que escrevemos estas linhas, o número total é de 210.500 visitas. No rodapé do Cloaca News, encontram-se o contador de visitas e mais algumas ferramentas de monitoramento e estatísticas. Uma dessas ferramentas - o Extreme Tracking - é aberta ao público.

Como você seleciona os assuntos que serão abordados?
Não há, propriamente, uma "seleção". A escolha sobre determinado assunto como tema para uma postagem depende muito da "temperatura" dos noticiários da imprensa corporativa. Às vezes, ao toparmos com determinada notícia - ou determinada abordagem de algum fato - bolamos algo "de estalo". A coisa vem num lampejo. Tem dias em que não falta pauta, mas o cloaqueiro não está "naqueles dias". E tem dias que, mesmo diante de um noticiário modorrento, surge uma boa idéia. Normalmente, ficamos procurando ganchos nas notícias. Ficamos farejando até ver ser sai algum podre. Há nisso um pouco de intuição, um pouco de sorte e, quase sempre, muita paciência de pesquisar. Nestes últimos dias, por exemplo, estamos nos desdobrando. É que estamos em fase de checagem de várias denúncias envolvendo o governo Serra, particularmente na Educação. A pequena série que já publicamos é apenas um tira-gosto. A sujeira grossa, que denunciaremos com exclusividade - e com provas - está sendo rigorosamente verificada. Dá muito trabalho. Enquanto isso, tocamos o blog do jeito que dá, contando com alguma inspiração.
As perguntas que você faria são: que denuncias são essas? Como chegaram ao seu conhecimento? Respondemos: temos alguém infiltrado no ninho - o nosso Garganta Profunda. Mais não diremos.

Qual o teu objetivo principal com o blog?
Nosso objetivo é cumprir o que determinamos como "nossa missão", na medida do possível: desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país. Com isso, mesmo com nossa insignificância, estaremos colaborando para valorizar a instituição Imprensa, aquela verdadeiramente comprometrida com o interesse público.
Quanto tempo ele te consome?
Cerca de três horas por dia, em média.

É possível ter alguma remuneração com ele?
Não temos remuneração alguma com o blog.

Como você avalia o sucesso e a repercussão do Blog? A que você atribui isso?
O "sucesso" fica por sua conta. No entanto, felizmente, o Cloaca News já causa algum frisson. Praticamente toda semana o blog vira referência para outros blogueiros de política, entre eles alguns dos mais importantes entre os "independentes". O curioso é que estamos conquistando esse espaço apesar de sermos um blog "anônimo". Então, atribuimos a repercussão que conseguimos à veracidade da informação que publicamos. Por mais que sejamos ora irreverentes, ora raivosos, quando soltamos alguma "bomba" , indefectivelmente ela estará ancorada em fonte segura, geralmente um link acima de qualquer suspeita.
Nesse sentido, o "sucesso" a que você se refere deve-se a isso: quando matamos a cobra, mostramos o pau.
De vez em quando, também produzimos alguns deboches pertinentes, como, por exemplo, no caso do "protesto dos capangas de Mato Grosso", ou na recuperação da ficha policial de Aloysio Nunes Pereira.
Na prática, estamos a caminho de encontrar nossa "identidade blogosférica", algo como uma marca registrada que virá com o tempo. Para nossa surpresa, já há uma pequena legião de leitores que fica aguardando para ver de que maneira trataremos determinado acontecimento.

Ate que ponto você acredita que um blog como o seu tem capacidade de influir na opinião publica?
Nosso blog, sozinho, não vai a lugar algum. Não temos essa presunção de "influir na opinião pública" a ponto de mover as massas. Mas, temos já a noção do efeito multiplicador instantâneo dos blogs. Por enquanto, somos pequenos. E nem sabemos se um dia chegaremos a ser "grandes". Ao mesmo tempo, mesmo insignificantes no aspecto da audiência, funcionamos como "alimentatores" de uma rede, em que os maiores acabam por amplificar nosso trabalho.

Ate que ponto você acredita que ele pode ter alguma influencia nas eleições de 2010?
Além do que acabamos de dizer na resposta anterior, podemos dizer que, a cada falcatrua que descobrimos, alguns votos podem até mudar de rumo. Temos um caso específico, de UMA leitora nossa, que já "virou a casaca" por causa das bandalheiras tucanas que denunciamos.
Mas, repetimos: nosso blog, sozinho, não irá a lugar nenhum sem a "coligação" com os demais blogs com os quais temos afinidades.

