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24.2.10

Cheiro de factóide

“Cheiro de escândalo”, escreve a colunista política de ZH, Rosane de Oliveira, em sua coluna desta quarta-feira:

“O que poderia ser um grande trunfo da candidata Dilma Rousseff na campanha – a reativação da Telebrás para oferecer internet de banda larga a preços acessíveis nos confins do Brasil – ameaça se transformar num escândalo capaz de tumultuar a sucessão presidencial. No centro do imbróglio está a controvertida figura do ex-ministro José Dirceu, antecessor de Dilma na Casa Civil e hoje um dos estrategistas de sua candidatura. Dilma não é acusada de nada, mas ter de dar explicações sobre atos de Dirceu na campanha é um peso que ninguém gostaria de carregar”.

Já Luis Nassif denuncia em seu blog que esse “cheiro de escândalo” não passa de um factóide que foi desmascarado ontem durante o dia e também por uma matéria do jornal O Estado de São Paulo. Nassif resume o caso:

1. Ontem matéria do notório Márcio Aith denunciou que a decisão do governo de recuperar a rede de fibras óticas da Eletronet – massa falida administrada pela Justiça do Rio – permitiria a Nelson Santos, ex-acionista, receber R$ 200 milhões. E relacionava essa operação com a consultoria que lhe foi prestada por José Dirceu.

2. Os fatos foram amplamente desmentidos no decorrer do dia. Mostrou-se que seria impossível qualquer pagamento a Nelson, já que o governo retomou a rede de fibras óticas da empresa e as pendências remanescentes são com os credores, não com os ex-acionistas.

Hoje, o notório Aith volta ao tema, não toca mais no assunto Nelson Santos. Substituiu o escândalo anterior por um novo: a operação, na verdade, destinava-se a permitir a Oi, em conluio com o governo, assumir a rede da Eletronet.

É outro factóide desmentido pelos fatos: o governo quer que a Telebras se incumba da rede de banda larga, contrariando os interesses das operadoras. Quais os dados objetivos que fundamentam a acusação de Aith? Nenhum. Ou melhor, uma tentativa da Oi de negociar com os credores da Eletronet. E que não deu certo, porque, segundo a OI, chegou-se a um «impasse comercial».

3. Aí a reportagem do Estadão driblou o controle do aquário e mostrou a razão do impasse comercial: a tentativa da OI foi vetada pela Eletrobras, controlada pelo governo. Com isso, impediu-se a OI de assumir a empresa e o Nelson de embolsar R$ 70 milhões.

No início da tarde desta quarta, o factóide tinha virado fumaça e sumido do site da Folha de São Paulo.


Fonte: RSurgente

11.2.10

PRF rechaça reportagem de Zero Hora

A Polícia Rodoviária Federal encaminhou nota oficial ao jornal Zero Hora, discordando da forma como foi tratada na reportagem “Queda no número de agentes ilustra decadência da PRF no Estado”, publicada no último domingo (07/02/2010). “As estatísticas operacionais repassadas aos jornalistas da Zero Hora mostram, de forma clara, que houve redução na quantidade de mortes e estabilização do número de feridos nas rodovias federais gaúchas em 2009”, diz a nota. Segundo a PRF, os dados também indicam aumento dos flagrantes de infrações de trânsito, de pessoas presas e de apreensões de produtos contrabandeados. “Desta forma, convém perguntar: não é simplista avaliar uma instituição

observando unicamente a quantidade de servidores?” – indaga o texto. E acrescenta:

”Os resultados positivos alcançados pela PRF, mesmo com a histórica e pública carência de pessoal, mostram que a corporação compensa o baixo efetivo com empenho de seus quadros e investimento na infraestrutura de fiscalização. Em 2009, o Departamento de Polícia Rodoviária Federal injetou mais de R$ 22 milhões no Rio Grande do Sul, adquirindo viaturas, etilômetros e computadores portáteis. Para melhorar a eficiência e a agilidade no atendimento das ocorrências, a Polícia Rodoviária Federal instalou base de operações aéreas em Canoas e designou helicóptero para ser empregado no estado”.

”Ao longo do ano”, conclui a nota, “os agentes da Polícia Rodoviária Federal fiscalizaram 630 mil veículos, registrando a marca de uma abordagem por segundo nas estradas que cortam o Rio Grande do Sul”. “Mais de dois mil motoristas foram interceptados pela PRF enquanto dirigiam sob efeito do álcool, e mais de 200 mil veículos foram flagrados enquanto trafegavam com excesso de velocidade”.

Para ZH, que recebeu estes números, a PRF é uma polícia esgotada no Rio Grande do Sul.

Fonte: RSurgente

8.2.10

O jornalismo imparcial de Zero Hora

Com o seu candidato à presidência da República em queda livre nas pesquisas, as grandes empresas de comunicação tentam desesperadamente criar factóides para tentar reverter a atual tendência eleitoral. A central de factóides está dividida entre redações de Rio e São Paulo. Veículos de outras capitais operam como meros retransmissores do que é produzido nestes centros. É o caso, mais uma vez, de Zero Hora nesta quinta, que repercute matéria publicada ontem pelo jornal O Globo sobre uma suposta ameaça feita pelo governo federal sobre o fim do Bolsa Família caso Serra ganhasse a eleição. O PSDB acusou o Planalto de “terrorismo eleitoral”, ZH repetiu a acusação e não se deu ao trabalho sequer de publicar a posição do Ministério do Desenvolvimento Social desmentindo a mesma. Os editores de ZH chamam isso de “jornalismo imparcial”. Segue a nota do MDS, não publicada por ZH:

A manchete e a chamada de capa de O Globo desta quarta-feira (03/02) confundem os procedimentos operacionais do Programa Bolsa Família com as regras que o norteiam. Diante disso, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) esclarece:

1) No entendimento da Consultoria Jurídica do MDS, a instrução operacional nº 34, de dezembro de 2009, não traz qualquer insegurança jurídica, pois se trata apenas de uma norma de natureza operacional do programa.

