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16.9.09

Barriga editorial de Zero Hora

A edição desta quarta-feira do jornal Zero Hora traz um editorial comemorando o fim da censura contra O Estado de S. Paulo. Só que isso não é verdade. Ontem (15), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal apenas afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, amigo da família Sarney. Não houve julgamento da liminar impetrada pela defesa do jornal para poder publicar o conteúdo das investigações da chamada operação “Boi Barrica”. Basta ver que o site do Estadão ainda ostenta, nesta quarta-feira, a tarja “47 dias Sob censura”.

O próprio Estadão publica matéria, cujo título é: “TJ declara juiz suspeito, mas mantém censura ao ‘Estado’. O texto afirma:

O desembargador Dácio Vieira, que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre operação da Polícia Federal a respeito da família Sarney, foi afastado do processo pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Segundo a decisão, Vieira não tinha mais isenção para continuar no caso, do qual era relatar, já que criticou o jornal ao ser questionado pelos advogados do Estado sobre sua suposta amizade com os Sarneys. Os pares de Vieira não aceitaram a exceção de suspeição pelo alegado vínculo do desembargador com os Sarneys. Se essa exceção de suspeição tivesse sido aceita, a publicação de reportagens estaria liberada. Mas, como Vieira perdeu a isenção somente depois de ter tomado a decisão contra o jornal, a censura está mantida e terá de ser analisada pelo novo relator.

Fonte: RSurgente

24.3.09

PENSamentO úNicO

O jornalista e professor da UFRGS, Wladimir Ungaretti está impedido de tecer comentários - quaisquer que sejam - sobre o trabalho do fotógrafo Ronaldo Bernardi, funcionário do Grupo P-RBS. A determinação é judicial e parte de Bernardi que processa Ungaretti, por este ter contado em seu blog, seu apelido no meio profissional.

Felizmente não haverão editais cínicos nos principais jornais da capital gaúcha, clamando pela liberdade de imprensa, nem mesmo pela liberdade de opinião. Liberdade é colírio.

Wladimir ou Ungaretti, depende da época do interlocutor, produz conteúdos de crítica de mídia, jornalismo, fotojornalismo e história recente. É um professor que continua a aula todo o tempo. Produz duas publicações com turmas da Faculdade de Comunicação da UFRGS e mantém além do blog, uma revista eletrônica, o site Ponto de Vista.

As críticas que produz jamais são de caráter pessoal. Ungaretti reproduz trechos inteiros de diferentes autores, para demonstrar que não está atacando a honra de ninguém, mas desmanchado falácias técnicas que se escondem sobre a fé pública do jornalismo.

Processos infames como este estão virando rotina para os juízes aposentados do departamento jurídico. Uma vez é a revista de viagens do centro do país, que processa o premiado repórter por plágio; depois é o novo repórter que é acusado do mesmo crime, dessa vez por um jornal de circulação nacional. E agora vem essa, o fotógrafo que tem seu apelido profissional revelado processa o jornalista mais velho, com quem ele deveria ter aulas.

Na fronteira do pensamento, Ungaretti é novamente prisioneiro de uma política. Seu exílio é a liberdade.

Fonte: Cel3uma
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