1.3.09

Desespero na redação da RBS?

Acabamos de ler, no blog RSurgente, a manifestação de Marlize Machry Bins a respeito de um post da abelhinha Rosane de Oliveira, intitulado "Impeachman não é aspirina". Bins recomenda o uso de FOSFOSOL para ativar a memória da abelhinha, pois a oposição ferrenha que o Grupo RBS promoveu durante o Governo Olívio Dutra [PT, 1999/2002] foi omitido do texto em questão.

No nosso entendimento, essa é mais uma resposta da RBS frente à pressão popular. O que é isso, surgir, agora, pela voz da Rosane de Oliveira, o reconhecimento de que houve "oposição ensandecida" durante o Governo Olívio Dutra do PT?!?!?

Esquece também o grupelho, que só engambela o seu leitor e/ou assinante desavisado. Para os que pressionam [leitores ou não], para os que apontam a sua partidarização em prol de todos os governos corruptos do RS, desde a ditadura, fica a certeza do quanto esta gente é flor de sem-vergonha!!!!

Cada vez mais o Grupo RBS se expõe rumo ao descrédito total! Com quem a Rosane de Oliveira e a Família Sirotsky que a emprega pensam que estão lidando? A saraivada de críticas que a abelhinha levou naquele post "Eu recomendo", referente ao artigo do Alabarse, recomendaria mais prudência! Afinal, parte da população já identificou o alinhamento incondicional da RBS com o desgoverno Yeda Crusius [PSDB] e não será um textinho sem-vergonha, como esse, que irá "redimir" a empresa detentora de monopólio midiático frente a esse público.

Ou estará batendo o desespero na redação, onde o bom senso, a racionalidade, e a calma, em situação de estresse*, são solenemente ignorados? Devem estar acontecendo cancelamentos de assinaturas da Zerolândia em massa...

Alguém teria essa informação???


*Tentem imaginar o desespero dos passageiros, naquele pouso forçado no Rio Hudson em NY, no qual não houve vítimas, graças à ação coordenada dos esforços, evitando o pânico que os levaria ao desastre.

Fonte: Dialógico

27.2.09

Caso Sarney escancara ausência de controle sobre coronelismo eletrônico


Henrique Costa – Observatório do Direito à Comunicação*
20.02.2009

Ex-presidente da República, parlamentar mais antigo em atividade (sua primeira eleição para deputado federal foi em 1955), em sua terceira gestão à frente do Congresso Nacional cujo triunfo recente foi caracterizado pela revista britânica The Economist como “uma vitória do semi-feudalismo”. José Sarney (PMDB-AP), 79, acaba de agregar ao currículo uma peça das mais curiosas, mais contestada fora do Brasil do que pela imprensa nativa. E não se trata de sua nova velha eleição à presidência do Senado Federal, mas do registro policial de uma prática conhecida, porém alvo de vista-grossa das autoridades competentes: o uso de concessões de rádio e TV para a defesa de interesses políticos particulares.

“Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido” é a ordem que o senador dá a seu filho Fernando, que comanda a TV Mirante, afiliada da Rede Globo no Maranhão. O que o filho deveria colocar na TV é uma informação que ligaria o filho de Aderson Lago, primo do governador Jackson Lago e chefe da Casa Civil do governo estadual, a um esquema de desvio de verbas públicas. A conversa entre os dois foi publicada pela Folha de S. Paulo no último dia 9 e surgiu em escutas legais da Polícia Federal, que investiga movimentações financeiras feitas pela família Sarney durante a eleição de 2006.

Nesta eleição, Lago derrotou a filha de Sarney, Roseana. Agora, o atual governador enfrenta um processo de cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Com exceção da desfaçatez da confissão do senador, o fato de o clã Sarney não poupar sua concessão pública de TV na guerra com o governador Jackson Lago e seu primo poderia ser considerada quase como não novidade.

O “imortal” José Sarney detém concessões de rádio e TV por todo o Maranhão, além de jornais impressos. Em um dos estados mais pobres da federação, seu poder político atravessa décadas, sustentado tanto pelo poder econômico, quanto pela influência simbólica exercida através do controle de tantos veículos de comunicação.

Nesse contexto, o quase monopólio da informação se converte no que alguns especialistas da área de comunicação classificam como “coronelismo eletrônico”. “De modo geral, é a posse direta dos meios de comunicação e seu uso para fins políticos, assim como a posse da terra. O conceito transfere para os meios de comunicação o que existe em relação ao latifúndio”, explica Cristiano Aguiar Lopes, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e consultor legislativo da Câmara dos Deputados.

A materialização disto pode ser observada através da descrição do professor Francisco Gonçalves, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão. Segundo ele, existe no caso dos meios de comunicação, uma estrutura patrimonialista, que ganha particularidades no estado “uma vez que este modelo é utilizado [no MA] para negar a voz a determinados segmentos da sociedade, contrários a determinadas posições do grupo e/ou que fazem oposição política”.

“É preciso lembrar que este não é um problema que ocorre apenas no campo do sarneísmo”, lembra Gonçalves. “No caso específico do Maranhão, os coronéis eletrônicos se dividiram: uma parte está com o atual governo, outra com a oposição. Acontece que a maioria está na oposição.”

Dono do mundo

Lopes acredita que, no caso dos Sarney, a utilização política dos meios de comunicação serviu mais para reforçar um domínio que já existia, do que para construí-lo. Família de grande influência, o clã estabeleceu seu poder midiático em uma época onde não havia critérios para a concessão de outorgas.

“No inicio, era preciso ter um capital bastante expressivo, sobretudo no caso da TV. Além de influência, é preciso dinheiro” explica. “Quando começa a haver licitação [na segunda metade da década de 90] para a distribuição de outorgas, faz-se uma média ponderada entres os aspectos técnico e financeiro.” Contudo, é evidente que para atender aos critérios técnicos, o poder econômico se torna um argumento bastante convincente.

Como ocorre em vários outros estados, não é apenas através de suas próprias concessões que a família Sarney controla a mídia maranhense. Segundo Gonçalves, é preciso avaliar que além do controle familiar sobre o Sistema Mirante, existe todo um grupo político que o cerca e que controla outros veículos, além das retransmissoras de TV no interior afiliadas à rede dos Sarney. Isso aumenta significativamente seu poder de influência. “Basta lembrar que o segundo maior grupo de mídia do estado é da família do atual ministro de Minas e Energia [Edson Lobão], cujo filho, administrador do grupo, era o seu suplente de senador e que assumiu a vaga dele recentemente.”

Legislação permissiva

Não existe, no entanto, na legislação vigente sobre o tema, nada que proíba expressamente que um concessionário utilize sua outorga para uso político. É uma falha grave e uma demonstração da discricionariedade com que os legisladores têm tratado o tema ao longo dos anos. Enquanto não há ressalvas para os radiodifusores comerciais, a Lei 9612/98, que regula a radiodifusão comunitária, é explicita na vedação a qualquer tipo de proselitismo político ou religioso.

A Constituição Federal, por sua vez, proíbe que parlamentares detenham concessões, o que também é largamente desrespeitado. Segundo estudo da pesquisadora Suzy dos Santos, apenas no Maranhão, cerca de 70% das geradoras e 60% das retransmissoras são controladas por políticos. Todas as afiliadas à Rede Globo estão nesta situação.

“É uma situação imoral, mas é difícil enquadrar como ilegal, porque o sistema permite”, lamenta Lopes. “Há um debate e o Ministério das Comunicações tem um entendimento bastante sui generis: não pode ser diretor, mas pode ser dono.” É esta infinidade de interpretações que perpetua um sistema arcaico, em que também são exemplos Inocêncio de Oliveira em Pernambuco, Paulo Otávio no Distrito Federal e o espólio de Antônio Carlos Magalhães na Bahia, entre tantos outros casos.

“O modo de impedir esta situação seria restringir [o controle de concessões] para que tem mandato eletivo, além de democratizar as comunicações, através das rádios comunitárias, por exemplo”, afirma Lopes.

* Colaborou Luciano Nascimento, para o Observatório do Direito à Comunicação.


Visite também a página Donos da Mídia.

17.2.09

Cui prodest?














Quem sustenta a "face da corrupção"?