2) A referida instrução trata apenas do procedimento para atualização cadastral dos beneficiários que estão no programa há mais de dois anos sem que seus dados tenham sido atualizados pelos municípios, responsáveis por essas atualizações. Esses procedimentos, como acontece em qualquer política pública, estão em permanente processo de aperfeiçoamento.

3) A instrução em nenhum momento relata, nem de “forma velada”, que “em um novo governo as principais diretrizes do programa poderão ser alteradas”, como afirma o jornal. O Programa Bolsa Família é uma conquista dos brasileiros garantida em lei, tem trazido importantes resultados para o Brasil na redução da fome, da pobreza e da desigualdade e é hoje referência internacional.

Aliás, sobre este mesmo tema, outra notícia que não mereceu destaque:

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem (3), em segundo turno, a PEC 47/03, do Senado, que inclui o direito à alimentação como um dos direitos sociais previstos no artigo 6º da Constituição. Até então, o texto constitucional previa como direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados. A inclusão atende a tratados internacionais aos quais o Brasil aderiu, garantindo que as ações de combate à fome e à miséria se tornem políticas de Estado e não estejam sujeitas a mudanças administrativas. A inclusão do direito à alimentação vai garantir a manutenção ou criação de políticas de apoio aos segmentos vulneráveis e também de políticas de combate à miséria.

Fonte: RSurgente

17.1.10

Impostura, ignorância e má fé



Até quando essa gente medíocre, burra e reacionária vai continuar posando de porta-voz “dos interesses da população gaúcha”? A impostura é generalizada, aliando ignorância e má fé. Nos últimos anos, o sr. Lasier Martins transformou-se num dos principais ícones desta impostura. No dia 14 de janeiro, em seu comentário no Jornal do Almoço, a voz da RBS se superou: criticou a ajuda humanitária do governo brasileiro ao Haiti e inventou uma fala de Lula que nunca existiu (o presidente teria proposto vistas grossas para as obras da Copa; veja aqui o que, de fato, Lula disse). E tudo fica por isso mesmo. É o mesmo jornalista que minutos depois estará fazendo eloqüentes discursos contra a impunidade no Brasil, eloqüência esta que não se repete quando se trata dos escândalos de corrupção no Rio Grande do Sul. E a impunidade deste tipo de impostura, quem combate?

Fonte: RSurgente

7.12.09

Cancelamento de assinaturas preocupa UOL e Folha

O blog Arlesophia informa que recebeu hoje uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o jornal Folha de São Paulo para que retirasse do ar os selos da campanha #CancelandoFOLHA e #CancelandoUOL, sob pena de processo por uso indevido das marcas. O blogueiro Antonio Arles escreve: “Retirei imediatamente os referidos selos. No momento não poderei desenvolver um post explicando melhor o caso, mas deixo aqui meu protesto por mais este ato de censura contra blogs”.

Pelo visto, os cancelamentos de assinaturas da Folha e do UOL começam a incomodar o grupo Frias. O blog do Mello relata por que cancelou sua assinatura do UOL. Aqui em casa, fizemos o mesmo. A razão: uso indevido da inteligência do assinante.


Fonte: RSurgente

21.11.09

Ideologia, sensatez e conteúdos indisponíveis

A jornalista Vera Spolidoro, assessora de comunicação do ministro da Justiça, Tarso Genro, encaminhou nota hoje para o jornal Zero Hora e para a colunista Dora Kramer (do Estado de São Paulo), que voltaram a apresentar como verdadeiro um fato desmentido pelos protagonistas envolvidos: o da suposta expulsão de cubanos do Brasil por ocasião dos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro. Em um editorial intitulado, “Mais sensatez, menos ideologia”, ZH defende a extradição de Cesare Battisti e relaciona-o ao episódio dos cubanos: “Na ocasião, também sem uma apreciação mais cuidadosa, o governo brasileiro optou pelo viés ideológico e entregou os desertores às lideranças cubanas”, diz ZH.

Vera Spolidoro escreve:

Como colega, mesmo conhecendo os mecanismos da nossa profissão, fico impressionada pelo fato de uma informação se tornar verdade, de tão repetida, ainda que não seja verdadeira. Assim, peço tua paciência para a leitura do que segue:

1. Durante o Pan, cinco atletas pediram refúgio ao Brasil. Estão vivendo aqui, até hoje, o ciclista Michel Fernandez Garcia; o jogador de handebol Rafael Capote; e o treinador de ginástica artística Lazaro Raynel Lamelas Ramirez.

2. Os outros dois atletas, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, inicialmente quiseram ficar, para depois ir para a Alemanha. Eles tinham um contato com empresário que prometera levá-los para lá. Deixaram a delegação cubana, foram para um hotel numa praia do Rio e esperaram. O empresário não apareceu. Pediram a um pescador que fizesse contato com a polícia, pois estavam sem dinheiro e sem saber o que fazer. Foram ouvidos pela Polícia Federal, na presença de um procurador da República, Leonardo Luiz Figueiredo Costa, e do conselheiro da OAB-RJ, Cláudio Pereira de Souza Neto. A todos, declararam que queriam voltar para Cuba, e assim foi feito. Não pediram refúgio, ao contrário de seus outros três colegas.

3. Em março deste ano, Lara deu entrevista ao Esporte Espetacular da TV Globo. Confirmou que quis voltar a Cuba, ele e Rigondeaux, já que os planos de ir para a Alemanha naquela ocasião do Pan não tinham dado certo. De Cuba, Lara acabou indo para o México, depois para a Alemanha e atualmente vive em Miami.

4. Há no Brasil 124 cubanos refugiados. O refúgio mais recente foi dado a um grupo de músicos, no final do ano passado, que vieram para um festival e hoje vivem em Recife.

Portanto, o ministro Tarso não teria motivos para negar refúgio aos dois boxeadores, visto que o concedeu a outros três atletas, no mesmo período, o dos Jogos Pan-americanos do Rio. E mais recentemente, ao grupo de músicos.

O vídeo da entrevista concedida dia 1° de março de 2009, ao Esporte Espetacular, foi removido do arquivo do programa. “Conteúdo indisponível”, informa a página de vídeos do programa.