Seu blog tem como missão ´Desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país. Dar nome aos ratos e aos sabujos”. Como você define essa “máfia midiática”?
Simples: é só juntar as pouquíssimas "famiglias" que controlam os meios de informação mais importantes deste país.

Você entende que toda a grande imprensa está comprometida com os partidos de oposição ao governo Lula?
Considerando que a "grande imprensa" é a que está nas mãos das "famiglias" acima, sim, ela está comprometida. A leitura e a análise do jornalismo que produzem diariamente não nos deixam mentir.

Por conseguinte, você entende que o governo federal não consegue exercer seu poder de pressão junto à grande mídia?
Curiosa esta pergunta, porque é feita já com a certeza da resposta anterior. E, mais curioso ainda: supor que o governo federal poderia exercer "poder de pressão" sobre a "grande mídia".
O verbo "conseguir" não cabe nesta formulação. Não é papel de qualquer governo "exercer pressão" sobre a mídia. Este governo federal, pelo menos, não faz isso, ao que nos consta. E não o faz não por "não conseguir", mas, quem sabe, por princípio.
Bem diferente do governo de José Serra, concorda?
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Nos últimos anos os blogs políticos profliferam-se no país. Sob meu ponto de vista, em sua grande maioria, adotam discursos diametralmente opostos e equivalentemente apaixonados sobre a linha de pensamento que defendem. Ou seja, na maior parte das vezes os embates ideológicos travados por esses blogs acabam adotando uma postura maniqueísta. Qual o seu ponto de vista sobre esses “embates” virtuais?
Somos muito suspeitos para responder com isenção. Aliás, o Cloaca News não é isento. Mas, nossa maior virtude, sem modéstia alguma, é provar que aqueles que se dizem "isentos" - e ganham muito dinheiro com isso - na verdade, não o são.
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Você acredita que eles são resultado de uma cultura política que, apesar de multipartidária, tem se polarizado ao ponto de estarmos nos aproximando de um sistema bi-partidarista?
É incrível, rapaz! Você fez a pergunta já a respondendo!!!
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Ou você entende que trata-se mais de um “embate de classes” no Brasil. Que classes são essas? Como você as define?
Nós não definimos nada. A tese do "embate de classes" não é nossa.
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Alguns dos sites que contrapõem sua linha de pensamento adotam uma postura de admiração à ditatura militar ocorrida n Brasil. Você acredita que essa outra parcela do ativismo político blogueiro que temos no Brasil está de fato ligada à uma cultura/classe que apoiou o sistema ditatorial brasileiro? Ou estamos falando de uma outra geração, que apenas pega alguns desses elementos para atacar personagens importantes dos partidos de esquerda que têm um histórico de combate à ditadura?
A Folha da Tarde emprestava sua frota para uso da OBAN, predecessora do DOI-CODI, que torturava e matava. E, recentemente, a Folha de S.Paulo apelou até para uma falsa ficha de Dilma Roussef para tentar desqualificar a Ministra.
Os blogs "de esquerda" deitaram e rolaram. Os demotucanos mudaram de assunto.
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Dentro dessa ótica de que há uma divisão clara e polarizada entre os blogs políticos, quem você acredita que “lidere” essas linhas. Eu pessoalmente vejo Reinaldo Azevedo e Paulo Henrique Amorim, indo aos extremos, como os principais expoentes dessa disputa. Você concorda, discorda? Como você vê isso?
Discordamos. Não há "líderes", nem liderados.
Em nome do decoro, vamos nos abster de emitir juízos sobre o blogueiro da Veja.
Quanto ao PHA, trata-se de uma audiência extraordinária quantitativamente. Mas teríamos que botar na lista o Luis Nassif, o Luiz Carlos Azenha, o Rodrigo Viana, o Leandro Fortes, o Idelber Avelar... E, claro, o Amigos do Presidente Lula, nosso blog de coração.
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Como são as pressões que você sofre com o site, se é que há alguma pressão.
Acredite: não sofremos pressões, a não ser as nossas próprias. Com nossa audiência crescente, sentimos que temos uma espécie de "compromisso" com os leitores que nos visitam todos os dias.

Já houve alguma tentativa de censura por parte do Estado, de órgãos privados?
Até o momento, nenhuma.
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Essa semana o grupo de trabalho sobre a lei eleitoral está discutindo exatamente como a internet poderá ser usada nas eleições de 2010. Um dos principais argumentos em todas as discussões sobre a questão é de que ela é inevitável e o exemplo mais citado é a experiência da campanha de Obama. Você acredita que há espaço no Brasil para que a internet seja usada da maneira que foi usada nos Estados Unidos?
Sim, acreditamos. A grande ameaça, porém, é o projeto do tucano (tinha que ser tucano...) Eduardo Azeredo, já batizado de AI 5 Digital.