Não nos esqueçamos, Yeda chegou lá por mãos alheias, às quais paga tributo. Quid prodest? O que interessa é quem dá sustentação ao governo Yeda e as razões disso. As razões respondem à pergunta latina: Cui prodest? A quem interessa a existência da "face da corrupção" no comandando do maior orçamento do RS? Óbvio, os que dela (Yeda) e dele (orçamento) podem auferir lucros! E quem fica com o maior quinhão? A RBS! Duvida, então pense em quantos veículos a RBS dispõe em todo o RS - 80% da mídia gaúcha é explorada pela RBS. E em todos os veículos da RBS há sempre algum órgão público patrocinando algo. Para refrescar a memória, enquanto o DETRAN enfrentava uma auditoria arrasa quarteirão, o mesmo órgão patrocinava vários veículos da RBS. A influência disso podia ser constatada diariamente na Zero Hora. Ninguém lia que alguém era responsável pelo roubo de 40 milhões. Pasmem, o ladrão era... o DETRAN. Não entendeu? Então explico: o DETRAN é um órgão público, uma pessoa jurídica. Matavam dois coelhos com uma cajadada: denegriam um órgão público, esporte predileto da RBS, e desviavam o foco dos larápios.
Quando o Chefe da Casa Civil do Governo Yeda, Cesar Busatto, teve seu modus operandi exposto em praça pública pelas gravações do Vice-Governador, a RBS partiu pra cima do vice. Quando Jairo Jorge, eleito prefeito de Canoas pelo PT convidou Cesar Busatto, a RBS aplaudiu. Quando o mesmo prefeito envergonhado descantou o verso, a RBS fez um caderno especial de Domingo, chamando de a Volta da Guerra Fria. Portanto, para a RBS, negar salário público para um notório corruptor é ato de guerra fria. Conclusão: se há corrupção no RS, pode ter certeza, é porque os corruptos contam com o beneplácito da RBS.
Estamos vivendo um dos momentos mais degradantes da política gaúcha, com um governo de marionetes, cujo único objetivo é destruir as instituições públicas e atacar os movimentos sociais. Os resultados estão por aí, estendidos no chão: violência a qualquer hora do dia, dengue, febre amarela e leishmaniose ocupando os espaços deixados pela falta de saúde. Na educação então nem se fala, já que a falta dela é a marca de todos quantos ocupam cargo no atual governo.
E isto tem cara, é a coroa Yeda Crusius, sob patrocínio da RBS.

Fonte: Ficha Corrida

Rede Globo

Denúncia do Blog do Mello faz Globo recuar

Quem disse que a montanha não se move? Para quem ainda duvida do poder de penetração e influência dos blogs, leia esta: após a publicação aqui no Blog do Mello da denúncia do contrato draconiano que as Organizações Globo impunham aos que enviassem fotos, vídeos ou textos para o chamado Eu-Repórter, o termo de adesão foi mudado. A montanha se moveu e corrigiu os absurdos do contrato anterior.

Critiquei fundamentalmente três aspectos. Todos foram modificados. Agora, há até o compromisso de pagamento pelo trabalho (sabe aquele negócio do sistema capitalista de você receber uma remuneração pelo trabalho? Pois é, agora vale no contrato do Eu-Repórter, o que antes não acontecia, era tudo de-grátis). Vou repetir como era e como ficou.

Como era [os grifos são meus]:

3. - Cessão de Direitos - Pelo presente termo, o colaborador devidamente identificado e cadastrado no endereço eletrônico www.oglobo.com.br transfere à Infoglobo, a título gratuito e por prazo indeterminado, os direitos sobre as obras artísticas, fotográficas, audiovisuais e literárias que tenha encaminhado para o Projeto "Eu-Repórter", autorizando a sua utilização e reprodução, total ou parcial, em qualquer mídia ou meio físico, visual ou sonoro, inclusive eletrônico, cabo, fibra ótica, satélite, ondas e quaisquer outros existentes ou que venham a existir [querem ganhar até sobre o que ainda não existe!], e compreendendo, exemplificativamente, as seguintes atividades: publicação, comunicação, reprodução, divulgação (inclusive em seus produtos e campanhas de propaganda e de publicidade), oferta a terceiros (inclusive pela internet), exposição, edição, reedição, emissão, transmissão, retransmissão, comercialização, distribuição, circulação, tradução para qualquer idioma (com ou sem legendas), realização de versões e derivações, restauração, revisão, atualização, adaptação, inclusão em produção audiovisual, radiodifusão sonora e visual, exibição audiovisual e por processo análogo, inclusão em base de dados, armazenamento em computador, microfilmagem e demais formas de armazenamento do gênero.

3.1. O colaborador cede e transfere à Infoglobo, em caráter exclusivo, definitivo, irrevogável, irretratável e sem qualquer ônus, todo e qualquer direito patrimonial de autor relativo ao material encaminhado ao Projeto "Eu-Repórter", para utilização em território nacional e no exterior, concordando com que a obra cuja titularidade declara deter seja utilizada em associação com outros textos, títulos, documentos, gráficos e demais materiais de propriedade da Infoglobo, sendo possível a alteração do formato de textos, por exemplo, desde que inalterado o conteúdo principal.

3.2. O colaborador concorda e aceita que, em decorrência da cessão de direitos patrimoniais em questão, a Infoglobo transmita a terceiros, do seu grupo econômico ou não, os direitos ora cedidos, por cessão ou concessão, total ou parcialmente, de forma gratuita ou onerosa, mas sempre para as finalidades constantes da cláusula 3 supra.

Agora vem a parte mais incrível do contrato. Repare só:

3.3. A exclusividade de que se investe a Infoglobo será oponível mesmo contra o próprio colaborador, que não poderá reproduzir a obra cedida ao Projeto "Eu-Repórter" por qualquer forma ou a qualquer título, notadamente publicá-las, fornecê-las e comercializá-las a terceiros, a não ser para fins particulares e de caráter não econômico.

Você perde até o direito de publicar aquilo que originalmente era seu, e que deixou de ser, e, portanto, você poderá ter até que pagar para ter acesso a ele.

Como ficou [os grifos continuam sendo meus]:

3.1 Ao remeter conteúdos produzidos pelo USUÁRIO, o mesmo concede uma licença não exclusiva [ou seja, você não perde os direitos sobre seu material, como antes], gratuita, não revogável, global e perpétua à INFOGLOBO, para que a mesma divulgue e/ou exponha tais conteúdos livremente no site O Globo e em veículos de imprensa da INFOGLOBO e/ou das demais empresas que compõem as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO, para quaisquer finalidades, podendo ainda fixá-los e armazená-los em ambientes eletrônicos e/ou quaisquer suportes aptos à gravação e leitura de informações eletrônicas incluindo, mas não se limitando à ambientes na Internet, Intranets, demais redes públicas ou privadas de dados, dispositivos móveis tais como celulares e dispositivos de mão, computadores e aparelhos com capacidade de processamento de informações, mídias físicas como CDs, DVDs, cartões de memória, discos rígidos ou quaisquer outros suportes à informação eletrônica, assim como mídias tradicionais como TV e papel impresso e assemelhados.

3.2 O USUÁRIO igualmente concorda que a INFOGLOBO poderá comercializar com terceiros que não componham as chamadas ORGANIZAÇÕES GLOBO os conteúdos que houver submetido ao serviço Eu-Repórter. Nestes casos o USUÁRIO fará jus a um pagamento equivalente à metade do valor de aquisição do conteúdo efetivamente pago pelo terceiro, em até sessenta dias da data de referida transação.

Alguém aí ainda duvida do poder da blogosfera?