O editorial de ZH repete o procedimento argumentativo tacanho que lhe é habitual: apresenta-se como porta-voz do bom senso e atribuiu ao outro a pecha de “ideológico”. O texto de Umberto Eco sobre o fascismo (ver post abaixo) tem um bom nome para esse tipo de prática.

Mais sobre o assunto:

Lancenet: Pugilista cubano: Quisemos voltar para Cuba

Observatório da Imprensa: A mentira durou mais de um ano



Fonte: RSurgente

4.11.09

Com quem fala a RBS?

Por Ayrton Centeno

Um aviso: as linhas abaixo não carregam uma resposta para a pergunta acima. Neste balcão temos perplexidades em oferta mas estamos em falta de respostas nos estoques. Este monólogo aqui, antes de virar texto, começou com a pergunta do título depois que o autor andou observando o retorno diário do leitorado de Zero Hora.

Se ZH fala mesmo é com aquela turma que fala com ela está muito mal arranjada. O tom predominante das cartas dos leitores aninhadas na página 2, algumas graciosamente enfeitadas com a foto do autor, é de uma intolerância caricatural. Lula é o grande malfeitor de suas vidas, tarefa na qual é ajudado por Chávez, Evo, Zelaya, o PT, os movimentos sociais. Enfurecem-se com as cotas raciais, a olimpíada no Rio, a bolsa-família, a copa do mundo, o Cpers, os direitos humanos, as obras do PAC, a aprovação do presidente, o Enem, a crise que virou marolinha. Parecem digitar com agulhas – enfiadas pelo MST – sob suas unhas.

O resultado é um poço de ressentimentos, uma gororoba caldeada em desinformação, mesquinhez e preconceito. Talvez isto seja irrelevante. São, afinal, os leitores exercendo seu sacrossanto direito de dizer o que pensam ao diário que lhes dá o que pensar. Mas é também a safra que o jornal dos Sirotsky colhe a cada dia. E só se colhe o que se semeia. E o problema, para ZH, começa aí. Todas as sondagens, de todos os institutos, dizem que Lula é extremamente popular. E quem o detesta ou detesta seu governo não chega aos dois dígitos, rondando os 8%. Logo, o diálogo mais harmonioso de ZH ocorre com os leitores deste perfil. Porque será que os 92% restantes não se dispõem tanto a dar seu pitaco na seção de cartas? Tem mais o que fazer? Não lêem mais o jornal? São perguntas perturbadoras para quem adota o slogan “a vida por todos os lados” e que precisa, muito, de leitores, prato predileto dos anunciantes.

Na mesma toada, um episódio singular envolvendo outro veículo do grupo deveria, ao menos, provocar pruridos nas polpas de quem se senta no trono do poder midiático. Soube que, no programa Conversas Cruzadas, da TVCom, perguntou-se aos telespectadores se se identificavam mais com políticos de direita, de centro ou de esquerda. Deu direita com 45%, seguida pelo centro com 30% e a esquerda na rabeira com 25%. É um percentual notável quando se sabe que, no Brasil, a direita é a paixão que não ousa dizer o seu nome. Está fechada por dentro no próprio bunker. Ninguém assume a direita ao ponto de partidos de direita ou centro-direita afirmarem-se “progressistas”, “democratas”, “social-democratas” ou até “socialistas”… Porém quase a metade da audiência que interagiu arrojou-se nesta audácia mesmo que anônima.

Claro que, aqui também, é uma colheita, induzida pelo esforço histórico da pauta de CC&Lasier. É, de novo, a RBS levando um papo com a patota dos 8%. É de ficar matutando o que passa pela cabeça de quem decide essas coisas na corporação. Será que acha bom? Ou desconfia que estes dois indicativos não são tão desejáveis? De qualquer jeito, a RBS não pode ignorar que desperta amores brutos. Para tirar proveito da situação poderia explorar este nicho e lucrar algum - que é o que interessa. Consta que foi Noam Chomsky quem redefiniu o negócio da imprensa na era dos mercados. Seu produto não é a venda de informações aos leitores mas a venda dos leitores aos anunciantes. Casando o útil com o desagradável, a RBS poderia persuadir seus anunciantes a vender aos seus leitores - aqueles mais interativos - antiácidos, antidepressivos, talvez escopetas.



Fonte: RSurgente

16.9.09

Viva a Semana Farroupilha!


Por Antônio Oliveira, Jornalista

Semana Farroupilha é sempre uma convocação à meditação. Lembrar nossos históricos ídolos e suas façanhas. Uma reavaliação daquilo que fomos, do que somos e fazer projeções. É importante que façamos isto sem ressentimentos e com consciência e responsabilidade cívicas. Sempre com o foco no aprimoramento das instituições democráticas para o bem da coletividade e para o aprofundamento das relações de respeito entre os humanos.

Um exame da nossa história dos séculos passados e mais recente mostrará feitos memoráveis em todas as áreas, literatura, artes, imprensa, inclusive a desportiva, por que não? E a desportiva é importante até que se destaque para evitarmos no futuro episódios lamentáveis como o ocorrido recentemente, em que a memória da torcida gremista foi traída ao formar uma seleção de todos os tempos, deixando de lado Airton Ferreira da Silva e Alcindo Martha de Freitas, para citar só duas das maiores injustiças, já que alguns lembraram até de um tal de China.

Quem é esperto já deve ter notado que estou despistando para não mostrar nas primeiras linhas o caminho por onde e o lugar onde quero chegar. Vivo os tempos atuais e é nele que meus pensamentos se debatem diariamente. Não é possível lembrar nossos heróis de outros tempos sem sentir a falta que eles nos fazem nos dias atuais.

Temos num caso só e recente dois exemplos de fatos que a sociedade gaúcha lamenta e deixa margens para pensarmos até que aqueles gaúchos de faca na bota, honrados, do qual tanto nos orgulhamos, já não existem mais. Viraram pura ficção. Areia voando no deserto.

Podem até me recriminar, dizendo que propriedades são invadidas no Estado e ninguém faz nada, e então, só para complicar, eu perguntaria quem são os donos originais destas terras, mas não há Cristo que me justifique um assassinato de alguém a tiros, pelas costas. E executado por alguém que, justamente ao contrário, deveria proteger aquele que teve, de maneira estúpida e covarde, sua voz calada a balas.