Roupa nova e me devendo

Me devendo um jornalismo cidadão

Me devendo um jornal de verdade. Me devendo um jornal sem comprometimento com os destruidores do bioma Pampa. Um jornal que não seja o intelectual orgânico de arranjos político-eleitorais golpistas, antipopulares e antidemocráticos. [Sem jamais esquecer que a família Sirotsky, dona do grupo RBS e do repaginado Zero Hora, apoiou e se beneficiou do golpe civil-militar de Primeiro de Abril de 1964.]

Um jornal que não seja dissimulado, espetaculoso, senso comum rebaixado e pseudo-apartidário. Me devendo um jornal republicano (não precisa ser de esquerda), com bons textos, defensor de idéias e políticas sem a máscara da “neutralidade” e da “isenção”. Me devendo um jornal que não seja o veículo portador dos interesses do baronato do concreto, da especulação imobiliária e do desfiguramento urbano de Porto Alegre e sua natureza. Me devendo um jornal de verdade. E não um jornal guaribado e com novos cosméticos de superfície.

Em Tempo. É curioso que nos últimos dois anos e meio só duas famílias prosperaram, e estão de casa nova no Rio Grande do Sul: a família RBS/Sirotsky, com seu novo parque gráfico (que propiciou o botox em ZH), e a família Rorato Crusius, com sua flamante casa em bairro metido de Porto Alegre, mas cuja origem é mais enrolada que baile de cobras.

Fonte: Diário Gauche

2.7.09

Governo Yeda bate no fundo do poço


Confesso que eu nunca, jamais, vi coisa semelhante na política guasca

Essa manchete da página 2 do jornal Correio do Povo é inacreditável. O editor está tão confuso e perplexo quanto nós, os leitores. Vejam só: o Piratini, o Executivo, em suma, a governadora Yeda, pressiona para que um subordinado seu não abandone o barco do governo de insensatos.

Confesso que eu nunca, jamais, vi coisa semelhante na política guasca. Um chefe do Executivo afirma que pressiona para alguém ficar a seu lado, que não se vá, que não diga adeus, Mariana.

I-na-cre-di-tá-vel!

Este é o maior e o melhor atestado da fraqueza e da falta de capital político da governadora tucana Yeda Rorato Crusius.

O governo Yeda está nu e a pé. Uma Lady Godiva varicosa e sem cavalo.

Abstraindo os episódios que atentam contra a moralidade pública, politicamente este é o ponto mais cavo e depressivo a que poderia chegar uma administração no Estado do Rio Grande do Sul – em qualquer tempo do seu presente e passado histórico.

Deu, não tem mais o que afundar.

Só pode ser a Mãe Natureza que desmonta a Uergs




Governo Yeda não é mencionado em matéria sobre o sucateamento da Universidade estadual

Sim, a Universidade do Estado do Rio Grande do Sul – Uergs – está sendo encolhida e aos poucos, desmontada. Zero Hora fez, na edição dominical de ontem, um apanhado sobre a situação lamentável da Universidade criada (2001) e organizada pelo governo Olívio Dutra (1999-2003), entretanto, não é atribuída responsabilidade a quem quer que seja pela grave situação pelo qual passa a instituição estadual.

O jornal do grupo RBS esquece de determinar o sujeito da oração. Quem encolhe a Uergs? Quem desmonta a Uergs?

Forças ocultas ou forças ocultadas são os responsáveis pela degradação da Universidade?

É óbvio que são forças ocultadas. Zero Hora esconde ardilosamente o sujeito responsável pelo sucateamento da Uergs. A governadora Yeda Rorato Crusius não está desmontando somente a Universidade estadual, mas o próprio Estado. O novo jeito de governar é sinônimo de desmonte da máquina pública, de corrupção em vários órgãos públicos, de desprezo pelo público em favor do privado, de irresponsabilidade com a saúde pública e com a educação de qualidade, de insolências no trato com os temas do funcionalismo, de repressão aos movimentos sociais, de descaso com a legislação ambiental e – sobretudo – do despreparo com a administração pública e o diálogo político e democrático.

Zero Hora omite o sujeito responsável pelo desmonte da Uergs porque é parte solidária desta sabotagem contra o ensino público e gratuito. O grupo RBS é a estufa morna e maternal onde se gerou e cresceu a hoje governadora Yeda Rorato Crusius. Como, então, nomear a responsável pelo dano proposital à Uergs sem se autoincriminar em definitivo?