Fonte: Blog do Mello

16.2.09

HISTÓRIAS CABELUDAS

Postado em 8/02/2009 por WU

Na postagem anterior registramos que, pelo menos por algum tempo, não continuaríamos priorizando o trabalho de “leitura” de Zerolândia. Atividade que realizamos, diariamente, nos últimos três anos no espaço do blog. E sete anos na revista Pontodevista. Ao circularmos pela cidade, no último sábado, escutamos de quatro pessoas diferentes relatos de situações sobre as quais não poderíamos deixar de realizar um rápido registro. Sem maiores considerações. E poderíamos fazer várias. Relatos que foram se complementando com novos detalhes.
Nos últimos 20 anos, sempre que tenho uma oportunidade digo aos alunos que o jornal “O Estado de São Paulo”, o velho “Estadão”, é uma verdadeira entidade. Reacionário, conservador, de direita, ou qualquer outra denominação que se queira dar a ele, de fato; é um jornal na medida em que não briga com a notícia. Tem a tradição de ter o melhor noticiário internacional. Houve um tempo que possuia correspondentes nas principais cidades do mundo. Jornalistas de nome. Sou, também, do tempo em que se ia até a Praça da Alfândega, nos domingos, para comprar o “Correio do Povo” e o “Estadão”, em grande parte, pelo noticiário de mundo deste útilimo. E, claro, para ver o desfile das gurias na saída do cinemas. Estudantes compravam jornal.
A “entidade O Estado de São Paulo” estaria processando o multimídia Rodrigo Lopes, de Zerolândia, por plágio. Episódio comentado por três pessoas da redação. Esse é o verdadeiro “garoto de outro”, do PRBS. Não é um tosco qualquer. Tem diploma. Não foi feito no corte de ”machado”. Das observações que me foram passados, pelo menos duas delas ricas em detalhes, cabe ainda destacar o fato de que poucos aguentam seus relatos de viagem. O papo é sempre o mesmo: detalhes operacionais e técnicos sobre a “cobertura showrnalística”. Nada de impressões jornalísticas. Nada sobre a experiência de vida. Segundo estas pessoas uma pobreza total. Algumas não assistem mais. Coisa do tipo não me desgrudei dos equipamentos. É bem diferente de um relato de um Jack London ou de um Mark Twain. Seria querer demais. Parece que o “multimídia internacional” chegou a ser alertado para que não assinasse a matéria. Assinou e não deu outra. Não vamos nem perder nosso tempo comparando os textos publicados pelos dois jornais. Um exercício que poderia ser de demolição, comparativa. Tema para uma monografia acadêmica. Temos colecionado as impressões de viagens do Rodrigo Lopes. A intenção era a de realizarmos um verdadeiro desmonte. Usaríamos como ponto de referência o jornal “O Estadão”, pelas razões já apontadas. Deixamos de lado a idéia. Desistimos já faz algum tempo. Cansa e ao mesmo tempo é como tirar “bala de criança”. Chega uma hora que perde a graça. No entanto, a ação do “Estadão” nos indica que a nossa percepção não tinha como ponto de partida uma posição equívocada. Uma coisa raivosa e acentada em uma atitude preconceituosa. Nada de ranço e arrogância. Não estamos, obviamente, condenando ninguém por antecipação. Não temos este poder. Como jornalista, na função de educador, estamos levantando a discussão sobre informações que correm na categoria. O objetivo é quase que só didático.
Estamos convencidos que temos muitas outras coisas mais importantes na vida do que ficarmos, unicamente, monitorando Zerolândia. Sempre se corre o risco do “emburrecimento”. Mas o registro do enterro de um brigadiano, edição de 07.02.2009, página 34 se comparado a episódios idênticos com as contracapas “Adeus ao filho Soldado” em 10.11.2007; “A herança de um herói”, de 07.06.2006; e “Luto pelo irmão na tropa”, edição de 02.08.2008, possibilitará entendermos o grau de manipulação promovido pelo PRBS. Não vamos nem perder tempo escaneando as imagens para efeito de comparação. O velho Marcos Faerman (Marcão) dizia que jornalista trabalha, permanentemente, fazendo comparações. O “Marcão” nunca processou ninguém por este apelido. Não adquiri esta prática na academia. É perda de tempo. Mas fiquem atentos: a subjetividade violência total está sendo substituída - gradativamente - pela perfumaria total. O camarada Bisol não está nem mais interessado nessa discussão.
Existe ainda uma outra figura, também da redação do PRBS, que tem se apresentado aos colegas como sendo o primeiro repórter promovido pela empresa à condição de multimídia. O que tem provocado um monte de gozações. Motivo de mais piadas. Ninguém acredita que um tosco, com duzentos botões para apertar, possa fazer jornalismo. O cara tem ficado enredado entre máquina fotográfica, câmera de vídeo e o gravador. Só mesmo showrnalismo. Imaginem um homem de Neanderthal apertando botões e teclas. Não vou nem me deter muito para não parecer que estou sempre aumentando a área de atrito. Estamos fazendo de tudo para não esticarmos tanto a corda mas, acreditem, é difícil. O apelido tudo mundo na categoria sabe. Não há nenhum registro de que, em algum momento de nossa trajetória, tenhamos tido por prática o hábito de criar apelidos. Ficamos sabendo, por exemplo, que quando ele vai receber algum prêmio a empresa recomenda que ele não fale. Não abra a boca. Uma coisa não bate com a outra. O cara é promovido a primeiro repórter multimídia do PRBS, segundo ele próprio tem anunciado e, por outro lado, a empresa pede para ele não abrir a boca? A falcatrua tá rolando solta. O advogado de Pontodevista está se dispondo a pagar os custos para a realização de uma perícia (completa) da foto da criança que já nasceu envolta pela bandeira do Brasil.
Existe um sentimento de contrariedade ao realizarmos esta postagem, acreditem. Não era nossa intenção continuarmos, pelo pelo menos por algum tempo, envolvidos com toda a probreza deste universo showrnalístico. É repetitivo. Cansa. É com uma certa tristeza e sensação de perda que fazemos referências a episódios envolvendo ex-alunos. Mas a passagem pela sala de aula sempre deixa pistas. Possibilita termos alguns indicativos.
A carta de “despedida do Mino Carta”, no futuro, será apontada como um marco na história do jornalismo. Tenho absoluta convicção de que será uma linha divisória. Zerolândia deu uma “notinha” (página 10/edição de 07.02.2009), evidenciando o fato de que ele teria dito estar “decepcionado com os rumos do governo Lula”, frase que destacada do contexto agrada ao PRBS, deixando de lado “minha crença no jornalismo faliu.” Afirmação que se feita por nós não teria grande significado. Temos dito que JORNALISMO é subversão. E o que aí está é perfumaria, secos e molhados. Torcemos para que ele não fique muito tempo afastado.
Zerolândia, em contrapartida, é a expressão deste quadro de falências. Faz o pior jornalismo do país. É um lixão. Podemos viver sem ela. Eu leio por obrigação. Em alguns momentos fico irritado. Algumas vezes tenho vontade de vomitar. Tenho, sempre, a certeza de que luta de classes existe. Na atualidade estou achando tudo muito tragicômico. Também, no sábado, um velho jornalista linha de frente, da década de 70 até os dias atuais, nos disse que deixou de ler Zerolândia está fazendo uns dois anos. E não sente a mínima falta. Faz muito tempo que o ensino de jornalismo faliu. É o ensino da covardia. O Carlos Wagner de tão em cima do muro, em relação ao MST, vai ser santificado. O apelido toda a categoria sabe. E tudo indica que a crise está pegando feio. Não tenho celular. Podem discar para o fixo e evitem as filas. Empresas multimídia economizam na conta telefônica. Mas principalmente no salário.
Vou continuar tentando ficar longe deste tipo de postagem. Fico sempre na torcida para que não me relatem estas “histórias cabeludas”. O PRBS perdeu a noção do ridículo. É um saco ter que escrever pedindo tantas desculpas por pensar. Não tenho mais nada a dizer. Muitos integrantes da GrupoLânDIA são, de fato, do mal. Quero o máximo de distância.
Chega. E no entanto não posso fazer nada. Respiro JORNALISMO.

@@@@@@@@@@ esta é a primeria versão do texto. Um rascunho. Deveremos realizar ajustes, acréscimos e uma revisão.
Fonte: Blog Ponto de Vista

15.2.09

Sobre monopólios midiáticos

A manutenção do mais terrível
e desastroso governo
que o RS já teve
só é possível por causa do monopólio midiático
em moldes medievais.


Ary, em comentário no RSurgente, sobre o processo criminal que a Governadora Yeda Crusius irá mover contra os sindicatos que bancaram a campanha "Conheça a face da destruição do RS".