Refiro-me ao sem terra, sem nada, só com esperança e coragem, Elton Brum da Silva. Morto, dia 21 de agosto, em São Gabriel, por um soldado da Brigada Militar (nos quartéis todos são soldados, do raso ao coronel, ao almirante, ao brigadeiro, ao general) que não devia estar portando arma letal naquele momento. Imaginem se os comandantes da Brigada Militar de antigamente, de outros tempos, deixariam de divulgar e mandar prender imediatamente um soldado que matasse alguém irresponsavelmente como foi o caso. Impossível de imaginar, claro. Já houve tempos em que os comandantes da Brigada Militar eram justos e respeitavam os gaúchos que lhes pagam os salários. E os Pedro e Paulo desfilavam na minha rua, na Vila do IAPI, e até tomavam café nas casas das pessoas.

Neste mesmo caminho, levanto outra questão, justamente na área em que atuo, o jornalismo. Lembro de outras épocas em que nos orgulhávamos dos jornalistas do Rio Grande do Sul. Pelas suas competência, criatividade, coragem e desprendimento. Lembramos com saudades das histórias de João Batista Aveline disfarçado de funcionário dos Correios para buscar uma denúncia sobre fardos de correspondências que eram jogados no lixo em vez de serem distribuídos aos seus destinatários. De Sérgio Caparelli tendo dificuldades para sair do Hospício São Pedro depois de passar alguns dias internado lá para fazer matéria denunciando os maus tratos que sofriam os doentes mentais internos.

Recentemente, até Giovani Grizotti andou passeando dentro dos prédios da Secretaria de Segurança Pública para mostrar que ali não havia nenhuma segurança. Fardado de brigadiano, passou por todas as portarias sem que alguém lhe pedisse uma identificação ou lhe impedisse a passagem.

É por isso que não entendo a razão de até hoje (um dia depois do 20 de setembro completará um mês) um só jornalista não ter publicado o nome deste brigadiano assassino. Imagino que isto não teria acontecido em outros tempos. Garanto que em 24 ou 48 horas, o nome dele já estaria publicado na imprensa. E não vou citar nomes de jornalistas que atuam hoje, e que poderiam fazer a coisa certa, mas não o fazem, para evitar constrangimentos. Em tempos muito mais rudes, sob a ditadura militar, de um dia para o outro denunciamos o nome de um delegado de polícia torturador que exagerou no castigo (um caldo) a um jovem enteado seu e o matou.

São estas as razões que me levam a crer que não se fazem mais gaúchos heróicos, sérios e honrados como antigamente. Na Polícia e no Jornalismo. Por isso, a Semana Farroupilha tem que ser cada vez mais prestigiada, festejada, para revivermos os heroísmos do passado. Talvez um dia recobremos a hombridade, a vergonha na cara. Viva a Semana Farroupilha ! E vejam que eu escrevi tudo isto e em nenhum momento citei a palavra corrupção.

Charge: Santiago

Fonte: RSurgente

As razões para o impeachment de Yeda Crusius

Os principais jornais gaúchos vêm se dedicando com afinco a esconder da população os fatos e as razões que embasam o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). Esse comportamento editorial escandaloso beira a cumplicidade com o grupo acusado de formar uma quadrilha para roubar dinheiro público. A linha geral do que vem sendo publicado até aqui consiste em destacar que o pedido não tem chances de prosperar, pois o governo tem maioria na Assembléia. Basicamente isso. A divulgação da admissibilidade do impeachment foi totalmente obscurecida, com um esforço especial em neutralizar os fatos que embasaram a decisão do presidente Ivar Pavan (PT).

É fundamental que a população seja informada desses fatos, que se dividem em três eixos principais (as informações a seguir foram distribuídas a todos os jornalistas que cobrem a Assembléia, editores e colunistas de política):

1) A governadora sabia dos acontecimentos no Detran

No processo de montagem do governo, foi mantido o esquema que teve origem no governo Germano Rigotto (PMDB). Conforme investigações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e depoimento à sindicância na Procuradoria Geral do Estado, diversas manifestações de envolvidos diretamente no processo se referem ao conhecimento e participação da governadora. Na CPI do Detran, em 2008, o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, disse que não fez nada que não fosse do conhecimento da governadora, razão pela chegou a arrolá-la como testemunha de defesa.

A própria governadora, em entrevista de rádio no dia 17 de abril de 2008, corrobora esta afirmação, ao referir seu conhecimento acerca das mudanças no Detran e até mesmo da participação de Lair Ferst e suas empresas. Da mesma forma, a gravação realizada pelo vice-governador Paulo Feijó com o então Chefe da Casa Civil, César Busatto, testemunha o conhecimento da governadora em relação aos procedimentos adotados no Detran.

Continue a leitura no blog RSurgente.

13.9.09

Transparência de resultados: quanto a mídia gaúcha está recebendo do governo Yeda?

Em março deste ano, o jornalista Sérgio Bueno, do Valor Econômico, publicou uma matéria tratando do aumento dos gastos em publicidade do governo Yeda Crusius (PSDB). A reportagem afirmou:

“Fustigada por mais uma onda de turbulência política, provocada por denúncias de corrupção e embates com o funcionalismo estadual, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), decidiu reagir com investimentos pesados na imagem de sua administração para tentar virar o jogo a seu favor. O plano será sustentado por um orçamento de R$ 93 milhões para publicidade neste ano, um crescimento de 560% em comparação com os R$ 14 milhões gastos na área em 2008, conforme informações do Palácio Piratini”.

Entre outras coisas, o plano do governo Yeda definia, em março, campanhas publicitárias semanais em emissoras de rádio e televisão e em outdoors para mostrar à população “o que o governo está fazendo”. De lá para cá, a crise política só aumentou e o governo segue apostando na publicidade como uma forma de “melhorar sua imagem”.