Fac-símiles: matéria de ZH dominical (29.06.2009). O atual reitor da Uergs, nomeado pela governadora tucana Yeda Rorato Crusius, toma o cuidado de omitir o nome da própria, ao dizer que tem "conversado com o Palácio". O interlocutor dele é o Palácio. O reitor dialoga com o Palácio. O Palácio é o culpado de tudo. O Palácio é mesmo muito feio e mau.

Sempre a obsessão com Chávez




Líder bolivariano pauta noticiário internacional de ZH

De roupa nova, repaginado, o jornal Zero Hora não consegue esconder as suas compulsões. Uma delas, talvez a mais gritante, é com a figura do presidente venezuelano Hugo Chávez.

O golpe militar sofrido pelo presidente hondurenho, Manuel Zelaya, no dia em que promovia consulta popular para respaldar uma nova Assembleia Constituinte, acaba sendo elemento secundário para os editores de ZH, o mais importante é informar que ele é aliado de Chávez, um certo esforço no sentido de desqualificar o presidente deposto. A manchete de capa passa essa informação e o mesmo acontece na manchete interna da página 26 (acima). É para não sobrar nenhuma dúvida.

O presidente Zelaya foi eleito pela direita liberal hondurenha em 2005. Mas no curso de seu governo começou a buscar apoio popular através de políticas públicas que resgatassem a imensa dívida social das oligarquias locais para com os camponeses e trabalhadores urbanos hondurenhos.

Horas atrás acabou sendo vítima da solução histórica encontrada pelas elites para impor a sua vontade minoritária e intolerante – o uso das forças armadas para golpear um presidente civil que procurava governar com soberania e espírito republicano. Um filme velho e embolorado, mas que continua sendo o predileto das oligarquias latino-americanas.

O inédito é que em nome da legalidade e do direito, os gorilas o tenham golpeado precisamente no dia em o presidente promovia uma consulta popular para preparar uma nova Constituinte, ou seja, por ter respeitado o jogo democrático e promovido a participação popular é que Zelaya foi duramente golpeado.

23.6.09

Miriam Leitão mente no ‘Bom Dia Brasil’

Do blog do Eduardo Guimarães, Cidadania.com:



No vídeo acima, comentário de Miriam Leitão sobre a criação de 131 mil empregos em maio último – os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O comentário foi feito na edição desta terça-feira do “Bom Dia Brasil”.

Segundo Leitão, estamos mal. Ela opina que deveríamos ter criado 190 mil empregos no mês passado, segundo a média dos últimos dez anos para o mês de maio. Ou seja, a analista econômica global pega todos os meses de maio de 1999 até hoje e divide por dez.

Faltou informar que, se a média for calculada só durante o governo Lula, será muito maior, e que se for calculada só no segundo mandato de FHC, será muito menor do que 190 mil empregos. Vejam:


FHC

Maio de 1999 – 97.182

Maio de 2000 – 162.837

Maio de 2001 – 161.898

Maio de 2002 – 155.813



LULA

Maio de 2003 – 140.313

Maio de 2004 – 291.822

Maio de 2005 – 212.450

Maio de 2006 – 198.837

Maio de 2007 – 212.217

Maio de 2008 – 202.984

Maio de 2009 – 131.557



Conclui-se, então, o seguinte: a média de empregos criados no mês de maio durante o segundo mandato de FHC, foi de 122.432 empregos, e durante o primeiro mandato de Lula, foi de 210.855 empregos.

Estamos falando quase do dobro de empregos do segundo mandato do tucano para o primeiro mandato do petista. Ou seja: ao misturar o fim do governo FHC com o governo Lula, Leitão faz parecer que a forte criação de empregos que se vê no Brasil desde 2003 começou na era tucana.

Mas a questão nem é essa. O grande problema (para usar um termo leve) da fala de Leitão na tevê é que ela mentiu descaradamente ao dizer o seguinte:



E, ao todo, desde a crise, o Brasil perdeu 800 mil empregos nos primeiros três meses, até janeiro, e criou 180 mil nos últimos quatro meses.



Miriam Leitão mente. Nos últimos quatro meses, o Brasil não criou 180 mil empregos coisa nenhuma. Criou 281.754, ou seja, cerca de cem mil empregos a mais do que disse a analista econômica da Globo. Vejam os números do Caged de fevereiro para cá:



Fevereiro de 2009 – 9.179

Março de 2009 – 34.818

Abril de 2009 – 106.200

Maio de 2009 – 131.557



Leitão mentiu para milhões de telespectadores. Não dá nem para dizer que foi um engano. Eu que não sou nem jornalista, nem economista, nem apresentador de tevê, soube que o número de 180 mil empregos de fevereiro a maio era mentira assim que ela o proferiu.