13.2.09

Lula abre fogo contra a grande mídia


Diante de quase 5 mil prefeitos o presidente Lula fez uma desabafo na frente de 5 mil prefeitos e prefeitas. Visivelmente irritado, Lula torpedeou a grande mídia, que condenou o governo por promover o primeiro encontro de prefeitos e prefeitas, dando a entender que o objetivo do evento foi articulado para beneficiar Dilma Rousseff. Lula disse : "disseram que este ato eu ia fazer o pacote da bondade e que o presidente vai dar dinheiro para prefeito bandido. Como é fácil julgar as pessoas. Não deram nem sequer a oportunidade para vocês [prefeitos] mostrarem que não são os ladrões que escrevem que vocês são." Lula também sentou a ripa em FHC dizendo que os prefeitos e prefeitas antigamente eram recebidos com cassetete e cachorros em Brasília e agora são recebidos como estrelas, como verdadeiros protagonistas. Lula valorizou a figura dos prefeitos e o trabalho desenvolvido por eles nas suas comunidades, aumentando a participação dos municípios. Lula também destacou os avanços e a democratizando serviços federais, facilitando a vida dos prefeitos e impedindo atravessadores de verba pública. Tenho certeza que Lula marcou um golaço ao defender os prefeitos, no entanto, Paulo Ziulkoski, presidente da CNM (Confederação Nacional de Municípios), foi deselegante com Lula, descarregando cobranças e exigências por mais recursos Federais e menos tributação. Lula foi elegante ao dizer que "nunca na história desse país" ahaha os prefeitos e prefeitas foram tão valorizados e respeitados e que dinheiro todo mundo quer, mas na hora de pagar impostos os ricos não querem pagar nada e mobilizam mundos e fundos contra os governos para se livrar da tributação enquanto que os pobres pagam a conta.

Fonte: Tomando na Cuia Reload

9.2.09

Conferência Nacional de Comunicação começa a ser delineada

Fonte: FNDC
Por Candice Cresqui* - FNDC - 08/02/2009

Começa a tomar forma a primeira Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica dos movimentos pela democratização da comunicação. Na última sexta-feira (6), a Comissão Nacional Pró-Conferência deliberou quais entidades serão indicadas para integrar a organização do evento. Entre elas está o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), um dos principais atores na mobilização pela Conferência. a nominata será apresentada na próxima terça-feira (10) em reunião com o Ministério das Comunicações (Minicom).

Além do FNDC serão indicados o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitárias (Abraço), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Coletivo Intervozes de Comunicação, a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert) e o Movimento Negro Unificado, entre outras entidades**. A Comissão irá sugerir como tema central para o debate na Conferência a idéia de que “as comunicações são meios para a construção dos direitos e da cidadania”.

A realização da Conferência está prevista para os dias primeiro, dois e três de dezembro de 2009. As fases municipais serão feitas até 22 de junho e as etapas estaduais de 30 de junho a 15 de setembro. Até outubro serão sistematizadas as propostas**. O Executivo comprometeu-se em publicar ainda neste mês o decreto convocando a Conferência e a portaria que designará a Comissão Organizadora. A data escolhida para a Conferência refere-se ao Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação, realizado no ano passado (leia aqui), e aos dois anos de implantação das TVs Pública e Digital no Brasil.

A definição do cronograma foi feita na última terça-feira (3) quando representantes da Comissão Nacional Pró-Conferência reuniram-se com André Barbosa, Assessor da Casa Civil para assuntos de Ciência e Tecnologia, Marcelo Bechara, Assessor Jurídico do Minicom, Gerson Luiz de Almeida Silva, secretário Nacional de Articulação Social da Presidência, Diogo Santana, assessor da Casa Civil e Sylvio Kelsen Coelho, assessor da Secretaria de Comunicação Social. Participaram ainda a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), Jeronimo Guedes, representando o deputado Walter Pinheiro (PT-BA); Márcio Araújo, assessor da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e Luiz Liñares, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI). A confirmação da Conferência foi feita pelo Presidente Lula, durante o Fórum Social Mundial, em Belém.

Para Roseli Goffman, Coordenadora de Mobilização da Executiva do FNDC e representante do Fórum e do CFP na Comissão Pró-Conferência, o próximo passo é buscar junto ao Executivo “que a Comissão Organizadora seja plural e democrática para garantir esse caráter também à Conferência”. O FNDC defende a realização de uma Conferência tripartite, com a participação da sociedade e movimentos sociais, das empresas de comunicação e do Executivo.


Confirmação mobiliza FNDC

A confirmação da Conferência determinou mobilização das entidades nacionais e comitê regionais integrantes do FNDC, que se movimentam para defender um formato democrático. Conforme o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sérgio Murillo, a convocação resulta da pressão dos movimentos sociais que, apesar da ambigüidade do governo e da clara contrariedade de alguns setores, lutam por ela há muito tempo.

Ele destaca a atuação do FNDC nessa mobilização e espera que a Conferência siga os moldes propostos pelo Fórum, conforme apontam as resoluções da última Plenária da entidade (confira aqui). O ponto central, segundo ele, deve ser o envolvimento de toda sociedade para a construção de políticas públicas de comunicação. “Normalmente, esse debate é controlado por setores burocráticos do governo, pelo empresariado e pelo parlamento com participação bastante reduzida. A grande novidade é que a Conferência pode assegurar nessa discussão a participação social”, afirma.

Coordenadora do Comitê Regional do Rio Grande do Sul, a pedagoga Cláudia Cardoso, se disse surpresa com o anúncio da Conferência. “Mas uma surpresa muito agradável. Acho que realmente o presidente Lula ouviu o clamor da sociedade. Fomos ouvidos, depois de quase dois anos de reuniões, de debates”, afirma.

Cláudia espera ver na Conferência o debate sobre uma nova comunicação, abordando todas as transformações que o setor vem passando nos últimos 15 anos. “Se a gente conseguir debater isso, mostrar como a nossa legislação é anacrônica, atrasada, e tentar atualizá-la, sairemos felizes. Precisamos mostrar novos caminhos, um novo marco regulatório, um novo marco filosófico da comunicação no país, privilegiando a informação como um direito”, defende.

Segundo a Coordenadora, o Comitê gaúcho deve realizar encontros e seminários preparatórios para a Conferência. “O FNDC tem conhecimento, tem história, tem acúmulo para mostrar porque temos que discutir comunicação, qual é a importância dela no dia-a-dia das pessoas, o que ela define, o que ela não define. O FNDC pode oferecer para a sociedade brasileira uma discussão qualificada de porque discutir comunicação no país”, afirma.

Reconhecer o processo em curso

Na opinião de Rosane Bertotti, Secretária Nacional de comunicação da CUT, a realização da Conferência representa “uma conquista da nossa capacidade de argumentação e negociação. A partir do momento que o governo Lula diz que vai chamar a Conferência ele está reconhecendo a luta dos movimentos sociais”. Para ela, é preciso reconhecer o processo já construído e tê-lo como subsídio.

“A Conferência tem como tarefa fazer uma analise geral da realidade da comunicação no país, e a partir daí, produzir novas propostas, novas políticas públicas e reformular o marco regulatório das comunicações”, sustenta. Rosane ressalta ainda a importância do envolvimento dos governos municipais e estaduais para garantir o caráter democrático e massivo da Conferência. De acordo com a sindicalista, a CUT pretende fazer um grande debate sobre comunicação com os seus sindicatos.

A necessária participação dos setores público, privado e estatal no âmbito da comunicação também é destacada por Jonicael Cedraz, coordenador do Comitê FNDC da Bahia. “Vamos sentar juntos, os representantes dos poderes legislativo, executivo, os empresários e o nosso campo da sociedade civil para definir como garantir à sociedade brasileira, nos seus diferenciais, nos seus limites e contradições, práticas de comunicação democráticas”, observa.

Para Jonicael, a Conferência deve ter como foco principal a formulação de um novo marco regulatório, mas para isso também deve garantir que campos como o da educação sejam representados. “Devemos pensar a realidade brasileira, pensar a comunicação como uma forma de contribuir para a democracia em todos os meios”. O Coordenador baiano destaca a experiência do seu estado, que realizou uma conferência estadual de comunicação (leia aqui) como um momento importante no país. No entanto, salienta que ela não deve ser tomada como base para a Conferência Nacional, pois, além de ter tido um caráter estritamente regional, “os movimentos sociais foram secundarizados nas discussões”. A Bahia deverá produzir novamente debates municipais e estaduais para se inserir na etapa nacional.