As grandes empresas de comunicação têm como um de seus esportes preferidos denunciar a ineficiência da máquina estatal e criticar os gastos públicos. No dia 3 de setembro, o jornal Zero Hora publicou um editorial intitulado “Gastos em alta”, onde critica a política de gastos públicos do governo federal. Entre outras coisas, o editorial diz: “O país não pode dar-se a liberalidade quando se trata do uso de recursos públicos. A máquina pública, da mesma maneira que seu eventual e indesejável inchaço é mantida pelo esforço da sociedade”.

Outro esporte preferido dessas empresas é afirmar a transparência e a independência como valores definidores de sua atuação.

Essa transparência não se aplica, porém, quando se tratar de informar o público de quanto dinheiro recebem graças à publicidade estatal. Neste caso, vale a “liberalidade no uso de recursos públicos” e a sociedade não tem o direito de conhecer a relação entre a linha editorial desses veículos e os recursos que recebem via publicidade. Em seu site institucional, a RBS promete uma “relação transparente com todos os públicos”. Mas essa transparência não se aplica no tema da publicidade. Por outro lado, a empresa “considera fundamental proporcionar a seus clientes a certeza de que o benefício oferecido é superior às outras opções de mercado”.

O governo Yeda, conforme dados do próprio Palácio Piratini, está gastando milhões de reais em publicidade. Estará obtendo o benefício esperado?

Nos últimos dias, multiplicaram-se relatos e resmungos confidenciais de jornalistas intrigados com o comportamento editorial de seus veículos. Ninguém fala publicamente, obviamente. A prioridade é assegurar o emprego. Neste momento, os valores da transparência e da independência que essas empresas afirmam seguir ficam trancados em uma caixa preta, juntamente com os números da publicidade. O público não tem acesso a esses números e não pode saber até que ponto a injeção publicitária está contaminando a linha editorial.

Um levantamento preliminar dos números apresentados no portal da Transparência do governo do Estado revela que, de 2008 até hoje, a RBS Zero Hora Editora Jornalística, a Caldas Junior e o Jornal O Sul receberam mais de R$ 1 milhão do governo do Estado. O valor exato é R$ 1.034.881,30, assim distribuídos:

RBS/Zero Hora: R$ 552.102,58
Caldas Junior: R$ 339.737,02
O Sul: R$ 143.041,70

Esses números são apenas parte do todo. Considerando os gastos com publicidade anunciados pelo próprio governo, as campanhas publicitárias em horários nobres de TV e a especificação das rubricas (no portal) dos gastos com empresas de comunicação (a maioria refere-se a “assinatura de periódicos e recortes”), os valores são, na verdade, muito maiores. Segundo o portal da Transparência, o governo gastou, em 2009, mais de R$ 1,6 milhão com “divulgação promocional ou institucional”. Sete agências de publicidade aparecem como destinatárias desses recursos: Matriz, CPL, DCSNet, Dez Propaganda, Escala, Publicis e SLM. O portal não informa quanto cada veículo recebeu em publicidade. O orçamento de publicidade para o ano, cabe lembrar, é de R$ 93 milhões.

As mesmas empresas de comunicação que mantém esses números sob sigilo não se cansam de cobrar transparência nos gastos e receitas de movimentos sociais (MST em especial) e sindicatos. Quantas vezes Lasier Martins e outros “comunicadores” já cobraram dos dirigentes da CUT e do CPERS, por exemplo, quanto as entidades estão gastando em outdoors que criticam o governo Yeda e de onde vem o dinheiro?

Pois bem, quanto dinheiro os grandes grupos de mídia do Estado estão recebendo do governo Yeda? A população que lê jornal, ouve rádio e vê televisão não tem direito de saber? Por que essa informação é mantida em sigilo?

É fácil saber de onde vem o dinheiro de uma fábrica de pregos. Ela precisa vender pregos, simplesmente. No caso das empresas de comunicação, o produto principal é a informação. Quanto é mesmo que está custando a informação?


Fonte: RSurgente

7.6.09

Correio do Povo denuncia campanha pérfida de Zero Hora e critica puxa-saquismo do jornal da RBS

O Correio do Povo publicou editorial, hoje (5), denunciando que Zero Hora vem fazendo uma campanha pérfida contra o jornal “com a publicação de notas e insinuações como a reproduzida ontem em sua coluna de “opinião política” (Rosane de Oliveira), na qual tenta imputar comprometimento partidário ao Correio do Povo”. E isto aconteceu, acrescenta o editorial, “na mesma edição em que aquele jornal omitiu informações importantes sobre a percepção dos gaúchos quanto à possibilidade de corrupção no governo estadual, como a de que uma parcela relevante dos entrevistados defende o impeachment da governadora, no âmbito de uma pesquisa do Instituto Datafolha cujos dados essenciais foram publicados com destaque pelo Correio do Povo”.

Além disso, o jornal do Grupo Record critica “o papel vergonhoso desempenhado por alguns veículos de comunicação que, não satisfeitos com seu próprio puxa-saquismo desenfreado, tentam transformar a bajulação em virtude e a independência de outros em defeito”. “Buscando parecer imparciais o mais perto que chegam do que imaginam serem as tradições gaúchas é agir como o quero-quero, que grita bem longe de onde está o ninho verdadeiro”. E conclui:

“É esta história (de 113 anos de CP) que os gaúchos conhecem e que não precisa ser reescrita, ao contrário de outros, que, talvez por vergonha de seus próprios caminhos, estão sempre à espreita de uma mudança de rumos que coloque o Correio do Povo ao seu lado na senda indigna que eles escolheram”.


Fonte: RSurgente

19.5.09

O "Rio Grande" merece isso!