Como se vê, está valendo até mentir para o público na tentativa estúpida de fazê-lo acreditar que o Brasil não está dando um show de competência diante do mundo em meio à maior crise econômica dos últimos oitenta anos. Para mim, isso é desespero de causa.

Se quiser ir ao blog de Leitão para protestar, clique aqui .

Leitão se retrata


Miriam Leitão pôs a seguinte nota em seu blog:



Alguns leitores comentaram que existe um equívoco nos dados de geração de empregos referentes aos últimos quatro meses. E eles têm razão. Foram gerados cerca de 280 mil postos nesse período, e não 180 mil. O número de 180 mil refere-se à geração de empregos nos cinco meses, o que desconta uma queda de 100 mil em janeiro. Fica aqui a correção.



Ela se retratou depois de ter sido desmascarada aqui. Bem, mas e como ficam os milhões de telespectadores que ela desinformou na Globo hoje pela manhã? Será que na próxima edição do “Bom Dia Brasil” ela irá reparar o “engano”? E como é possível uma “sumidade” como Leitão se enganar dessa forma se eu, um simples comerciante, pude detectar a farsa no exato momento em que foi proferida?

21.6.09

MP de Santa Catarina processa a RBS

No meio do turbilhão de discussões e brigas sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalista, pessoas que acreditam lutar contra as mesmas práticas colocam-se em lados opostos. O resultado disso é que questões que nunca foram discutidas de verdade continuam deixadas de lado. Estudantes se mobilizam para protestar contra a decisão do STF, mas por que eles não estavam nas ruas ou em qualquer lugar gritando contra os oligopólios na comunicação ou contra emissoras de rádio e TV que operam com concessão vencida? Defendem o diploma e calam contra essas distorções em defesa de seus empregos?
Pois um veículo que publica sempre reportagens de qualidade é a Revista Adverso, ligada ao Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre (Adufrgs). E a Adverso, em sua edição de junho, traz uma bela reportagem sobre um assunto em relação ao qual não se ouve qualquer gritaria, qualquer sussurro que seja. O Ministério Público de Santa Catarina está processando a RBS por formação de oligopólio de comunicação no Estado. O assunto não é novo – a ação foi ajuizada em novembro de 2008 –, mas é preciso lembrar que temos outras discussões a fazer além do diploma, e a reportagem, com entrevista com o autor da ação, acaba de sair, em um momento em que a RBS acaba de lançar um jornal em Canoas e, diz a reportagem, planeja a aquisição de três novos diários no interior do Rio Grande do Sul.
A matéria é de Naira Hofmeister, e é delineada através de declarações do procurador da República no Estado de Santa Catarina, Celso Três. Faltam declarações da RBS, o que não chega a descaracterizar a informação. A reportagem, através das falas de Três, faz um panorama muito claro da situação, sem meias palavras, demonstrando por A mais B a situação clara de ilegalidade em que se encontra a RBS, além dos prejuízos que isso traz à sociedade em relação à qualidade e à pluralidade de informações que esta recebe, além do prejuízo político que uma voz com domínio tão ostensivo causa aos Estados em que atua.
O fato de os veículos do grupo usarem familiares e laranjas como donos oficiais não anula o caso, segundo Três. Além disso, há desrespeito à Constituição Federal que afirma que 30% da programação das emissoras deve ser local, quando o próprio site da RBS afirma que 85% da grade é destinada a Rede Globo. Não há regulamentação para esse artigo, “a legislação está trancada no Congresso – o que é uma vergonha”, como diz Celso Três. Mas isso não invalida a possibilidade de a justiça estabelecer esse critério.
A reportagem traz ainda outros dados e informações sobre a situação do grupo RBS em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, apresentando diversos lados em que as leis, a moralidade e a ética são descumpridas.
A expectativa é que a ação seja julgada até o fim do ano. Me parece improvável que a RBS seja punida – o pedido é que o grupo abra mão de um de seus cinco diários que circulam em SC e de quatro entre as seus emissoras de TV do Estado. Ainda assim, é fundamental que essa discussão seja feita, que a classe se mobilize – o que nunca vi acontecer – que os Sindicatos, as Associações, os estudantes e todos os que gritam a favor ou contra o diploma percebem que, debaixo do nosso nariz, existem aberrações como essas e parem de pensar apenas em seus empregos. Pensem na comunicação do país e na função que o jornalismo deveria cumprir, e em como se pode chegar a melhoras nesse sentido. Jornalismo não pode ser apenas uma profissão, um emprego. Precisa cumprir uma função social, caso contrário não tem razão de existir.