Participação de setores discriminados

De acordo com Sheila Tinoco , coordenadora de Comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), a Conferência responde ao clamor das entidades identificadas com a luta pela por uma comunicação mais democrática, tanto as diretamente ligadas ao setor como aquelas que incorporaram em suas pautas a importância da comunicação para construção de uma sociedade democrática. Para a Fenajufe, é fundamental também a participação de setores discriminados na sociedade, como negros, homoafetivos, mulheres, portadores de deficiências, trabalhadores sem-terras, sem-teto, entre outros.

Como informa a coordenadora, a Fenajufe tem mobilizado seus sindicatos para a realização da Conferência. A entidade realizou no ano passado um encontro nacional sobre comunicação, firmando como resolução participar na luta nos âmbitos nacional e estaduais.

Lidyane Ponciano, Coordenadora do Comitê mineiro do FNDC, ressalta que pela primeira vez a comunicação ganha destaque na agenda política nacional. Mas ressalva que este é apenas o primeiro passo. “São muitos os gargalos a tratar na Conferência e sabemos que os avanços serão a passos lentos, mas pelo menos agora temos um espaço legítimo de discussão”. A jornalista salienta a importância de debater a democratização do conteúdo dos meios de comunicação. “O conteúdo deve ser construído com a participação da sociedade. Temos o direito de opinar sobre qual conteúdo queremos ter acesso, quem será o responsável por esse conteúdo e como ele chegará aos nossos lares”, diz.

Em Santa Catarina, Natércia Magaldi, que coordena o Comitê catarinense do FNDC, vê o anúncio como um grande avanço. Para a psicóloga, a primeira conferência sobre comunicação evidenciará o quão fundamental é para a democracia o direito à diferença, e às mais diversas fontes de informação.

*Com Fabiana Reinholtz

**Grifos nossos.

8.2.09

Saldão da RBS: Compre um telejornal e leve a Rede inteira


Negociação de mídia do conglomerado gaúcho com anunciante inclui "reportagens" em TV, rádios e jornais



Conforme este Cloaca News já demonstrou em 06/12 último (clique aqui para reler), o grupo RBS é useiro e vezeiro em praticar o jornalismo-michê para quem se dispuser a pagar por uma reportagem-boquete. Agora, o maior grupo de comunicação do Sul do país - e um dos quatro maiores do Brasil - inova ao lançar um inacreditável pacotão, envolvendo praticamente todos os seus veículos, eletrônicos e impressos. Se, antes, vendiam o espaço editorial "apenas" do Jornal do Almoço, pela RBS TV (afiliada da Globo), agora resolveram verticalizar a bandalheira.
Há uma semana, um importante evento no interior gaúcho, ligado a um expressivo setor da indústria brasileira, fechou um inédito contrato para exibição de "matérias jornalísticas", por um precinho promocional. Na baciada, estão incluídas reportagens nos programas da própria RBS TV (Jornal do Almoço, Bom dia Rio Grande, RBS Notícias e Teledomingo), da TVCOM (canal em UHF do grupo), da Rádio Gaúcha e nas páginas dos tabloide Zero Hora e O Pioneiro, de Caxias do Sul. O acordo prevê um determinado número de "inserções", com a participação dos apresentadores, colunistas e comentaristas - entre os últimos, destaque para o comentarista político e vendedor de salames Lasier Martins.
Pela sua importância econômica e magnitude, o evento em si já justificaria uma ampla cobertura jornalística, principalmente pela imprensa regional, tanto que os grupos de mídia concorrentes assim o fizeram - sem cobrar por isso. Mas, na hegemônica RBS, ou paga-se ou nada. Assim, para que a maioria do povo do Rio Grande do Sul tomasse conhecimento de um de seus eventos mais emblemáticos, foi necessário pingar 300 mil reais na conta dos Al Capones gaúchos da notícia. Parte deste "investimento" você pode conferir clicando aqui.

300 mil reais!!!
Fonte: Cloaca News

29.1.09

Clã Sirotsky condenado a pagar indenização milionária

Um passarinho nos contou e fomos conferir no blog do Políbio Braga: dia 30 de dezembro de 2008, o juiz Eduardo Kothe Werlan condenou a Família Sirotsky, nas figuras de Jayme Sirotsky, Nelson Pacheco Sirotosky, Carlos Eduardo Schneider Melzer, José Pedro Pacheco Sirotsky, Sônia Sirotsky, Marcelo Sirotsky mais Luiz Alberto Barichello e Terra Ville Participações Ltda., a pagar indenização de R$ 24.525.000.00 (vinte e quatro milhões, quinhenteos e vinte e cinco mil reais) para Mário César Terra Lima, idealizador e primeiro dono do condomínio horizontal Terra Ville.

Destacamos algumas partes da sentença [cabe recurso] de 52 páginas e vocês podem tirar as conclusões que quiserem a respeito de como afastar alguém que "atrapalhe o negócio":

[...] constata-se que os problemas verificados integram a atividade e não comprometem a qualificação profissional do engenheiro Mário César Terra Lima. Isto ficou estampado no laudo sério e irretocável da engenheira-perita Isabela Beck da Silva Giannakos nos autos apensos da cautelar da perenização da prova. A acusação de incapacidade laboral apenas escamoteava a intenção de afastar dos negócios o idealizador do Condomínio Terra Ville. [...]

[...] A tese argüida, no sentido de que o engenheiro Mário César teria assinado alguns dos contratos mencionados sem condição de saúde física e psicológica que lhe permitisse adequada avaliação e comprometimento do ato não pode ser acolhida, primeiro porque inexiste laudo técnico datado da época da assinatura para sustentá-la e segundo porque o próprio, autor Mário César Terra Lima disse ter firmado os pactos de bom grado, ainda que entendendo que merecessem alguma ressalva, assinando-os mesmo após ter sido alertado pelo advogado de acordo com seu depoimento de fl. 1458: “ ... Eu voltei e assinei tudo o que me pediram. Tudo o que me pediram eu assinei. E vou lhe dizer eu assinei tanta outras vezes porque tinha confiança absoluta no seu Jaime e no filho dele. Tinha confiança absoluta na família ... Temos que fazer uma reunião eu, o senhor (Jaime) e o Marcelo junto ... então a mudança essa, patrimonial, para a minha família, foi chocante. Então eu mostrei para o seu Jaime isso, ele concordou, naquela época ele concordou que nós tínhamos que rever, então, e assinar outro contrato ...”; fl. 1473: “... Eu jamais falei que o contrato era nulo. Jamais falei que por eu estar doente o contrato era nulo. Isso não.”. Na realidade Mário César não se revela apenas inteligente na área de engenharia, foi sempre muito experto para os negócios como na ocasião em que relatou ter adquirido área de 14 hectares por cerca de cem mil reais, a qual foi incorporada aos muros do Terra Ville e passou a valer o dobro para cada um de seus vários lotes produzidos com o espaço original.

Desse modo, ainda que os contratos reflitam apenas parte da realidade negocial existente, eles não podem ser considerados nulos ou passíveis de anulação posto que sob o ponto de vista formal não apresentam ou apresentaram vícios na origem nem durante sua execução, estando alguns inclusive já resolvidos. [...]

[...] De igual sorte, em feito conexo, constata-se a inexistência de descumprimento de cláusula contratual por parte da empresa Terra Lima Construções e Incorporações Ltda., representada por Mário César Terra Lima, que pudesse resultar na rescisão do contrato de prestação de serviços, eis que não restaram comprovados vícios construtivos capazes de sustentar tal pedido feito pelos atuais representantes da empresa Terra Ville nos termos da análise da produção antecipada de prova, bem como pela falta de comprovação da adoção de conduta duvidosa na liberação das plantas junto à Prefeitura e ameaças aos demandados por parte de Mário César, conforme decisão exarada nos autos nº 001/1.05.0161195-2 (ação de resolução de contrato cumulada com cobrança de multa contratual e indenização por danos morais), processo que demonstrou o descumprimento do pactuado por parte da contratante Terra Ville Ltda. Pela perda do “affectio societatis”. [...]

O total das indenizações pelos três módulos I, II e III globaliza R$ 24.525.000,00.