O editorial de hoje do jornal Zero Hora merece ser guardado. É um registro importante para alguém que deseje fazer um dia uma história do comportamento editorial da mídia gaúcha. Raras vezes, a posição editorial do grupo RBS mostrou-se tão desnudada. É uma constrangedora exibição de cinismo, ignorância, delírio, mentira, hipocrisia e irresponsabilidade. Intitulado “O Rio Grande não merece isso!”, o editorial coloca no mesmo saco acusados de roubo, desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, peculato, desvio, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes, e os denunciantes. Vamos a ele (o texto em itálico refere-se ao editorial):

“Os gaúchos vivem um momento triste da história política deste Estado. Como se não bastassem os inevitáveis problemas decorrentes da crise econômica mundial e das armadilhas do clima, lideranças políticas, autoridades e instituições vêm protagonizando um deplorável jogo de acusações, suspeitas e mentiras que só confunde e decepciona a população. Os cidadãos rio-grandenses já não sabem em quem acreditar, tal é o emaranhado de denúncias sem provas, explicações pouco convincentes, gravações misteriosas e desarrazoadas manobras partidárias voltadas unicamente para a conquista do poder. Será tão difícil assim para o Rio Grande e sua gente retomar o caminho da verdade e da dignidade?”

A primeira frase é verdadeira. Uma das únicas em todo o texto. Na segunda frase, já aparecem a ignorância e a irresponsabilidade. Entre as mazelas do Rio Grande figuram as “armadilhas do clima”. Como assim, “armadilhas”? Para a RBS, o clima é um agente ardiloso que está colocando armadilhas a frente do pobre povo gaúcho? Os fenômenos climáticos atípicos que vem se repetindo com regularidade crescente no Estado (como secas, furacões, enchentes, entre outros) são apresentados como sendo algo completamente dissociado da ação humana. O desmatamento desenfreado, a desertificação, a morte de rios, riachos, lagos e açudes, a destruição de áreas fundamentais para o equilíbrio ambiental – tudo isso é reduzido à categoria de “armadilhas” do clima.

O mesmo parágrafo opera uma lamentável diluição de responsabilidades entre acusadores e acusados. “Os cidadãos riograndenses já não sabem em quem acreditar”, diz o texto. Que tal acreditar nas instituições responsáveis por apurar denúncias de roubo de dinheiro público? Que tal, por exemplo, divulgar ampla e didaticamente para a população o resultado das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal na Operação Rodin, que denunciou, com fartas provas, a existência de uma quadrilha instalada no aparelho do Estado, operando inclusive com um braço midiático. Nunca é demais lembrar que, logo após o início da Operação Rodin, uma das pautas dos veículos da RBS foi sobre o uso de algemas em “homens de bem”.

“As mais recentes denúncias contra o atual governo do Estado, de uso indevido de recursos de campanha, lançam uma nova carga de suspeições no ventilador da moralidade pública. De um lado, está uma governadora acuada por incessantes ataques de oposicionistas, servidores descontentes com a administração e inimigos políticos velados. De outro, está uma oposição ansiosa para transformar qualquer gota d’água em tsunami, sustentada tanto pelo fogo amigo de quem gravita em torno do poder com interesses subalternos quanto pela munição clandestina de quem deseja conquistá-lo. No meio deste fogo cruzado, estão os cidadãos, os contribuintes, os eleitores deste Estado, cada vez mais desiludidos com a classe política e confusos em relação a seus representantes”.

Para a RBS, a governadora está “acuada por ataques de oposicionistas, uma oposição ansiosa e inimigos políticos velados”. A governadora não estaria acuada por investigações de instituições republicanas como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Contas e a Assembléia Legislativa, apenas para citar algumas??? E “no meio do povo cruzado” estaria os “cidadãos, contribuintes e eleitores cada vez mais desiludidos com a classe política”. Para a RBS, os cidadãos, contribuintes e eleitores do Rio Grande do Sul não têm qualquer responsabilidade sobre suas escolhas políticas. São eternas vítimas da “classe política” que, supostamente, não é escolhida por eles.

“Ninguém é convincente neste episódio lamentável: nem os denunciantes, que levantam suspeitas sobre tudo e todos, e não conseguem provar nada; nem o governo, que parece mais preocupado em desqualificar seus acusadores do que em se abrir à transparência exigida pelos cidadãos. E o pior é que as instituições independentes, que poderiam abreviar a angústia da população, mostram-se no mínimo insensíveis. Como justificar, por exemplo, que o Ministério Público Federal, ao qual se atribui a guarda de provas decisivas para o equacionamento do impasse, não venha a público para, pelo menos, esclarecer se elas existem?”

Mais uma vez a operação de diluição entre acusadores e acusados. Esse parágrafo beira a cumplicidade com os acusados de formar quadrilhas para saquear o estado. E as “instituições independentes” são insensíveis por não dizerem o que a RBS quer na hora que ela quer.

“Cogita-se, agora, da formação de uma CPI na Assembleia Legislativa do Estado para investigar as novas denúncias contra o governo. Com todo respeito a esse instrumento de ação parlamentar, é difícil imaginar que a pretendida comissão não venha a se transformar apenas num palanque eleitoral da disputa política para o pleito do próximo ano. Numa situação normal, se fosse para realmente apurar a verdade, a investigação seria bem-vinda. Mas no atual momento e considerando-se a mesquinhez das posições políticas vigentes, tende a ser uma perda de tempo e um novo fator de descrença da sociedade nos seus representantes, independentemente da sigla partidária que defendem”.

Aqui, o instrumento da CPI é apontado como “palanque eleitoral da disputa política”. Memória é bom e não faz mal a ninguém. No dia 27 de abril de 2001, o mesmo jornal Zero Hora publicou um editorial elogiando a CPI da Segurança Pública que estaria “cumprindo o seu papel”: “bastou uma inspeção feita de surpresa no Instituto Geral de Perícias (IGP), na capital, para que representantes da comissão de inquérito pudessem constatar in loco as graves deficiências materiais e de pessoal desta instituição cujo trabalho é essencial para o combate à criminalidade”, afirmou o editorial.

Na mesma linha, no dia 22 de março de 2001, a então editora de Política de ZH, Rosane de Oliveira, escrevia: “O sucateamento da frota da Brigada Militar e da Polícia Civil não é uma abstração criada pelos opositores do governo (Olívio) para justificar a criação de uma CPI (…). O governo do Estado está diante de um problema que exige ação imediata” . Nestes e em outros textos de opinião publicados na época não há referências ao “palanque da oposição”

“O que não pode é persistir esta situação de irrespons
abilidade coletiva, que só faz mal ao Estado. O Rio Grande, por sua tradição política e pela índole de sua gente, não merece tanto constrangimento. Ainda que um parlamentar da terra tenha dito recentemente que está se lixando para a opinião pública, somos nós – os cidadãos comprometidos com o progresso e a justiça – que podemos mudar este estado de coisas, transformando a indignação em protesto, em manifestações públicas, em voto consciente, em repúdio inequívoco às mentiras e falsidades. O Rio Grande exige mais grandeza política de seus representantes políticos”.