19.6.09

Uma afronta ao Estado de Direito

Ministério Público de Santa Catarina processa grupo RBS por formação de oligopólio de comunicação no Estado. No Rio Grande do Sul, a organização acaba de lançar um jornal em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre, depois de expandir a operação da Rádio Gaúcha para a frequência FM. Apesar da negativa da empresa, desde o início do ano rola um boato de que o grupo iria comprar outros três tradicionais veículos do interior.

Por: Naira Hofmeister para ADufrgs

O parabéns a você para a RBS de Santa Catarina foi cantado pelo rei Roberto Carlos, estrela da festa de 30 anos da empresa no Estado, comemorados no dia 16 de maio. O apagar das velinhas, no entanto, pode ser bem menos animado e é esperado para o final do ano. Através de uma Ação Civil Pública, o Ministério Público Federal de Santa Catarina pede que o Grupo RBS abra mão de um dos seus cinco diários que circulam no Estado e escolha apenas duas, entre as seis emissoras da RBS TV regional. “Ainda esse ano podemos ter uma sentença. Porque essa ação tem instrução, ela se prova”, acredita o procurador da República no Estado de Santa Catarina, Celso Três.

A acusação é por formação de oligopólio. “É um conceito da ordem econômica, mas se aplica aos meios de comunicação porque suprime empregos, mexe no mercado local”, justifica. Com um agravante, sublinha o procurador. “Nesse caso, a concentração atinge o Estado Democrático de Direito porque bloqueia a garantia de ampla expressão e informação do cidadão. Só é possível haver múltiplas interpretações dos fatos da vida social a partir da pluralidade de órgãos de comunicação. O que não acontece em Santa Catarina”, acusa.

A ação foi ajuizada em novembro de 2008, mas o inquérito consumiu dois anos da rotina de Celso Três. A decisão de processar o grupo foi tomada em 2006, quando a RBS comprou o tradicionalíssimo jornal A Notícia, instalado há mais de 80 anos no município de Joinville. “Foi a gota d’água”, relata Três. “Todos os jornais de Santa Catarina são da RBS: A Notícia, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e Hora de Santa Catarina. Excetuados, é claro, os minúsculos, locais, sem qualquer expressão de rivalizar com a RBS”, sustenta a peça jurídica assinada por ele e outros três procuradores da República.

Apesar disso, nem o Ministério das Comunicações nem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenam a compra do jornal A Notícia. Eles aceitaram o argumento da empresa, de que os veículos estão em nome de pessoas diferentes. “Os proprietários são da família Sirotsky e existem alguns laranjas. Mas se os veículos trazem a mesma manchete – ou transmitem a mesma programação – está caracterizado o oligopólio. É absurdo dizer que não!”, revolta-se Celso Três.

A certeza do procurador fica explícita na nomeação dos réus no processo. São treze ao todo – União, Cade e apenas duas pessoas físicas. Os demais citados são pessoas jurídicas, proprietárias das emissoras e jornais. Os responsáveis pelos CNPJs, no entanto, são todos ligados à família. A única exceção é Moacir Gervazio Thomazi, antigo proprietário de A Notícia.

Citado nominalmente, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky é também o responsável por quatro veículos que respondem à ação. Outras duas pessoas da lista compartilham seu sobrenome: Denise e Marcelo, que respondem respectivamente pelas emissoras da RBS TV em Criciúma e Joinville. Já as televisões de Chapecó e Joaçaba estão representadas por Eduardo Magnus Smith, diretor executivo de desenvolvimento de negócios do Grupo RBS.

Além de pedir a devolução do jornal A Notícia ao dono anterior – ou sua venda para um grupo independente da RBS - o processo foca a concessão de radiodifusão, que é uma outorga pública. O Decreto-Lei nº 236, publicado em 1967 estabelece que nenhuma empresa ou pessoa pode ter mais de dez emissoras de televisão em todo o território nacional. A RBS possui 18, apenas de canal aberto. Também impede a concessão de mais de duas por Estado – só em Santa Catarina o grupo mantém seis canais locais que transmitem a programação da RBS TV, além do Canal Rural e a TV Com, que só abrange Florianópolis. “Isso é lei desde a época dos militares”, justifica Três.