Aérea do condomínio de luxo na zona sul de Porto Alegre.
Parte das terras pertenceram ao falecido Maurício Sirotsky Sobrinho.
Fonte: Dialógico

28.1.09

RBS quer voltar à casa do Pai


De partido político da direita guasca à Disneylândia de bombachas?

Não é de estranhar que o jornal Zero Hora ao falar em Guerra Fria no Rio Grande (ver suelto abaixo, de 26/1) esqueça de mencionar que um dos combustíveis do conflito Leste-Oeste foi o anticomunismo.

No RS, hoje, o anticomunismo foi atualizado por um sucedâneo ideológico chamado antipetismo. O constructo do antipetismo é uma construção puramente mental – a exemplo do anticomunismo – usado com a funcionalidade de impressionar os espíritos simples do senso comum e mobilizar preconceitos e mitos os mais arraigados.

Quando esses elementos primitivos são excitados no fundo escuro de um espírito ingênuo ou mal formado, a razão passa longe e o indivíduo fica dominado por sensações que vão do medo à intolerância mais funda – presa fácil da propaganda mais simplificadora e rebaixada.

O anticomunismo tinha o mesmo efeito que o bicho-papão para as crianças. Ambos não existiam, mas operavam no susto. A velha União Soviética nunca quis exportar a revolução, aliás, um dos motivos pelos quais não se pode chamar aquele falecido regime estatal de comunista ou socialista.
Se o comunismo foi um bicho-papão que não era bicho nem papão, o mesmo se pode dizer do petismo, especialmente na atual fase de descenso e acomodação conciliatória.

Como se vê, a RBS usa velhos truques manjados para continuar assustando a população menos atenta com tigres de papel pintado.

O Rio Grande do Sul sempre se notabilizou por ter uma imprensa partidária forte e atuante. Do final do século 19 até boa parte do século 20, o Estado e suas principais cidades do interior ostentaram jornais e publicações identificados com os partidos políticos que faziam o debate público regional. O castilhismo-borgismo fez a sua revolução burguesa também através das páginas de “A Federação”, bem como os órgãos de imprensa alinhados com os maragatos, ferrenhos opositores dos republicanos sul-rio-grandenses.

A luta das frações de classe burguesa no Rio Grande sempre foi pública e publicada, pelos menos até o advento do golpe de 1964. Com o regime civil-militar golpista houve um rearranjo neste esquema.

Os dois principais jornais do RS – Zero Hora e Correio do Povo – modificam a trajetória de alinhamento político da imprensa regional. O Correio, criado em 1895, surgiu precisamente para quebrar o paradigma de que jornal deveria estar vinculado a partido político, e não se afiliou a nenhuma linha partidária, mas acabou ficando porta-voz do latifúndio e do setor primário em geral. Hoje, completamente desfigurado é apenas uma caricatura do seu passado.

O jornal ZH, do grupo RBS, é criado imediatamente após o golpe de abril de 1964 e se fortalece à sombra do crescimento da televisão como meio de comunicação de massa no Estado. ZH não tem a mesma origem dos demais órgãos de imprensa do País, cuja personalidade como jornal forjou-se na forma tradicional de fazer diários. Zero Hora resultou da reciclagem errática de um jornal com opinião política aberta – a Última Hora – e firma-se como orgão de mero apoio comercial à mídia televisão, uma espécie de revista de variedades, com notícias e informações em segundo plano. Seu criador, Maurício Sirotsky Sobrinho, sempre foi um animador de programas de auditório com afinado instinto comercial, e depois proprietário de rádios, e jamais teve formação de jornalista militante de redações diárias. Esse é um dos motivos de ZH ser tão pobre em texto e reportagem, as bases são insólitas e não há o menor traço de pedigree jornalístico.

Criado e crescido, portanto, na estufa morna da ditadura civil-militar, ZH cultivou hábitos de ocultar sua filiação político-ideológica, preferindo a política da dissimulação e da camuflagem. Mas isso não significa que não tenha personalidade política e identificação ideológica, ao contrário, não só ZH mas os demais veículos da RBS acabaram ocupando a lacuna funcional dos anêmicos partidos cartoriais do conservadorismo guasca.

Existe alguma ilegitimidade ou ilegalidade nesta representação política delegada da direita? Na origem, nenhuma. O que se contesta é a ocultação permanente desta representação. Aí passa a constituir-se num desvio de função e numa falsidade ideológica (para não falar em constituição de oligopólio de meios de comunicação, que é considerado crime, ao qual o MP Federal de Santa Catarina já está investigando) que deve ser reprovada e denunciada todos os dias.

Recentemente, o grupo RBS recebeu aporte de capital do investidor Armínio Fraga, cerca de 4% do seu capital social. Objeto do aporte: tornar um braço do grupo um forte player no ramo do entretenimento de massas no Brasil.

Vê-se que a RBS retorna ao seu leito de origem, como no mito bíblico, o bom filho à casa torna. Maurício Sobrinho, seu fundador, foi um animador de auditório bem sucedido, pois, agora, seus sucessores fazem justiça ao legado do patriarca voltando ao ramo do entretenimento – de onde nunca deveriam ter saído.

Agora, espera-se que dêem o looping negocial: que saiam do ramo partido-político-da-direita-guasca e migrem em definitivo para adotarem o figurino da Disneylândia de bombachas.

Que Ha-shem os ilumine (e Fraga os financie)!
Fonte: Diário Gauche

27.1.09

A metalinguagem da Guerra Fria




Realimentando o antipetismo guasca

A política tradicional consagrou – entre tantos outros – um mandamento na sua prática deletéria que afirma haver quatro ordenamentos no pensamento político:

1. O que se pensa e se diz;
2. o que se pensa, se diz, mas não se escreve;
3. o que se pensa, mas não se diz, nem escreve;
4. e finalmente aquilo que nem se pensa – ou por perigoso ou por disparatado.

Pois bem, o impensável está acontecendo no RS – por perigoso e por disparatado: a governadora Yeda Rorato Crusius está querendo se reeleger.

Para tanto, o grupo RBS – que tem a funcionalidade orgânica de um verdadeiro partido político (na lacuna dos simulacros partidários que conhecemos), cogitando, debatendo, fabricando versões favoráveis da realidade, sondando, e muitas vezes até arbitrando em favor dos interesses da direita guasca – através de seus principal jornal, Zero Hora, ontem, na edição dominical, lançou um balão de ensaio sobre a reeleição da governadora tucana.

Usando o modelo formal da metalinguagem, ZH apropria o imaginário da Guerra Fria para descrever uma possível reativação de conflitos a partir do caso Busatto-JJ. Só que ao usar a metáfora da Guerra Fria, o próprio jornal-partido está promovendo a Guerra Fria, ele mesmo. Para tanto, não se cansa em lembrar velhos pequenos mitos negativos usinados (pela própria RBS/ZH) para estigmatizar o PT e o governo estadual do petista Olívio Dutra (1999-2002), o incêndio do relógio dos 500 anos da Globo, Clube da Cidadania, Diógenes de Oliveira, invasão da Assembleia, CPI da Segurança Pública (cuja decisão de executá-la com ímpeto golpista foi realizada simbolicamente numa cachaçaria, em alusão a uma atribuída preferência do então governador Olívio), e até um pequeno boneco onde o governador petista é representado com o nariz alongado de Pinóquio. Zero Hora juntou todas essas alusões e referências negativas – construídas e divulgadas pelo próprio jornal – e fez uma memória do que chama de Guerra Fria do Rio Grande. Não falta nem uma bandeira vermelha da URSS em oposição à estelar bandeira estadunidense – imagens fortes que realimentam imaginários que o senso comum não gostaria de reviver.

Como bons intelectuais orgânicos da direita guasca que são, o grupo RBS está dando a largada para a corrida eleitoral de 2010. Trata de refrescar a memória do senso comum para o clima que deve ser evitado no próximo quadriênio administrativo no Estado. Ao mesmo tempo, quer mostrar um PT ressentido, isolado e distante do que está sendo o PT do lulismo na área federal.

A conclusão da matéria não é favorável à nova candidatura da governadora Yeda, e nem desfavorável. O objeto dos editores não foi construir uma positividade, mas uma negatividade. Visa realimentar o constructo do antipetismo de maneira a favorecer, numa segunda etapa da campanha, aí sim, um José Fogaça, um Germano Rigotto, um Pedro Simon e, no limite, até o impensável – uma Yeda Rorato Crusius.