A irresponsabilidade que faz mal ao Estado é a da RBS e seus agentes político e midiáticos que não respondem por suas escolhas políticas e editoriais. Há décadas, a RBS defende e integra um esquema de poder político e econômico que anda de mãos dadas com a privatização do Estado, a destruição ambiental e a criminalização dos setores da sociedade que lutam contra isso. Quando os privatizadores do bem público são pegos com a boca na botija questiona-se o uso de algemas e dilui-se acusadores e acusados. Apresentando-se como porta-voz da “índole do povo gaúcho”, a RBS oculta seus interesses políticos e empresariais, sonega informações, transforma o clima em um inimigo ardiloso, pisoteia a memória e a consciência histórica do Estado.

Uma última observação: o Rio Grande merece isso sim. Shakespeare colocou na boca de Hamlet: “se todos recebessem o que merecessem, ninguém escaparia do chicote”. O Rio Grande do Sul e a população do Estado, apontada miticamente como a “mais politizada” do país, têm o dever de responder por suas escolhas e omissões.

Fonte: RSurgente.

10.4.09

A febre amarela e o latifúndio da informação

Quais as causas do aumento da incidência da febre amarela no Rio Grande do Sul? Segundo o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, a propagação do vírus, que teria vindo da Argentina, surpreende pela rapidez e se deve a uma superpopulação de mosquitos. Provavelmente em função de mudanças climáticas”, arrisca. É alarmante o pouco interesse das autoridades sanitárias em investigar a fundo as causas deste problema que vem se agravando no Estado. Se há uma superpopulação dos mosquitos transmissores da doença é porque houve um desequilíbrio ambiental alterando, entre outras coisas, a população de espécies que se alimentam destes insetos. Recentemente, a região do Vale do Sinos, registrou um problema de superpopulação de mosquitos em função da mortandade de peixes. Superpopulações não surgem por acaso.

O desinteresse em investigar as causas da proliferação da doença no Estado não chega a ser surpreendente em um governo que trata Saúde Pública e Meio Ambiente como áreas estanques e que tem como principal política na área ambiental o atropelo e o desrespeito à legislação para favorecer empresas. Os meios de comunicação têm sua parcela de responsabilidade também e ela não é pequena. O tratamento editorial dado à área ambiental é subordinado aos interesses dos anunciantes. Há vários fenômenos alarmantes. Não se trata apenas da febre amarela. Em março deste ano, o surgimento de três casos de leishmaniose visceral colocou em situação de emergência a cidade de São Borja. Nos últimos anos, a dengue tornou-se um problema com índices epidêmicos. Em Porto Alegre, há pelo menos um registro confirmado da presença de raiva, problema ligado à proliferação de morcegos.

Uma das maneiras de não atacar esses problemas é justamente tratá-los de forma isolada, sem dedicar atenção às suas causas e relações. Neste sentido, a blogosfera pode dar uma importante contribuição à população, ocupando o latifúndio informativo deixado pela imprensa e pelo governo estadual. Faltam recursos para isso, é certo. Mas há uma coisa que pode ser feita: divulgar informações e estudos que tratem das causas e das relações entre esses fenômenos. Esse é um desafio também para os pesquisadores das universidades gaúchas. Há fortes indícios que apontam para a relação entre os problemas ambientais no Rio Grande do Sul e essas doenças. As autoridades sanitárias correm para apagar os focos de incêndio, mas pouco ou nada fazem para entender por que eles estão ocorrendo com regularidade crescente. A ignorância anda de mãos dadas com a irresponsabilidade.

O cruzado Thums e a conspiração do MST: Zero Hora e a guerra das palavras


“Procurador denuncia pressões e abandona ações contra o MST”.

“A desistência do homem que enfrentava o MST”.

“Como o MST tramou a reação”.

“Gilberto Thums jogou a toalha em sua cruzada contra o MST”

Essas foram algumas das manchetes e frases escolhidas pelo jornal Zero Hora para tratar do recuo do promotor Gilberto Thums, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, na decisão de fechar as escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Uma rápida visita ao dicionário (Houaiss, neste caso) nunca faz mal a ninguém:

Denúncia: “imputação de crime ou de ação demeritória revelada à autoridade competente”.

Enfrentar: “encarar frente a frente, arrostar”.

Tramar: “fazer maquinação, intriga; urdir; armar complô ou conspiração; conspirar”.

Cruzada: "expedição militar e religiosa, conduzida principalmente por nobres cristãos na Idade Média entre os anos de 1095 a 1270, com o fim de fazer a guerra denominada santa contra os muçulmanos, e reconquistar Jerusalém e o túmulo de Cristo. Qualquer movimentação militar de intuito religioso contra os representantes de determinadas heresias na Idade Média".

Ou seja, o que as manchetes de Zero Hora dizem é:

O promotor que teve a coragem de travar uma cruzada e lutar frente a frente com os hereges do MST denuncia que foi vítima de uma tramóia armada pelo movimento de bárbaros. Thums é a vítima. O MST é o vilão. Isso porque não concordou com a decisão do fechamento das escolas itinerantes, patrocinada pelo promotor e pelo governo Yeda Crusius. Isolado, o cruzado Thums foi obrigado a abandonar sua guerra santa e se render aos inimigos.

Parafraseando o âncora do programa Conversas Cruzadas, Lasier Martins, em recente debate sobre o movimento dos estudantes contra o governo Yeda Crusius, lançamos aqui uma pesquisa interativa: essa edição é “autêntica” ou é “política”???

Fonte: RSurgente

1.3.09

Desespero na redação da RBS?

Acabamos de ler, no blog RSurgente, a manifestação de Marlize Machry Bins a respeito de um post da abelhinha Rosane de Oliveira, intitulado "Impeachman não é aspirina". Bins recomenda o uso de FOSFOSOL para ativar a memória da abelhinha, pois a oposição ferrenha que o Grupo RBS promoveu durante o Governo Olívio Dutra [PT, 1999/2002] foi omitido do texto em questão.

No nosso entendimento, essa é mais uma resposta da RBS frente à pressão popular. O que é isso, surgir, agora, pela voz da Rosane de Oliveira, o reconhecimento de que houve "oposição ensandecida" durante o Governo Olívio Dutra do PT?!?!?

Esquece também o grupelho, que só engambela o seu leitor e/ou assinante desavisado. Para os que pressionam [leitores ou não], para os que apontam a sua partidarização em prol de todos os governos corruptos do RS, desde a ditadura, fica a certeza do quanto esta gente é flor de sem-vergonha!!!!

Cada vez mais o Grupo RBS se expõe rumo ao descrédito total! Com quem a Rosane de Oliveira e a Família Sirotsky que a emprega pensam que estão lidando? A saraivada de críticas que a abelhinha levou naquele post "Eu recomendo", referente ao artigo do Alabarse, recomendaria mais prudência! Afinal, parte da população já identificou o alinhamento incondicional da RBS com o desgoverno Yeda Crusius [PSDB] e não será um textinho sem-vergonha, como esse, que irá "redimir" a empresa detentora de monopólio midiático frente a esse público.

Ou estará batendo o desespero na redação, onde o bom senso, a racionalidade, e a calma, em situação de estresse*, são solenemente ignorados? Devem estar acontecendo cancelamentos de assinaturas da Zerolândia em massa...

Alguém teria essa informação???


*Tentem imaginar o desespero dos passageiros, naquele pouso forçado no Rio Hudson em NY, no qual não houve vítimas, graças à ação coordenada dos esforços, evitando o pânico que os levaria ao desastre.

Fonte: Dialógico

15.2.09

Sobre monopólios midiáticos

A manutenção do mais terrível
e desastroso governo
que o RS já teve
só é possível por causa do monopólio midiático
em moldes medievais.


Ary, em comentário no RSurgente, sobre o processo criminal que a Governadora Yeda Crusius irá mover contra os sindicatos que bancaram a campanha "Conheça a face da destruição do RS".

5.1.09

Parte 4: De fábulas e fatos

De Ayrton Centeno para RSurgente

Quem freqüenta o RS Urgente, sabe que, periodicamente, o Instituto de Pesquisas Brancaleone (IPB), cuja palestínica finalidade é atirar pedra em tanque, publica aqui um apanhado do comportamento das manchetes de capa de Zero Hora, numa aparente dissipação de tempo&trabalho para confirmar o óbvio mas que também opera como régua para medir o tamanho da obviedade.

Franciscano, o IPB tem um corpo funcional constituido apenas pelo locutor que vos fala. Seu labor não ostenta arrogância de ciência mas também procura arduamente não confrontá-la. Consiste, apenas para relembrar, em separar e catalogar as manchetes de capa de ZH. De pronto, aparta-se aquelas consideradas neutras – embora em se tratando da mídia de Pindorama e particularmente do órgão da família Sirostsky, neutralidade seja um termo mais afeiçoado à ficção do que à narrativa da vida social. São, vá lá, neutras as manchetes que destacam tragédias, festas, trânsito, meteorologia, esporte, polícia, ciência etc. Feita a peneirada, ficam somente as manchetes políticas, aquelas que mais claramente deixam ver com que turma anda o jornal e como desmente no dia-a-dia seu marketing da “vida por todos os lados” ao privilegiar somente um dos lados, a quem dedica muito mais beijos do que tapas.

Para Lula – e para todos – este 2009 de que pisamos os primeiros dias está cheio de interrogações. Mas todos sabem que 2008 foi um ano formidável para o governo central, apesar dos primeiros reflexos da crise mundial dos mercados desatada nos EUA. Sentindo-se confortáveis com a economia e percebendo o alcance das políticas sociais, as pessoas expressaram sua confiança no país e no presidente, fazendo sua popularidade bater recorde sobre recorde. Já a governadora Yeda Crusius, mesmo antes do desabar da tempestade, passou o ano em mar encapelado, atirando do tombadilho cargas e mais cargas de secretários e assessores, na tentativa de manter o barco navegando embora com o casco perfurado continuamente por novas e más notícias. Sua popularidade, invisível a olho nu, é hoje objeto de estudo da microbiologia.

Mas uma coisa é a vida e outra a sua interpretação. Desse modo, na capa de ZH, Lula, seu partido, seu governo, suas alianças e o país foram alvejados por 31% das manchetes políticas de 2008. Portanto, praticamente uma de cada três manchetes políticas do diário depreciou o presidente, seus aliados e seu governo. As manchetes positivas foram somente 14%, menos da metade das negativas. No caso de Yeda, de seu, vamos dizer, governo, de seus aliados e do Rio Grande os tiros foram de balas de mel. Aqui, as capas desfavoráveis estacionaram em 24% do total, enquanto as favoráveis chegaram a 29%.

Com isso, ZH ensina aos seus leitores que eles vivem em transe hipnótico num universo paralelo. Que aquilo que constatam nas ruas, na escola, no campo, no trabalho e no bolso não passa de uma miragem. É um encantamento que o jornal tenta quebrar a golpes incessantes de papel e tinta. Depois então, irá resgatá-los e devolvê-los ao mundo das realidades irretorquíveis, onde Lula é um pária e Yeda é uma governante sábia, justa e popular. É uma tarefa complicada já que 71% dos brasileiros pensam exatamente o oposto do jornal. E quem garimpou tal percentagem não foi o risível IBP mas institutos de pesquisas de tão nobre estirpe que ZH lhes encomenda, paga e publica os números. É duro viver assim mas é o que acontece com quem se auto-isola num planeta à parte, onde a fábula usurpa o lugar dos fatos.

Leia também as partes 1, 2 e 3 AQUI, AQUI e AQUI respectivamente.