Constituição desrespeitada

“A maior rede regional de TV do País conta com 18 emissoras distribuídas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com uma cobertura que atinge 790 municípios e mais de 17 milhões de espectadores nos dois estados. Possui 85% da grade de programação da Rede Globo e 15% voltada ao público local”. Essa é a descrição que o site do Grupo RBS dá para a Rede Brasil Sul de televisão, a RBS TV. É um tiro no pé. Isso porque a Constituição Brasileira determina que 30% da programação de rádio e TV devem ser locais.

Regulamentado ou não, o artigo é o argumento que o procurador da República utiliza na peça jurídica. “Já que a legislação está trancada no Congresso - o que é uma vergonha - queremos que a justiça estabeleça esse critério. Porque quando se fala em programação local, estamos falando em direito de expressão do cidadão”, justifica o procurador da República.

Celso Três admite que modificar – ou fazer cumprir - a legislação não é uma tarefa fácil. “Tem que ter coragem para fazer isso. Cabe ao presidente da República fazer um pronunciamento em rede nacional, explicar para sociedade. Vai ter muita emissora que vai criticar, é claro. Os 30% são razoáveis, ainda sobra 70% da grade para a programação nacional. Isso enseja a diversidade”.

Empresa é um partido político

Para além do poderio econômico que uma empresa do tamanho da RBS (veja quadro abaixo) detém, uma das maiores preocupações do Ministério Público de Santa Catarina é com a pressão política que o grupo pode exercer. “Uma situação é você ter a televisão, ser transmissora da Globo - e todo mundo sabe que o País só assiste à Globo. Mas bem mais grave é você ter a Globo, os jornais e as rádios. Porque os veículos se somam. Isso se chama propriedade cruzada e catapulta o posicionamento político”, critica Três.

O texto da Ação Civil Pública cita um exemplo bem conhecido dos gaúchos: a manipulação de pesquisas eleitorais. O documento traz até uma referência ao ocorrido no pleito gaúcho de 2002, no qual concorriam Tarso Genro (PT) e Germano Rigotto (PMDB) - e vencido por este último. A divulgação de pesquisas com percentuais muito diferentes daqueles verificados nas urnas, que indicavam ampla margem do peemedebista, gerou o cancelamento de 25 mil assinaturas de Zero Hora. A campanha obrigou a RBS a pedir desculpas publicamente através de um editorial publicado em Zero Hora. “No episódio eleitoral, uma das instituições [que executam pesquisas encomendadas pela RBS], embora tenha registrado corretamente o vencedor do pleito no Rio Grande do Sul, errou gravemente na diferença percentual entre os votos dos dois candidatos”, admitiu na época em editorial na Zero Hora, o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky.

No caso catarinense, o beneficiado é colega de partido de Rigotto e, assim como ele, saiu vencedor do pleito. “Na ultima eleição ao governo do Estado de Santa Catarina, o Grupo RBS encetou uma ação de sinergia em prol de Luiz Henrique da Silveira”, lê-se na peça jurídica, que a seguir, descreve a seqüência de eventos. No primeiro turno, os jornais da RBS juravam que Luiz Henrique estava eleito, sem a necessidade do segundo confronto – “fato desmentido nas urnas”, aponta o procurador. No segundo turno, as pesquisas veiculadas pela RBS indicavam uma vantagem de 20% do candidato sobre seu oponente, Espiridião Amim (PP). A diferença na apuração foi de 5,42%. “Doutrinada à exaustão a vitória de uma candidatura, a tendência do eleitorado, especialmente o indeciso, é aderir à vencedora”, denuncia a peça jurídica. “Quando se diz que é a RBS quem governa o Estado, que ela faz e tira o governo, é nesse sentido. Aí o governador que se opõe a um grupo como esse, é derrubado”, complementa Três.

No Rio Grande do Sul, Canoas é a bola da vez

Na mesma semana em que comemorou seus 30 anos em Santa Catarina, a RBS lançou o semanário Mais Canoas, que vai circular às sextas-feiras encartado em Zero Hora e no Diário Gaúcho. A tiragem prevista é de 25 mil exemplares mas dependendo da competência do departamento comercial, deve aumentar. Canoas é o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul. A cidade tem um diário editado pelo Grupo Sinos, que já atua na região há 50 anos.

A julgar pelas práticas relatadas em Santa Catarina, é bom os executivos do Grupo Sinos começarem a se preocupar. No estado vizinho, a RBS praticou dumping, que é a taxação de preço abaixo do valor de mercado. No caso, a venda de exemplares do jornal Hora de Santa Catarina - de caráter popular - “por reles R$ 0,25” de acordo com a Procuradoria da República - para concorrer com o Notícias do Dia, do grupo Record. “À concorrência, resta quebrar ou vender-se a RBS”, alerta o texto jurídico.

E no litoral catarinense, para “combater” o Diarinho - jornal de Itajaí com 30 anos de existência, que utiliza uma linguagem sarcástica e tem leitores fiéis - a RBS pressionou uma rede de supermercados para não expor os exemplares nos caixas. “A empresa também faz negociações com os anunciantes, de reduzir o valor pago caso não anunciem em outros diários”, complementa Três.

Em 2008, o grupo incorporou a Rádio Metrô FM, a preferida dos pagodeiros de Porto Alegre. Depois de substituir os programas e comunicadores tradicionais pelos da casa – nesse caso, a rádio Cidade, principal concorrente da Metrô – a RBS simplesmente extinguiu o veículo. Agora, o espaço 93,7 do dial FM é ocupado pela Gaúcha, exatamente a mesma programação de AM. “O que não entendemos é como a concessão de radiodifusão, que é pública pode ser simplesmente adquirida por uma opu outra empresa”, questiona coordenadora regional do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, Claudia Cardoso.

E além dos quatro jornais que já mantém no estado, a RBS agora está de olho em três novos diários tradicionais do Interior. A empresa nega o interesse, mas no início do ano chegou a visitar as redações de O Nacional, de Passo Fundo, Agora, de Rio Grande e o Informativo de Lajeado.

Por uma mídia mais democrática

Cinco artigos da Constituição Brasileira tratam sobre a proibição da formação de oligopólio ou monopólio na comunicação. Apesar disso, o setor, ao lado das indústrias de chocolate, bebidas e pasta de dente, lidera o ranking de concentração do mercado brasileiro. “O lobby das empresas de mídia é muito forte e por isso, mesmo depois de 20 anos de sua publicação, esses artigos não foram regulamentados”, lamenta Claudia Cardoso.

Depois de anos articulando com governos, os movimentos sociais conseguiram marcar a data da primeira Conferência Nacional da Comunicação. Vai ser em dezembro. “Vivemos num país que tem mais televisões do que geladeira. É preciso reestruturar a comunicação, e capacitar o público para a crítica”, defende.

A idéia é combater o discurso uníssono, contra o qual não há voz suficientemente forte que tenha eco. Como a criminalização dos movimentos sociais pautada pela imprensa conservadora do Brasil. A reportagem de ADverso constatou que as charges dos jornais Zero Hora e Diário Catarinense do dia xx de abril eram idênticas em seu conteúdo, ainda que as assinaturas fossem de dois cartunistas diferentes. Coincidentemente, os desenhos ironizavam o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, um dos grupos que freqüentemente acusam a mídia de patrulhamento ideológico. “Em Santa Catarina chegamos a ter a mesma manchete em mais de um jornal. Idêntico! A ótica do Ministério Público é a proteção do direito à informação do cidadão. Isso é inerente à pluralidade - não existe diante de um órgão oligopolista”, avalia Celso Três.

Quem é a RBS

Faturamento em 2006: R$ 825 milhões

Lucro líquido em 2006: R$ 93 milhões

18 emissoras TV aberta (afiliadas da Globo)

2 emissoras de TV comunitária

1 emissora de agronegócio

25 emissoras de rádio

8 jornais diários

4 portais na internet

Editora RBS Publicações

Gráfica

Gravadora Orbeat Music

Empresa de Logística ViaLog

Empresa de marketing para público jovem Kzuka

Participação em empresa de móbile marketing

Fundação de Responsabilidade Social

14.6.09

CENAS QUE GOSTARIAMOS DE VER!


MAS PORQUÊ 45 ANOS...

QUEM SABE 45 MESES

OU 45 DIAS

OU MELHOR AINDA:45 HORAS!!!!!!


Fonte: Guerrilheiros Virtu@is
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NÓS TAMBÉM GOSTARÍAMOS DE LER ESSA MATÉRIA!!!!!!!!!!!!!

Zero Hora não dá crédito de matéria


“Imprensa livre” surrupia material de agência estatal sem dar o crédito devido

O jornal Zero Hora, do grupo RBS, estampa hoje matéria com entrevista produzida pela estatal Agência Brasil e omite os créditos devidos.
Já o diário paulistano Folha de S. Paulo, traz a mesma matéria produzida pela estatal, mas se preocupa em informar a origem da entrevista do ministro da Defesa, Nelson Jobim.