Coisas da vida.

Fonte: Diário Gauche

25.1.09

Kayser


Quod erat demonstrandum

C.Q.D. – Como Queríamos Demonstrar. Tudo funcionando perfeitamente, de acordo com o fluxograma.

Agências que atuam em Gaza protestam contra a BBC

Sede da BBC em Londres
Pena que a moda não pega por aqui! Lemos, no blog do Omar, que, em Londres, 200 pessoas se reuniram em frente a BBC para reclamar de sua editoria, que se negou a veicular mensagem de apelo humanitário para os residentes na Faixa de Gaza.

Motivo: manter a condição de imparcialidade na sua programação pela qual a BBC é reconhecida internacionalmente.

Aqui, cabe um destaque. Entendemos que não existe imparcialidade na mídia, uma vez que a escolha da pauta já propõe um recorte naquilo que é ou não notícia, ou entretenimento. No caso da BBC, no entanto, reconhecemos a diversidade da pauta e a busca de uma produção de qualidade tanto do conteúdo, como na sua apresentação.

Desta forma, entendemos que a mobilização se deu em virtude de uma decisão parcial da editoria da empresa de televisão pública respeitadíssima pelo seu público. Tanto é assim, que o presidente da Iniciativa Muçulmana Britânica, Mohammed Sawalha, afirmou que a BBC "deveria se envergonhar da cobertura sobre a agressão de Israel”.

A notícia da mobilização é encontrada na própria página da BBC/Brasil. E, segundo o Omar em seu blog: A publicação dessa notícia no próprio sítio da BBC deixa margem a algumas interpretações. Uma delas é de que parece haver uma disputa a respeito de sua linha editorial, pelo qual concordamos plenamente.

23.1.09

ZH emburrece o leitor


Prende eles tudo, Protógenes!

O site do pasquim da Ipiranga hoje dá uma demonstração inequívoca do tipo de jornalismo praticado pelo grupo RBS. É inacreditável a capacidade daquela redação de distorcer e encobrir torturando a verdade.
O Ministério da Justiça, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal de São Paulo conseguiram finalmente identificar a propriedade dos valores bloqueados no exterior pela chamada Operação Satiagraha. São quase meio bilhão de dólares e de contas do Banco Opportunity. Estas contas financiaram os esquemas de corrupção ainda sob investigação. Conforme o Estadão, pode-se saber a relação do dinheiro e do banco com Celso Pitta, Naji Nahas e Daniel Dantas, nada disto o jornal gaúcho aponta.
Já em ZH, o leitor além de não saber a conexão do dinheiro com o mundo real (nome aos bois), ainda amarga uma conexão malévola do delegado da polícia federal responsável pela investigação e pelas duas prisões de Dantas: Protógenes Queiroz citando supostas escutas ilegais e a processo disciplinar na PF. A intenção de ZH é aliviar o lado de Dantas, parceiro de longa data e patrão de Antônio Britto no banco que comprou a CRT privatizada por ele e aplaudida pela RBS.
Este blog apoiaria a proposta de uma estátua de Protógenes Queiroz na Praça da Alfândega, afinal ele foi o honrado servidor público que conseguiu a façanha de prender Dantas, duas vezes, um banqueiro! No Brasil! Alguém já viu isto antes? Protógenes é o cara, e ZH tenta desmoralizá-lo. Gostei ainda mais dele.
Fonte: Agente65

12.1.09

Celetistas da RBS fazem propaganda de Israel

O pleno exercício da violência simbólica

Alguns blogs já publicaram em tom crítico a charge de ZH, do último sábado. Faço questão de também registrar aqui no DG esse material de propaganda subliminar israelense.

Essa “piada” de péssimo gosto vale por um editorial. Como pegaria mal uma família judaica (Sirotski), dona de uma rede midiática (RBS), publicar editoriais com divulgação de razões e justificações para o genocídio de civis na Faixa de Gaza, eles optam por fragmentar o tema em pequenas pílulas venenosas assinadas ou vocalizadas por celetistas da empresa. Ora é um colunista conhecido, ora é um pitaco em meio a um programa esportivo, ora um comentário em programa de rádio, ora uma charge “engraçadinha” no jornal Zero Hora.

Nome do chargista bufão: Iotti.

Daqui a 50 ou 60 anos quando já existir - espero – o Estado da Palestina (e faço votos que seja um Estado laico, separado da religião islâmica) e quando se construir um Memorial do Holocausto Palestino, se reunirão todos esses materiais de propaganda de incitamento ao genocídio.

A charge acima deverá constar dessa memória da violência simbólica, que ocorre antes e depois da violência física dos bombardeios, invasões de territórios, assassinatos, destruições e privações de todo gênero. A violência simbólica (Bourdieu) da propaganda israelense prepara, sustenta, normaliza e reproduz condições e espíritos para a aceitação da brutalidade das mortíferas ações bélicas contra civis e inocentes (com a devida vênia de Habermas).

Ontem, o caderno “Mais!” da Folha publicou entrevista com o velho jornalista inglês Phillip Knightley, autor de uma alentada obra sobre a cobertura jornalística em guerras, onde ele estuda a guerra da propaganda travada pelos países em confronto. Comentando sobre a máquina de propaganda israelense, Knightley diz o seguinte:

“É muito sofisticada. Todos os porta-vozes são altamente treinados para o contato com a mídia, repetem sempre a mesma mensagem, num inglês impecável. É claro que funciona. A repetição, de modo profissional e sem recuo, acaba por fixar a ideia. Eles não param de dizer que ‘toda nação tem o direito de se defender, ‘toda nação tem o direito de proteger seus cidadãos, estamos protegendo os nossos’. Ficam dizendo isso o tempo todo e as pessoas acabam por acreditar, como se se tratasse apenas disso” – completa o jornalista de 79 anos.

Ainda não dá para sustentar que a RBS, como corporação, seja um dos porta-vozes israelenses, referidos por Phillip Knightley, mas pode-se sim afirmar que muitos de seus celetistas estão engajados simbolicamente no esforço de guerra contra – sobretudo – as crianças palestinas.

Fonte: Diário Gauche

11.1.09

Sobre fenômenos ópticos, sob uma certa ótica



Volta e meia, a depuradora de melífluos sabores gaba-se de divulgar informações em primeira mão, ato mais conhecido entre o vulgo como "furo".

Que sentido há, todavia, em se falar em "furo" em um sistema comunicacional onde se detém tanto o monopólio do deslumbramento quanto o da bajulação, no qual o único feedback tolerado provém do exercício barato do auto-elogio e do auto-engano?

i) O Grupo RBS não está solito na comunicação gaúcha, é fato. Contudo, um histórico de sabujice ajudou a consolidar uma rede física de informação em mídia eletrônica e impressa que lhe garante, na prática, não só o monopólio de sua versão dos fatos como, também e por conseguinte, o monopólio do alumbramento.

A rede de jornalismo impresso e de retransmissores periféricos do que é produzido em rádio e tv pela sede do império RBS não é uma versão dos fatos, mas a versão gaúcha dos fatos. A empresa reforça cotidianamente essa imagem e o imaginário coletivo local lhe reconhece como "a emissora dos gaúchos". Um dos maiores méritos estratégicos do Grupo foi ter percebido, desde sempre, que a exploração de um certo telurismo ufânico guasca, apropriado de crenças e valores locais, solidificaria esse processo de identificação: "aqui, o Rio Grande se vê" é o espelho de narciso gaudério.

Trata-se da Alegoria da Estância, ilustrada acima pelo talento de Hupper. No latifúndio imaginário criado pelo Grupo RBS, o palhaço que se mira representa tanto o modo como a sociedade gaúcha é tratada pela empresa quanto todo gaúcho que acredita ser essencialmente aquilo refletido no espelho criado pelo Grupo, enquanto a imagem do símbolo maior da viril idiotia guasca - a estátua do laçador - nele refletida representa todas as crenças e valores locais enviesadamente apropriados pela empresa e apresentados como nossa identidade: a "gauchidade" reforçada diariamente no apelo do Grupo a fim criar um elo entre si e a comunidade.

Sim, somos todos palhaços apaixonados pela imagem refletida nas águas que também espelham o mais belo pôr-do-sol do mundo, vendo tanto o que o Grupo RBS quer que vejamos por conveniência mercadológica quanto, também, aquilo que queremos ver. Não esqueçamos que Narciso definhou porque se apaixonou pela imagem que tinha de si mesmo, que viu refletida nas águas. Quem "se vê" no espelho sirotskiniano tende a definhar intelectualmente até o ponto da total indigência mental. Não somos todos vítimas inocentes, portanto. Sem a colaboração de boa parte da sociedade gaúcha, o apelo da empresa não teria boleado nossa própria história.

E quem não quer ver refletida sua imagem nessas inebriantes águas? E quem, inclusive, sequer sendo nativo, mas tendo interesses sedutores e vontade de ser reconhecido como tal - vide o caso clássico de nossa atual governadora, de triste figura em um famoso programa da Rede Globo tentando "ser" gaúcha -, não faz hercúleos esforços para se encaixar nessa imagem pré-concebida?

ii) O monopólio do deslumbramento, entretanto, não é suficiente. O sistema comunicacional da Alegoria da Estância também necessita do monopólio da bajulação.

Não basta apenas o Rio Grande "se ver" nessas sedutoras águas. Também é preciso adulá-lo convenientemente. O Narciso gaudério, portanto, além de reconhecer-se como tal, também precisa manter-se convencido de que a imagem dele refletida corresponde efetivamente à sua auto-imagem, ao seu auto-engano.

Nada melhor, para isso, do que lhe ciceronear em viagens internacionais, conceder-lhe distinções e galardões, anunciar nascimentos, casamentos e doenças de filhos seus e servir-lhe de assessoria de imprensa, vez por outra, mesmo que isso vá de encontro ao conceito de jornalismo.

Pois quem precisa de jornalismo independente, quando o que se vê é o que se quer ver?

Nisso o Grupo RBS também revelou-se insuperável. Graças ao monopólio físico da informação e do alumbramento, esse consequencia daquele, manter Narciso hipnotizado é fácil: basta permanecer sabujamente ao seu lado e com ele trocar impressões estéticas baseadas no jogo de cena e no falso elogio mútuo. Ter seu telefone sempre a mão, a fim de correndo lhe alcançar uma escova ou um creme facial, por exemplo, é indispensável.

No contexto comunicacional de um sistema como o da Alegoria da Estância, portanto, falar em "furo" jornalístico por colunistas sociais políticos soa quase como uma piada. Jornalismo que se faz em ante-salas perfumadas e por trás de telefones, aliás, sequer merece tal epíteto.

(La Vieja agradece profundamente ao talento de Roberto Annes, mais conhecido como Hupper. Sem ele, a Alegoria da Estância jamais teria sido ilustrada com tamanho brilhantismo. Embora a idéia do palhaço diante do espelho que reflete a face de um dos ícones do gauchismo acéfalo ter sido de La Vieja, foi de Hupper a idéia de criar tal arte sobre o clássico "Narciso", de Caravaggio)

Fonte: La vieja bruja

5.1.09

Parte 4: De fábulas e fatos

De Ayrton Centeno para RSurgente

Quem freqüenta o RS Urgente, sabe que, periodicamente, o Instituto de Pesquisas Brancaleone (IPB), cuja palestínica finalidade é atirar pedra em tanque, publica aqui um apanhado do comportamento das manchetes de capa de Zero Hora, numa aparente dissipação de tempo&trabalho para confirmar o óbvio mas que também opera como régua para medir o tamanho da obviedade.

Franciscano, o IPB tem um corpo funcional constituido apenas pelo locutor que vos fala. Seu labor não ostenta arrogância de ciência mas também procura arduamente não confrontá-la. Consiste, apenas para relembrar, em separar e catalogar as manchetes de capa de ZH. De pronto, aparta-se aquelas consideradas neutras – embora em se tratando da mídia de Pindorama e particularmente do órgão da família Sirostsky, neutralidade seja um termo mais afeiçoado à ficção do que à narrativa da vida social. São, vá lá, neutras as manchetes que destacam tragédias, festas, trânsito, meteorologia, esporte, polícia, ciência etc. Feita a peneirada, ficam somente as manchetes políticas, aquelas que mais claramente deixam ver com que turma anda o jornal e como desmente no dia-a-dia seu marketing da “vida por todos os lados” ao privilegiar somente um dos lados, a quem dedica muito mais beijos do que tapas.

Para Lula – e para todos – este 2009 de que pisamos os primeiros dias está cheio de interrogações. Mas todos sabem que 2008 foi um ano formidável para o governo central, apesar dos primeiros reflexos da crise mundial dos mercados desatada nos EUA. Sentindo-se confortáveis com a economia e percebendo o alcance das políticas sociais, as pessoas expressaram sua confiança no país e no presidente, fazendo sua popularidade bater recorde sobre recorde. Já a governadora Yeda Crusius, mesmo antes do desabar da tempestade, passou o ano em mar encapelado, atirando do tombadilho cargas e mais cargas de secretários e assessores, na tentativa de manter o barco navegando embora com o casco perfurado continuamente por novas e más notícias. Sua popularidade, invisível a olho nu, é hoje objeto de estudo da microbiologia.

Mas uma coisa é a vida e outra a sua interpretação. Desse modo, na capa de ZH, Lula, seu partido, seu governo, suas alianças e o país foram alvejados por 31% das manchetes políticas de 2008. Portanto, praticamente uma de cada três manchetes políticas do diário depreciou o presidente, seus aliados e seu governo. As manchetes positivas foram somente 14%, menos da metade das negativas. No caso de Yeda, de seu, vamos dizer, governo, de seus aliados e do Rio Grande os tiros foram de balas de mel. Aqui, as capas desfavoráveis estacionaram em 24% do total, enquanto as favoráveis chegaram a 29%.

Com isso, ZH ensina aos seus leitores que eles vivem em transe hipnótico num universo paralelo. Que aquilo que constatam nas ruas, na escola, no campo, no trabalho e no bolso não passa de uma miragem. É um encantamento que o jornal tenta quebrar a golpes incessantes de papel e tinta. Depois então, irá resgatá-los e devolvê-los ao mundo das realidades irretorquíveis, onde Lula é um pária e Yeda é uma governante sábia, justa e popular. É uma tarefa complicada já que 71% dos brasileiros pensam exatamente o oposto do jornal. E quem garimpou tal percentagem não foi o risível IBP mas institutos de pesquisas de tão nobre estirpe que ZH lhes encomenda, paga e publica os números. É duro viver assim mas é o que acontece com quem se auto-isola num planeta à parte, onde a fábula usurpa o lugar dos fatos.

Leia também as partes 1, 2 e 3 AQUI, AQUI e AQUI respectivamente.

3.1.09

Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio

Lemos no Cloaca News, um texto que circula há alguns anos e que é sempre bom retomá-lo:

JORNALISMO DE ESGOTO GLOBALIZADO

Assinado apenas por "Paulo Cesar", encontramos o texto abaixo na caixa de comentários do excelente blog RS Urgente. Diz o comentarista tratar-se de uma adaptação de um texto em francês, de autoria desconhecida. Pela sua pertinência, resolvemos reproduzi-lo aqui.
.
Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio
.
Regra Um - No Oriente Médio, são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.
Regra Dois - Os Árabes, Palestinos ou Libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama "Terrorismo".
Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama "Legitima Defesa".
Regra Quatro - Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional".
Regra Cinco - Os Palestinos e os Libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama "Seqüestro de Pessoas Indefesas".
Regra Seis - Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos Palestinos e Libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10.000, dos quais 300 são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama "Prisão de Terroristas".
Regra Sete - Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatório a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".
Regra Oito - Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos Estados Unidos". Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.
Regra Nove - Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios Ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações de Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".
Regra Dez - Tanto os Palestinos quanto os Libaneses são sempre "covardes" que se escondem entre a população civil, a qual "não os quer". Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama "Ações Cirúrgica de Alta Precisão".
Regra Onze - Os Israelenses falam melhor o Inglês, o Francês, o Espanhol e o Português que os Árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os Árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de "Neutralidade Jornalística".
Regra Doze - Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade".